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‘Tudo que Quero’ é sobre autista fã de Star Trek

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Filme "Tudo que Quero" com menina autista fã de Star Trek - Tismoo

Com boa atuação da protagonista, filme mostra garota com autismo que foge de casa em busca de seu sonho

Autista e apaixonada pelo universo de “Star Trek“, Wendy é a protagonista de “Tudo que Quero”, filme lançado em abril de 2018 (mês de conscientização do autismo) em poucos cinemas no Brasil — nos EUA, em outubro de 2017 — e agora disponível em vários serviços de streaming para assistir online. No melhor estilo Atypical, a produção mistura drama e momentos mais leves de comédia para falar da realidade de pessoas com autismo com boa medida de naturalidade.

Com um grande grau de independência, a jovem protagonista (interpretada brilhantemente por Dakota Fanning, atriz hoje com 24 anos) vive num lar especial para pessoas com autismo, onde passa os dias desempenhando funções básicas em uma rotina constante para aprendizado social. Seu hobby predileto? Escrever histórias de fantasia. Ela, então, descobre que há um concurso de roteiros sobre sua série preferida, quando começa a escrever uma obra de mais de 400 páginas com seus personagens favoritos (Kirk e Spock) e passa a obstinadamente perseguir este seu sonho, até mesmo sair totalmente de sua estrita rotina, fugindo de casa rumo a Los Angeles a fim de conseguir entregar o roteiro e participar do tal concurso. O filme, de ritmo um pouco lento, tem o título original em inglês Please, Stand By e estreou nos cinemas brasileiros em pouquíssimas salas, por ser indie (uma produção independente) — eu assisti no cinema Caixa Belas Artes da Consolação, em São Paulo, que costuma exibir uma programação alternativa.

Cartaz capa do filme "Tudo que Quero", fã de Star Trek que tem autismo - TismooStar Trek

Se você não sabe nada sobre a “mitologia” de Star Trek (a série de ficção científica lançada em 1966 que, no Brasil, recebeu o nome de “Jornada nas Estrelas” e tem uma legião de aficionados mundo afora), vai perder várias referências — principalmente a sequência final quando um personagem (Patton Oswalt) interage com Wendy da forma mais nerd possível (não vou dar spoiler e estragar a cena, né!?). Mas, a delicada interpretação da jovem com autismo é muito boa (o que salva o filme!) e reflete a realidade de muitos autistas (lembrando que o espectro do autismo é enorme e você nunca verá um autista igual a outro! — muito menos uma retratação 100% fiel em 1h33min de filme). O fato de ter dificuldade em olhar nos olhos, na socialização, comunicação de certa forma limitada e estar muito presa a rotinas, mostra com certo realismo como é o dia a dia de uma boa parcela das pessoas com Transtorno do Espectro do Autismo (TEA), principalmente adultos que conseguem autonomia suficiente para trabalhar.

O elenco de apoio conta com a presença ilustre da indicada ao Oscar Toni Collette (com o filme “O Sexto Sentido”), vivendo a administradora da clínica e terapeuta de Wendy, da britânica Alice Eve (que coincidentemente esteve em “Star Trek: Além da Escuridão”) no papel da irmã mais velha da garota.

Muito interessante também ver uma personagem feminina com autismo, já que o padrão são homens autistas, com infinitos exemplos a citar, de Raymond, de Rain Man, a Sam, de Atypical. Dirigido pelo polonês Ben Lewin (indicado ao Oscar por “As Sessões”, em 2012), a nota de “Tudo que Quero” no IMDB é 6.7 e no Rotten Tomatoes, 65%.

Onde assistir

Via streaming ou aluguel avulso em TV por assinatura, o filme pode ser assistido no: Google PlayLooke, Now, Vivo PlayYoutube Movies ou Apple iTunes — em alguns serviços o longa está com o título alternativo “Um Novo Caminho“.

Leia mais sobre a atriz Dakota Fanning, no site Omelete. Veja também a crítica sobre o filme no site Poltrona Nerd.

Assista ao trailer abaixo:

[atualizado em 05/11/2018 com novos serviços de streaming e título alternativo]

Globo estreia no Brasil a série The Good Doctor, sobre médico autista

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The Good Doctor - O bom doutor - série sobre autismo na Globoplay - Tismoo

O personagem principal é um médico residente de cirurgia que está no espectro do autismo

Criada por David Shore, mesmo produtor de House (da Fox), esta série norte-americana retrata a rotina de um residente de cirurgia, o jovem Shaun Murphy, que é autista, vivido pelo ator Freddie Highmore (protagonista de séries como Bates Motel e Close to the Enemy). The Good Doctor começou a ser exibida nos Estados Unidos, na rede de TV ABC, em setembro de 2017. No Brasil a série estreou dia 22 de agosto de 2018 com exclusividade no serviço de streaming GloboPlay e teve seus dois primeiros episódios exibidos na TV aberta, na noite de 27 de agosto, como se fosse um filme, no Tela Quente, da Rede Globo, quando bateu recorde de audiência da faixa de filmes em São Paulo, marcando 30 pontos pelo Ibope, sua maior média desde 2011. No Rio, teve 32 pontos, recorde desde 2009. (saiba o que é autismo).

Filmada em Vancouver, no Canadá, a série se tornou um fenômeno de audiência nos Estados Unidos no ano passado (2017), recebeu múltiplas críticas positivas, com elogios ao desempenho do protagonista, conquistando uma indicação ao Globo de Ouro — de melhor ator em série dramática para Highmore — e o prêmio Humanitas Prize para o episódio-piloto, escrito por Shore. Com nota 8,4 no site especializado em cinema IMDB, a trama acompanha o brilhante jovem cirurgião com Transtorno do Espectro do Autismo (TEA) e síndrome de Savant, que deixa a vida no interior para encarar o corrido dia a dia de um hospital na cidade grande.

Shaun teve uma infância complicada por sofrer de autismo e, com isso, grandes dificuldades socioemocionais e de linguagem. Após fugir de casa com o irmão, ele foi tutorado pelo médico Aaron Glassman (Richard Schiff), que consegue para ele, após a faculdade, uma vaga como residente no importante hospital que preside, o San Jose St. Bonaventure. A admissão do jovem causa uma comoção em torno do quanto seu transtorno pode ou não ser seguro para as vidas dos pacientes e para o trato com os familiares. Como esperado, o jovem residente tem um grande talento diagnóstico — com memória fotográfica e uma lógica de pensar diferente dos demais — e é isso que justifica sua presença entre os outros residentes.

A história é baseada na premiada série sul-coreana de 2013, chamada apenas “Good Doctor”.

Exibição via internet

O GloboPlay, canal de streaming da Globo, superou a Netflix nas negociações da série e anunciou a exibição exclusiva no Brasil, com o nome “The Good Doctor — O Bom Doutor”. Os 18 episódios da primeira temporada já estão disponíveis para os assinantes da plataforma. Esta é a primeira série de sucesso internacional adquirida pela Globo para exibição exclusiva no GloboPlay. Em Portugal a série estreou no canal a cabo AXN, em outubro de 2017.

Em março de 2018, a ABC renovou contrato para a segunda temporada da série, que é uma das maiores audiências naquela emissora, atrás apenas de “Grey’s Anatomy”. Nos Estados Unidos, a segunda temporada de The Good Doctor estreia em 24 de setembro de 2018.

Leia a crítica da primeira temporada no site Omelete. E assista aqui ao trailer da primeira temporada de The Good Doctor.

Atypical

Outra série sobre autismo que terá estreia próxima é “Atypical“, que lança sua segunda temporada no Netflix dia 7 de setembro de 2018 (veja o trailer). Os oito episódios da primeira temporada da série, que retrata um adolescente de 18 anos com TEA, estão disponíveis no Netflix.

(Atualizado em 31/08/2018 com informações sobre audiência da Tela Quente)

Autismo em cena: histórias emocionantes baseadas em fatos reais

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A inclusão e a empatia são mais fáceis de serem praticadas quando as pessoas conhecem o Transtorno do Espectro do Autismo (TEA) e perdem o medo sobre o tema. Afinal, se para os pais e profissionais de saúde o assunto já é complicado e gera muitas dúvidas, imagine para aqueles que nunca tiveram contato com a condição.

Para mostrar um pouco da realidade dos autistas listamos dois filmes estrangeiros muito inspiradores. Que tal aproveitar as férias de final de ano para assisti-los em família? Vale também indicar para as pessoas que têm interesse no tema ou para os parentes do seu filho que precisam entender melhor o universo do autismo. Confira:

Uma viagem Inesperada (2004)

Também conhecido pelo título “Missão Especial”, este filme, inspirado em fatos reais, conta a história de Steven (interpretado por Zac Efron) e Philip, irmãos gêmeos e autistas. A obra aborda os principais momentos da história dos garotos, do diagnóstico de autismo à busca de uma vida normal e independente. No filme destaca-se também a personagem Corrine, mãe dos garotos, cuja trajetória de dor e superação é marcada pelo abandono do marido e a mudança de cidade com as crianças em busca de uma nova vida. Com garra, amor e persistência, Corrine luta para garantir que seus filhos sejam incluídos na sociedade e na escola com respeito e dignidade.

O filme pode ser encontrado na internet, e o trailer você pode assistir aqui.

O nome dela é Sabine (2007)

Este documentário conta a história real de Sabine, uma jovem francesa que na juventude foi diagnosticada com autismo. Sandrine Bonnaire, diretora da obra e irmã da protagonista, reuniu imagens reais captadas ao longo de 25 anos para demonstrar como a internação de Sabine em uma instituição psiquiátrica prejudicou seu desenvolvimento. Após cinco anos de internação, Sabine enfrentou grandes desafios para recomeçar e reaprender a viver, sempre amparada por sua irmã. Profundo e comovente, o filme aborda o autismo de forma real, com todas as dificuldades que ele acarreta e toda a superação que ele exige das famílias e dos autistas. O filme mostra também o despreparo da sociedade e das instituições em abordar e tratar o autismo. Premiado no Festival de Cannes 2007, o longa-metragem também está disponível na internet. Veja o trailer.

Netflix fecha nova temporada de série sobre autismo

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Atypical teve a produção da 2ª temporada confirmada. Série mostra a vida de um adolescente autista.

A Netflix, provedora global de filmes e séries via streaming, acertou ao “subir” em sua plataforma a série “Atypical”, criada por Robia Rashid. A primeira temporada foi dividida em 8 episódios que contaram a história de Sam Gardner (Keir Gilchrist), um garoto que tem Transtorno do Espectro do Autismo e, aos 18 anos, decide que está na hora de ter uma namorada e ter mais independência dos pais. O sucesso da série se comprova com a oficialização de sua 2ª temporada.

Embora suas críticas não tenham sido unanimemente positivas, Atypical ganha 10 episódios na próxima temporada — dois a mais do que na 1ª. A Netflix aproveita o espaço para seguir discutindo um tema que ainda precisa estar em vários meios e que, por hora, ganha repercussão em suas mãos. Com Jennifer Jason Leigh, Michael Rapaport, Brigette Lundy-Paine e Amy Okuda no elenco, a série deve voltar à plataforma em 2018.

O grande foco

O autismo é o ponto central da série, que menciona os diferentes graus da condição em vários personagens, do protagonista às participações especiais. Em uma das cenas, por exemplo, uma personagem comemora em um grupo de apoio às mães de crianças e jovens com TEA que sua filha de 15 anos formou sua primeira frase com três palavras. É um contraste quando comparado ao protagonista Sam, um garoto com certa autonomia, que trabalha e estuda.

Para dar mais realismo às cenas, a câmera assume a perspectiva do ator principal em alguns momentos, trazendo para mais perto a complexa rede de emoções que o personagem vive. Em outros momentos, a fotografia da série traz recortes voltados para os impactos que som alto, luz forte e imprevistos na rotina causam aos autistas. Esses detalhes aproximam o telespectador da situação, despertando afinidade e reconhecimento.

As abordagens

Para uma série com um tema central bem definido, as abordagens paralelas trazem situações cotidianas, prezando pela importância da empatia e das pequenas decisões que podem afetar as emoções dos outros. É uma comédia com pitada de drama que mostra bastante a vida familiar dos Gardner, levando para o ambiente escolar as discussões sobre bullying e inclusão através de situações facilmente reconhecíveis de um jovem autista em uma escola.

A série tenta fugir do clichê de que todos os indivíduos com autismo vivem dentro do seu próprio mundo, apresentando outros personagens que não têm a condição, mas demonstram dificuldades sociais. Além de tentar desestigmatizar o autismo, Atypical traz ao público lições e informações sobre o TEA, que vão desde características às maneiras de inclusão.

É uma série que vale a pena principalmente por seus recortes e permissões para “entrarmos na cabeça” de Sam e ver como seu universo faz sentido. Isso acontece nos muitos trechos narrados em primeira pessoa. É um bom ponto de partida para o esclarecimento, a empatia e a aproximação do universo do Transtorno do Espectro do Autismo. Vale a pena assistir!

Ficou animado e já quer fazer uma maratona? Conheça ou relembre a primeira temporada com o trailer da série.

Conhecendo o assunto: filmes sobre autismo

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Uma simples sessão de cinema se transforma em uma experiência profunda quando nos identificamos com o enredo do filme. Aquela protagonista que vive dúvidas profissionais, um casal que passa por uma crise, uma família que convive com alguma condição que a define. Quando vemos nossos dramas na tela, a sensação é de que não estamos sozinhos. Selecionamos longas-metragens e documentários que falam sobre o autismo. Muitos narram histórias inspiradoras, outros dão voz a sentimentos de frustração diante do desconhecido, mas todos têm algo importante a dizer. Olha só:

  1. Sounding the alarm — o documentário produzido nos Estados Unidos acompanha a rotina de 12 famílias que convivem com o autismo. Uma produção bem feita que mostra de forma realista os dramas e as alegrias do dia a dia de quem precisa vencer os desafios do transtorno.
  2. A história de Luke — o filme narra a história de Luke, um autista de 25 anos que vive com os avós. Quando a avó falece, ele precisa cuidar do avô e lidar com o irmão, que não sabe lidar com Luke.
  3. Um time especial — o treinador de uma liga de beisebol escolhe um garoto autista para ser o lançador do time. A escolha desperta polêmica e a dupla precisa vencer os preconceitos e mostrar que a condição não é uma barreira para o sucesso.
  4. Adam — premiado no Sundance Film Festival, o filme gira em torno de um rapaz com síndrome de Asperger. Depois da morte do pai, Adam passa a morar sozinho e inicia um relacionamento com sua vizinha.
  5. Sei que vou te amar — Thomas tem 16 anos e precisa cuidar do irmão mais velho, Charlie. Autista, Charlie precisa de cuidado e atenção quando eles mudam de casa e de escola. O contexto acaba afetando a vida pessoal de Thomas, que precisa aprender a lidar com essa responsabilidade.

Tem alguma indicação de filme sobre o assunto? Compartilha com a gente nos comentários!