Cada palavra dita era comemorada pela família como um gol em final de campeonato no vídeo

Quando se trata de crianças, um dos sinais mais comuns de autismo é a ausência da fala, ao menos nos primeiros anos de vida. Meu filho mesmo começou a falar aos 4 anos de idade. E o momento das primeiras palavras é sempre marcante para os pais. Foi exatamente um vídeo desse momento que viralizou no TikTok há algumas semanas:  o garoto Micah, de 5 anos, falando pela primeira vez e a comemoração da família toda a cada palavra dita, no estado de Ohio, nos Estados Unidos.

Hoje com quase 14 milhões de visualizações, o vídeo emocionou muita gente — basta conferir a quantidade de likes e comentários (emocionados e emocionantes). A autora da postagem foi a mãe, Haley McGuire, (@haley_mcguire_photo) que descreveu o vídeo com “Micah 💙 #autisim #speak #ohio #words #proudparents” (em português: o nome do menino, autismo, fala, Ohio (estado), palavras, pais orgulhoso).

Aquisição de fala

Nas imagens compartilhadas, o garoto aparece repetindo os nomes dos familiares enquanto todos comemoram a cada palavra correta, como se fosse um gol em final de campeonato. “Já faz um dia e meio e tudo o que pedimos a ele para dizer, ele está repetindo!”, disse a mãe ao site Razões para Acreditar.

Micah ainda não usa a fala para se comunicar, só repete o que pedem a ele. Mas foi exatamente isso que aconteceu com meu filho, Giovani. Com um pouco mais de 3 anos e meio, começou a repetir palavras que pedíamos a ele. Mas nada de falar espontaneamente. Depois de completar 4 anos, começou a usar a fala para se comunicar efetivamente. Isso é parte do processo de aquisição de fala de alguns autistas. A ecolalia (repetir palavras ou frases ouvidas anteriormente) é outra fase que pode preceder a fala — há, inclusive, uma charge sobre isso com o André, o personagem autista da Turma da Mônica (veja aqui).

Vídeo

Assista ao vídeo e toda a comemoração da família:

@haley_mcguire_photo

Micah 💙 #autisim #speak #ohio #words #proudparents

♬ original sound – haleymcguire23

Vídeo da live ficou gravado no Instagram e tem diversos esclarecimentos sobre os benefícios do mapeamento genético para o TEA

Uma live muito esclarecedora aconteceu no Instagram, na manhã do último dia 6 de novembro de 2020. A jornalista Fátima de Kwant, brasileira radicada na Holanda há mais de 20 anos e mãe de autista, convidou a cofundadora e diretora-executiva da Tismoo, Graciela Pignatari, bióloga com mestrado e doutorado em biologia molecular, para falar sobre mapeamento genético

Fátima, que, ao lado do apresentador Marcos Mion, é administradora do maior grupo de Facebook de uma comunidade ligada ao autismo — a “Comunidade Pró Autismo“, com mais de 240 mil membros —, fez um live abordando o tema da genética e dos exames de mapeamento genético para o Transtorno do Espectro do Autismo (TEA).

“Tive o privilégio de participar de uma análise pós-sequenciamento, e fiquei encantada com o tratamento que a Tismoo deu à família do autista, respondendo a todas as perguntas com eficiência, atenção e carinho. Espetacular!”, contou a mãe jornalista, a respeito da sua experiência de ter participado, alguns dias atrás, de uma consulta de pós-teste da Tismoo (coisa que nenhum outro laboratório faz!), depois do exame de uma amiga. Isso foi o que despertou o interesse em convidar a bióloga para uma live.

Benefícios

Inúmeros benefícios de se fazer um exame genético em um laboratório especializado em autismo foram citados na live, seguem alguns tópicos e, em qual ponto do vídeo da live está cada um deles:

  • A importância de saber a etiologia, a causa do autismo daquela pessoa, além disso é possível dizer ainda se a alteração encontrada foi herdado ou não e quais os riscos ligados ao autismo para o restante da família (aos 0:08:21s do vídeo);
  • Ajudar no diagnóstico, sobretudo na segunda camada do diagnóstico, como síndromes ou outras condições de saúde associadas ao autismo que ainda não foram diagnósticas — ajudando, inclusive, na formação de grupos de famílias com as mesmas mutações genéticas para se ajudarem mutuamente (aos 0:9:19s);
  • Estratificação de pacientes, a divisão de grupos de pacientes conforme suas alterações genéticas, para organizar e estimular pesquisas científicas direcionadas para cada subtipo de autismo, o que já é uma realidade fora do Brasil — veja informações no Simons Search Light (0:11:50s);
  • Avaliação de risco de outros casos de autismo ou síndromes na família — e até mesmo levantar suspeita de outras questões psiquiátricas nos pais ou outros parentes —; e, neste tópico, Graciela explicou do modelo de copo, que representa o modelo para elucidar a genética do autismo (0:14:45s);

Além do papo descontraído entre as duas, e uma verdadeira aula sobre o assunto, Graciela também respondeu perguntas da audiência, como, por exemplo, quais são os fatores ambientais de risco de autismo (0:33:27s) — como a idade paterna (acima de 45 anos), a síndrome metabólica materna relacionada a questões de obesidade, diabetes gestacional, o uso de ácido valpróico como fator de risco, além de: baixo peso ao nascer, prematuridade, hipóxia neonatal (falta de oxigenação no cérebro), curto intervalo entre gestações, ter outros irmãos autistas, infecção durante a gestação, entre outros. Outro fator que impressionou Fátima foi o aumento do risco de ter outros filhos autistas pelo fato de ter uma primeira filha (mulher) com autismo.

Após uma explicação rápida sobre os tipos de exames de mapeamento genético (0:45:03s), Fátima de Kwant convidou Graciela para uma próxima live que acontecerá no final deste mês — dia 27.nov.2020, às 11h00 da manhã — só para falar deste assunto. Com mais lives como esta, quem ganha é sempre o público! 💙

Vídeo da live

Assista ao vídeo completo da live, que ficou gravada no Instagram da Fátima de Kwant (@fatimadekwant):Importância da genética para o autismo é tema de live de Fátima de Kwant — TismooOutras lives

Veja também nosso artigo “Em 3 lives, Tismoo explica sobre autismo e genética, exames genéticos e farmacogenômica” e assista os vídeos das lives de setembro/2020.

Com novos personagens, estreia será dia 2.nov.2020 nos EUA; no Brasil, deve ser no 1º semestre de 2021, mas ainda sem data.

A 4ª temporada de The Good Doctor já tem data de estreia nos Estados Unidos: dia 2 de novembro de 2020, e (como já sabemos) se iniciará mostrando suas adaptações à pandemia de Covid-19. No Brasil, a série é exibida pela Globoplay e ainda não tem data definida para a nova temporada, mas deve acontecer no primeiro semestre de 2021.

A emissora norte-americana ABC divulgou um trailer mostrando mais alguns detalhes a respeito da nova temporada da série. Devido à luta do médico autista Shaun Murphy (protagonista interpretado por Freddie Highmore) para salvar as vidas dos contaminados pelo novo coronavírus, ele estará separado de Lea Dilallo (Paige Spara), após terem ficado juntos no final da 3ª temporada. Depois disso, no trailer, Murphy aparece — muito bem protegido — cuidando de um paciente que está internado no hospital. Leia mais

Projeto de fone com cancelamento de ruídos foi o vencedor do hackathon Autismo Tech

Criar algo que beneficie autistas, pensando no mercado de trabalho. Este foi o mote do hackathon (competição intensiva de tecnologia para desenvolver algo inovador) Autismo Tech, organizado pela faculdade Fiap e a startup Infinity Evo, ambas de São Paulo. E o grupo vencedor criou um fone com cancelamento ativo de ruídos, que deram o nome de “Austic” — com o slogan “vibre na sua frequência”.

Mas o quê uma coisa tem a ver com a outra? Autismo, fone, mercado de trabalho, ruídos? Como já mostramos no nosso artigo “A relação das disfunções sensoriais com o autismo“, de acordo com alguns estudos, entre 56% a 80% das pessoas no TEA apresentem sinais de hipersensibilidade sensorial, também chamada de defensividade sensorial. Diferente das pessoas típicas, pessoas com esta característica experimentam os estímulos sensoriais de formas negativas e distintas entre si. Uma sensação considerada comum e tolerável para uma pessoa neurotípica pode ser considerada como estímulo aversivo para um autista, a ponto de gerar angústias e sofrimentos incapacitantes (veja as referências dos estudos no artigo original). Alunos autistas já fizeram um vídeo para falar a respeito do incômodo causado pela hipersensibilidade auditiva na sala de aula, no texto intitulado “Alunos autistas contam em vídeo como é ouvir barulho na sala de aula“.

Mercado de trabalho

E há diversos relatos de que a hipersensibilidade sensorial tirou muita gente do mercado de trabalho. Um exemplo é uma das integrantes da equipe Austic, Rubia Carolina Nobre Morais, a Carol, uma autista formada em odontologia e com hipersensibilidade auditiva. Apesar de amar a profissão, o excesso de ruídos no consultório fez com que ela abandonasse a profissão. Aliás, por esta e também outras questões, estudos nos EUA e Europa indicam que a maioria dos autistas adultos estão fora do mercado de trabalho, chegando a ser 85% dessa população em pesquisa feita no Reino Unido.

E a ideia do Austic é ser uma solução para o problema da hipersensibilidade auditiva de autistas para ajudar, entre outras questões, que isso não tire essas pessoas do mercado de trabalho.Em competição, equipe cria fone para autistas: Austic — TismooComo o Austic funciona

O produto é um fone de cancelamento ativo de ruídos por condução óssea. Ou seja, há duas inovações juntas aqui. O cancelamento ativo de ruídos, que é a emissão uma onda sonora com mesma amplitude e fase invertida do som original (neste caso, o ruído) e as ondas acabam se cancelando por um efeito chamado interferência. A outra inovação é o fone por condução óssea, que usam motores de vibração que reverberam em seu crânio e, por ressonância, levam os sons até seus ouvidos. Por essa razão, não precisam ser introduzidos nas orelhas, deixando-as livres para a entrada do som ambiente.

Neste caso, o Austic recebe os ruídos por seus microfones e gera ondas com fase invertida para cancelar esse som, porém, sem estar na orelhas, fazendo esse cancelamento no contato com o crânio, sem bloquear o canal auditivo. E qual ruído será cancelado? O projeto prevê que, quem estiver usando o fone poderá escolher, por meio de um aplicativo,  quais frequências de som serão canceladas — e tudo isso sem fio, usando uma conexão bluetooth.

Veja, a seguir, o vídeo do pitch da equipe sobre o produto na final do hackathon Autismo Tech. Além de Carol, a equipe é integrada por Júlia Demuner Pimentel, Thainá Monteiro Ferreira, João Eliandro Germano Gomes, Alexandro de Campos Teixeira Netto e Henrique Gomes de Souza. Eles buscam investimento para tornar o projeto do fone uma realidade.

Vídeo

Vídeo do pitch da equipe sobre o Austic na final do hackathon Autismo Tech

Vídeo publicado no Instagra @_austic

Leia também:

Dois questionários buscam obter dados sobre autismo nas famílias brasileiras e fornecer subsídio por mais políticas públicas

O Brasil tem a oportunidade de responder a duas relevantes pesquisas relacionadas a autismo nos próximos dias. Os resultados serão publicados na Revista Autismo e um deles, inclusive, integrará um relatório da Organização Mundial da Saúde (OMS) junto à Organização das Nações Unidas (ONU).

Este é o momento de aproveitar a oportunidade (afinal não há custo e em poucos minutos responde-se os dois questionários facilmente) e, não só responder a estas pesquisas agora mesmo — pois o prazo é até dia 3.out.2020 —, como também divulgá-las. Os links para as duas pesquisas estão no final deste artigo.

Responda e divulgue as pesquisas sobre autismo no Brasil — TismooDuas pesquisas

O estudo da OMS está sendo realizado em parceria com o Instituto Ico Project (de Curitiba, PR) e a Universidade Federal do Paraná (UFPR), com informações sociodemográficas. Será a primeira vez que o Brasil participa deste estudo, juntando-se a mais de 50 países. No Brasil, a responsabilidade técnica da coleta de dados é de Fátima Minetto, professora titular do departamento de educação da UFPR. “A relevância da pesquisa, além do caráter histórico, permitirá que a comunidade possa exigir políticas públicas dentro das necessidades concretas dessa parcela da população”, explicou Elyse Mattos, fundadora do Instituto Ico Project.

A segunda iniciativa é da Genial Care em parceria com a Revista Autismo, com foco nos cuidadores de crianças com autismo, procurando responder à pergunta: O que quem cuida precisa?. E ainda mais: “Quais são suas principais necessidades, inseguranças? Quais as suas potencialidades, como elas podem ser usadas e, principalmente, como podem ajudar nesse processo? É isso que o novo estudo da Genial Care, em parceria com a Revista Autismo, quer descobrir! “, contou o norte-americano Kenny Laplante, fundador da Genial Care.

Políticas públicas

São iniciativas como estas que fornecem dados, informação, o principal subsídio para a luta por mais políticas públicas que beneficiem as pessoas com autismo no Brasil. Exigir medidas do poder público — em todas as esferas: federal, estadual e municipal — sem dados atualizados ou sem informação aumenta grandemente a possibilidade de receber uma resposta negativa das autoridades.

Pesquisa OMS, Ico Project e UFPR: neste link aqui

Pesquisa Genial Care e Revista Autismo: neste outro link.

Mais informações

Leia mais detalhes sobre ambas as pesquisas na Revista Autismo:

Joshua Beckford está hoje com 15 anos de idade: “Eu quero mudar o mundo!”

Internacionalmente reconhecido, Joshua Beckford, um menino autista de 15 anos, quer ser neurocirurgião (decisão tomada aos 4 anos de idade, segundo ele) e gerar mais acessibilidade para populações carentes. “Eu quero salvar a terra. Quero mudar o mundo e mudar as ideias das pessoas para fazer as coisas certas sobre a Terra”, disse ele sobre o futuro, após receber o prêmio National Diversity Awards, em 2017.

O pequeno nigeriano foi matriculado na Universidade de Oxford aos 6 anos de idade, para cursar filosofia, além de ter sido aceito para integrar um projeto de pesquisa de história, sobre a peste de 1665 (peste bubônica na Inglaterra), numa plataforma online da mesma universidade.

Matriculado aos 6 anos, garoto autista é o aluno mais jovem da Universidade de Oxford: Joshua Beckford — TismooAutismo

Joshua tem autismo leve de alto funcionamento. O pai dele conta que ele tem hipersensibilidade auditiva e é muito ligado a rotinas. “Ele não gosta de barulhos altos, muitas vezes anda na ponta dos pés e sempre come do mesmo prato, usando os mesmos talheres e, para beber, usa sempre o mesmo copo“, narrou o pai, que ainda contou que, aos 2 anos, o filho aprendeu a falar (inglês, sua língua nativa) e aos 3, já era fluente em japonês. Antes disso, aos 10 meses, o pai percebeu que Joshua conseguiu memorizar cada letra do teclado de seu computador após ter dito uma a uma ao garoto. Histórias estas contadadas diversas vezes em todo o mundo, como nesta reportagem da BBC (em iorubá, idioma local da região da Nigéria) ou no site Face2Face Africa.

Ele ainda recebeu um certificado de excelência em Oxford, após obter a maior nota em todos os as disciplinas que cursou na plataforma de educação online para crianças superdotadas.

Joshua já foi convidado para dar diversas palestras. Ele fala sobre a anatomia humana, sobre autismo e, logicamente, sobre sua história, inclusive falou para 3 mil pessoas, em uma conferência TEDx em Viena (Áustria), aos 11 anos, quando estava escrevendo um livro sobre o Egito antigo.

Atualmente ele está levantando fundos para construir uma escola no estado de Kaduna, na Nigéria.

TEDx Vienna

Assista, à seguir, a apresentação de Joshua no TEDx Vienna (na realidade foi uma entrevista) e o poema (de sua autoria) que ele declama ao final, em novembro de 2016.

Episódios de estreia da nova temporada terão, como tema central, o caos causado pelo novo coronavírus

A famosa série The Good Doctor abrirá sua quarta temporada abordando a atual crise sanitária com a pandemia de Covid-19 como mais um desafio para o médico autista Shaun Murphy, interpretado brilhantemente por Freddie Highmore (veja vídeo dele respondendo perguntas para a revista Wired, a seguir). A informação vem do site norte-americano TVLine, que anunciou com exclusividade a notícia, rapidamente disseminada internet afora.

Na estreia da nova temporada — ainda sem data, pois as gravações continuam suspensas em Vancouver (Canadá) por conta do novo coronavírus — o primeiro episódio será dividido em duas partes e vai abordar a pandemia atual. Ainda não está claro como isso vai afetar a vida da equipe dentro e fora do hospital.

No fim da terceira temporada, os médicos do St. Bonaventure Hospital já tiveram uma grande perda causada por um terremoto e agora esse novo problema deve desafiar ainda mais os personagens da série.

Série The Good Doctor — TismooSucesso

Lançada em 2017 e um dos maiores sucessos de audiência na atualidade — no Brasil e nos Estados Unidos —, a série conta a história de um jovem médico que tem autismo e sai do interior para começar a trabalhar em um grande e famoso hospital, o St. Bonaventure Hospital, na agitada cidade de San Jose, na Califórnia (EUA). O jovem residente de medicina tem um grande talento diagnóstico — com memória fotográfica e uma lógica de pensar diferente dos demais, apesar de dificuldades sociais para lidar com certas situações com pacientes, colegas e seus superiores. Pela sua atuação, o protagonista foi indicado a um Globo de Ouro em 2018, mas não venceu.

Saiba mais em nossos artigos: “The Good Doctor completa 3ª temporada no Brasil“, “The Good Doctor estreia 3ª temporada“, “Série The Good Doctor será exibida pela Globo semanalmente“, “Série The Good Doctor estreia 2ª temporada no Brasil” e “Globo estreia no Brasil a série The Good Doctor, sobre médico autista“.

Ator responde perguntas
(em 2019)

No Dia do Profissional de Educação, participação em aula de escola pública foi motivada pelo hiperfoco de um aluno autista pela Turma da Mônica

Já pensou se, quando os estudantes lessem um texto da Turma da Mônica na escola, o próprio Mauricio de Sousa pudesse aparecer na sala de aula para tirar todas as dúvidas dos alunos? Pois foi isso que aconteceu na EMEB “Dr. Vicente Zammite Mammana”, escola pública de São Bernardo do Campo (SP), na tarde desta quinta-feira, 6 de agosto de 2020, Dia do Profissional da Educação. E o motivo — além de homenagear todos os professores e demais profissionais da área em todo o país pelo seu dia — foi o hiperfoco de um aluno com autismo, Lorenzo Mello, pelos gibis da Turma da Mônica.

Hiperfoco de aluno autista faz Mauricio de Sousa participar de aula online — Tismoo

Lorenzo, de 7 anos, motivo da surpresa de Mauricio de Sousa.

No 2º ano C, a professora Vânia Aparecida Barbosa sempre pede para os alunos trazerem textos e lerem para toda a classe. Lorenzo, de 7 anos, sempre trazia um gibi da turminha para ler uma história para os colegas. Percebendo esse grande interesse do menino, a professora começou a buscar e produzir material didático usando a Turma da Mônica como tema e aumentando o engajamento do aluno com autismo nas tarefas. E por que não chamar o próprio Mauricio de Sousa para uma aula? Foi o que aconteceu, o pai da turminha apareceu na aula online e deixou todos os alunos extremamente eufóricos, ainda mais Lorenzo, fã do Cebolinha e do Franjinha. A primeira coisa que o garoto quis saber foi: “Por que o Cebolinha cria seus ‘planos infalíveis’?”, imediatamente respondido por Mauricio, com muito bom humor.

Foi uma aula online, como tem sido durante pandemia de Covid-19, reunindo duas classes, o 2º ano B e C, com as professoras Vânia e Angélica R. A. Moderoso. E, de repente, quem estava lá? O próprio Mauricio, que pacientemente respondeu todas as dúvidas da classe — desde o porquê do Cascão não gostar de tomar banho, até as inspirações para a criação de diversos personagens. As perguntas foram tantas que a criançada até convenceu Mauricio de buscar seu cachorro, Bidu (o da vida real), para mostrar a todos. Com toda paciência e carinho, o mais importante desenhista do país trouxe o cãozinho no colo, para delírio da molecada.

Diagnóstico aos 3 anos

Lorenzo foi diagnosticado com autismo aos 3 anos de idade, numa suspeita que surgiu oito meses antes. “O Lorenzo sempre gostou da Turma da Mônica, mas esse laço se estreitou ainda mais depois que ele foi alfabetizado, no ano passado. A leitura aproximou-o muito mais. Embora a gente sempre incentive para que ele explore outros gêneros, o que ele ama mesmo são os quadrinhos da Turma”, relembrou Thays Mello, mãe do Lorenzo. “É muito gratificante saber que a professora Vânia fez questão de dar aula pro meu filho”, agradeceu o pai, Celso Mello. Na escola, Lorenzo é um dos melhores de língua portuguesa e leitura, e tem mais dificuldades em matemática. “A gente busca caminhos para encontrar o Lorenzo nessa estrada e trazê-lo para a aprendizagem, pois ele é bem esperto. Mas precisamos do foco, e a Turma da Mônica ajuda muito o Lorenzo nisso”, explicou a professora Vânia.

Para o filho não ficar tão ansioso, os pais guardaram segredo sobre a participação especial na aula. “Se eu contasse, ele nem dormiria de tanta ansiedade”, contou a mãe. Para o “plano infalível” da professora dar certo, nenhum aluno podia saber que o pai da Mônica participaria da aula. “Foi uma surpresa para todos!”, revelou a professora. A ideia, porém, veio de fora da classe: “Graças à minha filha que teve a ideia e fez contato com Mauricio de Sousa foi possível vivenciarmos esse dia inesquecível na nossa escola, ainda que online”, comemorou Vânia.

Uma curiosidade: a escola tem o apelido carinhoso de “Cebolinha”, porque foi o nome escolhido, há muitos anos, pelos alunos mais novos, para o time, durante a realização dos jogos escolares.

A convite de Mauricio de Sousa, a Revista Autismo participou da aula online com exclusividade. Em toda edição da Revista Autismo é publicada uma história em quadrinhos exclusiva com o André, o personagem autista da Turma da Mônica — graças a parceria com o Instituto Mauricio de Sousa —, com o objetivo de explicar, de maneira lúdica, aspectos do autismo, como o próprio hiperfoco e incluí-lo nas histórias da turminha. As HQs estão disponíveis na versão impressa, de distribuição gratuita, e também na edição online, no site RevistaAutismo.com.br.

Vídeo da ‘surpresa’ de Mauricio de Sousa

Assista ao vídeo da participação de Mauricio de Sousa na aula online:

Publicado originalmente da Revista Autismo.

Documentário da Netflix sobre competições de resolução de cubo mágico estreou no fim de julho

Parece um documentário como outro qualquer, porém “Magos do Cubo“, da Netflix, mostra não só uma competição para resolver um cubo mágico em poucos segundos, mas também uma história de amizade e autismo, nos bastidores do campeonato. Os protagonistas são dois rivais na competição, mas amigos na vida — um autista, um neurotípico, ambos campeões. O filme (originalmente com o nome em inglês “Speed Cubbers”), lançado no último dia 29 de julho de 2020, tem 40 minutos e indicação etária livre.

Uma mania mundial nos últimos anos, o speed ​​cubing, termo em inglês para o esporte competitivo para resolver um cubo de Rubik (cubo mágico) teve o australiano Feliks Zemdegs reinando soberano por quase uma década nesse novo esporte. Em 2017, no entanto, Max Park abismou a todos vencendo a competição, batendo Feliks que estava invicto desde 2013. Desde então, os dois vêm disputando títulos e quebrando recordes, contudo, ao invés de rivalidade, Feliks e Max transformaram essa competitividade em uma grande amizade.

Magos do Cubo mostra autismo e amizade — TismooHabilidades sociais

Max está no espectro do autismo e a família usa a resolução competitiva de cubos mágicos como terapia para estimular suas habilidades sociais e desenvolvimento emocional, sem nunca imaginar que o maior rival dele no esporte se tornaria um grande aliado para lidar com o autismo. No teaser da série, algumas perguntas colocam em dúvida o desfecho desta história: “Nossa história começa com Max e Feliks prestes a participar de mais um campeonato mundial. Os dois querem vencer e torcem pelo sucesso um do outro, mas só um será o campeão. Qual deles? E essa amizade vai conseguir sobreviver a tudo isso?”.

É assistir e conferir para onde competição e amizade vão.

Veja o trailer:

Séries sobre autismo

Veja outros artigos de filmes e séries sobre autismo, como “Netflix estreia série ‘Amor no Espectro’ sobre jovens com autismo” e “The Good Doctor completa 3ª temporada no Brasil“.

Relacionamentos entre jovens no espectro do autismo será o foco da série documental australiana com lançamento em julho

No próximo dia 22 de julho de 2020, a Netflix estreia a série documental “Amor no Espectro” (no original em inglês: Love on the Spectrum), que, como o próprio nome diz, irá mostrar histórias de relacionamentos amorosos entre jovens no espectro do autismo. O trailer da primeira temporada foi divulgado nesta terça (7) e apresenta a seguinte descrição: “Encontrar o amor não é fácil. Para jovens com autismo, o mundo das relações amorosas pode ser ainda mais complicado”.

Dividida em 4 episódios de aproximadamente uma hora cada e produzida em 2019, pela TV australiana Northern Pictures (que fez a série “Employable Me” sobre a busca por empregos na neurodiversidade) e pela rede de TV pública da Austrália, ABC, a série apresenta sete jovens autistas solteiros dando seus primeiros passos no mundo dos encontros amorosos. Segundo os produtores, é “um documentário inspirador que segue jovens adultos no espectro do autismo enquanto eles exploram o imprevisível mundo do amor e dos relacionamentos”. Será possível ver que eles recebem ajuda de suas famílias e de especialistas durante a confusa experiência que é o namoro moderno.

Netflix estreia série 'Amor no Espectro' sobre jovens com autismo — Tismoo

Flyer de divulgação de “Amor no Espectro”

Amor

Cian O’Cleary, diretor da série, faz um questionamento: “Qual é a coisa mais importante na vida? Muitas pessoas responderiam que é o amor. Existe um equívoco comum de que as pessoas no espectro autista não estejam interessadas em relacionamentos ou romance. Pela minha experiência, isso não é verdade”, contou ele em nota à imprensa.

Ele falou ainda sobre a dificuldade que pessoas no espectro têm em enfrentar essa questão, sequer chegando a ter um primeiro encontro. “Ao fazer séries de televisão sobre deficiência ao longo dos anos, conversei com muitos jovens adultos sobre o espectro do autismo, bem como famílias, treinadores, psicólogos e organizações ligadas ao autismo. Uma coisa realmente se destacou para mim: quando você fala com um grande número de pessoas cujo principal desejo na vida é ter um parceiro, e elas nem sequer estiveram em um encontro amoroso, algo não está certo”, argumentou o diretor.

O documentário foi lançado original na Austrália, no dia 19 de novembro de 2019 e tem nota 8.6 no IMDb.

Leia também sobre outra série da Netflix que trata do Autismo: “Atypical“. E sobre “The Good Doctor“, da Globoplay.

Trailer

Assista ao trailer oficial, legendado em português (com 1:34s), de “Amor no Espectro”: