Revista lançou campanha de doações e conseguiu produzir a versão digital e impressa da publicação, com apoio de leitores e empresas

Com a crise econômica por conta da pandemia de Covid-19, a Revista Autismo perdeu seus patrocinadores e esteve sem perspectiva de como lançar a edição número 9 (do trimestre de junho, julho e agosto). Com uma campanha de doações (que continua, veja aqui) e o apoio de diversas empresas, foi possível publicar a nova edição, digital e impressa (em menor quantidade) e manter o projeto vivo. A revista nº 9 foi lançada nesta quinta, 25.jun.2020.

Edição 9 da Revista Autismo, sobre a pandemia de Covid-19 — Tismoo

Capa da edição 9 da Revista Autismo, sobre a pandemia de Covid-19

Esta edição teve como destaque os impactos da pandemia originada pelo novo coronavírus em todo o universo do autismo. Assim como diversos colunistas, até mesmo o André, o personagem autista da Turma da Mônica, refletiu sobre a pandemia na história em quadrinhos exclusiva que sai em toda edição da revista, graças à parceria com o Instituto Mauricio de Sousa. São 52 páginas de bastante conteúdo de qualidade sobre o Transtorno do Espectro do Autismo (TEA).

A versão digital já pode ser baixada diretamente no site da Revista Autismo — em pdf.RevistaAutismo.com.br — totalmente gratuita, como sempre. E a revista impressa já foi despachada para os mais de 90 pontos de distribuição em todo o Brasil (em quantidade reduzida, logicamente). Sem nenhum custo, os exemplares seguem viagem por meio de dois parceiros da revista: via rodoviária, vai pela transportadora Jamef, e via aérea, pela Azul Cargo (empresa de logística da Azul Linhas Aéreas).

A revista física (em papel) pode ser assinada, pagando-se somente o valor do frete no site Assine.RevistaAutismo.com.br trimestralmente — as edições são publicadas nos meses de março, junho, setembro e dezembro — e recebendo, via correio, em seu endereço.

Gratuita

Para quem não a conhece, vale destacar que a Revista Autismo, impressa e digital, é uma publicação gratuita, servindo ao propósito social de disseminar informação de qualidade a respeito de autismo no Brasil todo através de ações online e offline — sendo atualmente a maior plataforma de conteúdo jornalístico sobre autismo da América Latina.

 

Com seletividade alimentar, Marco Antônio, de 9 anos, só aceita comer um biscoito específico

É muito comum que pessoas com autismo tenham seletividade alimentar. E este é o caso de Marco Antônio, de 9 anos, de Dourados (MS), que ganhou destaque na imprensa há alguns dias. O garoto só come um biscoito específico, que acabou de sair de linha. A mãe, porém, conseguiu convencer a empresa a continuar fabricando o produto para o filho até o fim do ano e ter tempo de tentar fazer uma transição para outro biscoito.

Noticiado pelo portal G1 e pelo jornal Estado de Minas, a história repercutiu nas redes sociais. O biscoito que Marco Antônio tanto gosta é o “Marilan Amanteigado Leite”, fabricada em Marília (SP), com um orifício em formato de coração no centro. O produto, no entanto, foi reformulado e saiu de linha como era, passando a ter um novo formato e com orifício circular.

A enfermeira Loreta Toffano contou ao G1 que costumava comprar cerca de 20 pacotes desse biscoito para o filho Marco Antônio. No entanto, no último dia 5.jun.2020, ela foi ao supermercado e percebeu que o produto havia mudado de formato.

“Mesmo assim eu comprei no novo formato, para tentar, mas ele tem todo um ritual, como é comum para [algumas] crianças autistas. Ele pega o biscoito, olha bem, faz uma inspeção visual, cheira, aí quebra bem no meio do coração. Se quebrar torto, ou se tiver um trincadinho, ele não come. Ele pegou o biscoito no formato novo, olhou, cheirou e deixou de lado”, lembra a mãe.

Loreta fez um apelo nas redes sociais, postando em seu Instagram um pedido à fabricante. De início, eles só lamentaram. Depois, com a repercussão do caso, a empresa disse que não seria possível manter o formato antigo no mercado, mas garantiu que o menino vai receber exclusivamente o biscoito do jeito que gosta até o final do ano de forma gratuita, além de enviar outros modelos de biscoito para ver se o menino aceita e tenha mais uma opção.

Em nota ao Portal da Tismoo, a empresa respondeu: “Desde a sua fundação, a Marilan sempre teve o comprometimento de contribuir com a sociedade.  E temos a cultura de estimular todo time a fazer o mesmo, ajudando com o que estiver ao nosso alcance. A empresa acredita que compromisso, foco, seriedade, empatia e cooperação são valores capazes de criar um mundo melhor para todos”.

Agora é torcer para essa transição dar certo. Outro caso bem semelhante aconteceu em novembro último (2019). Foi com um menino, de 10 anos, em Alagoas, noticiado pelo Razões Para Acreditar.

Seletividade alimentar

A alimentação é um assunto muito delicado e uma queixa muito frequente dos pais de autistas. Não apenas pela angústia, pelo risco de deficiências nutricionais, mas pelo momento da refeição se tornar um momento de estresse.

Para pessoas com Transtorno do Espectro do Autismo (TEA), essa dificuldade na alimentação é bem comum, pois recebem interferência direta de estímulos sensoriais.

Leia nosso artigo “A seletividade alimentar e o autismo” para saber mais a respeito do assunto.

 

Os 10 episódios restantes da terceira temporada estão disponíveis na Globoplay

Desde o início do mês (8 de maio de 2020), os dez episódios restantes que completam a terceira temporada da série The Good Doctor no Brasil, exibida pela Globoplay, estão disponíveis. Nos Estados Unidos, essa outra metade da terceira temporada estreou dia 13 de janeiro de 2020, no canal ABC. Outra boa notícias para os fãs é que já está confirmada a quarta temporada para a série.

Desde que estreou no Brasil, The Good Doctor  já ganhou exibição em canais da TV aberta (Globo) e fechada (no canal GNT), além de um especial de divulgação dentro do Tela Quente com os dois primeiros episódios.

Sucesso de audiência aqui e nos Estados Unidos, a série, lançada em 2017, conta a história de Shaun Murphy (interpretado por Freddie Highmore), um jovem médico que tem autismo e sai do interior para começar a trabalhar em um grande e famoso hospital, o St. Bonaventure Hospital, na agitada cidade de San Jose, na Califórnia (EUA). O jovem residente de medicina tem um grande talento diagnóstico — com memória fotográfica e uma lógica de pensar diferente dos demais, apesar de dificuldades sociais para lidar com certas situações com pacientes, colegas e seus superiores. Pela sua atuação, o protagonista foi indicado a um Globo de Ouro em 2018.

Para essa outra metade da terceira temporada, pode-se esperar várias reviravoltas na história e até mesmo um triângulo amoroso. Vale assistir!

Saiba mais em nossos artigos: “The Good Doctor estreia 3ª temporada“, “Série The Good Doctor será exibida pela Globo semanalmente“, “Série The Good Doctor estreia 2ª temporada no Brasil” e “Globo estreia no Brasil a série The Good Doctor, sobre médico autista“.

The Good Doctor completa 3ª temporada no Brasil — Tismoo

A jovem ativista sueca foi indicada ao prêmio em 2019 e 2020 por sua luta contra o aquecimento global

Com apenas 17 anos de idade, Greta Thunberg e seu movimento “Sextas-Feiras para o Futuro” (“Fridays For Future”, no original em inglês) foi, pela segunda vez, indicada ao Prêmio Nobel da Paz. Protestando contra o aquecimento global, em favor da defesa do meio ambiente, a jovem militante autista tem como hiperfoco os problemas ecológicos do planeta. Em pouco tempo, o movimento da sueca tornou-se global e a mensagem chegou a inúmeros líderes importantes ao redor do mundo.

No documento da indicação, enviado por parlamentares da Suécia, a justificativa é de que o tema ganhou tanta importância e destaque em função da jovem e seu movimento: “Greta Thunberg é ativista climática e a principal razão pela qual merece o prêmio Nobel da Paz é que, apesar de sua juventude, não deixa de alertar os líderes da crise climática”, escrevem Jens Holm e Håkan Svenneling ao Comitê Nobel da Noruega. “Sextas-feiras para o Futuro é o movimento criado em torno de Greta Thunberg. Sem ele e Greta Thunberg, a questão climática não teria ganhado tanta importância”, explicaram os signatários da indicação.

Indicada ao Nobel da Paz, autista luta contra mudanças climáticas: Greta Thunberg — Tismoo

Vale relembrar o início desta trajetória. Greta, com autismo leve — à época diagnosticada com Síndrome de Asperger —, iniciou um movimento de greves escolares às sextas-feiras. Sozinha, ela começou a ir em frente ao parlamento sueco, em agosto de 2018, com um cartaz escrito “Greve escolar pelo clima” — frase que se tornou o lema do movimento — e logo jovens preocupados com as mudanças climáticas sentiram-se representados por ela e a greve recebeu o engajamento de toda a Suécia. Em seguida, espalhou-se rapidamente para toda a Europa, para em pouco tempo tornar-se global.

Pandemia

Com a pandemia do novo coronavírus, a jovem autista doou um prêmio de US$ 100 mil (cerca de R$ 580 mil) que recebeu da fundação dinamarquesa Human Act para a Unicef (Fundo das Nações Unidas para a Infância) para auxiliar na luta contra o coronavírus: “Assim como a crise climática, a pandemia de coronavírus é uma crise dos direitos das crianças”, afirmou ela, em um comunicado divulgado pelo Unicef (Fundo das Nações Unidas para a Infância), no último dia 30 de abril.

Numa live no Instagram no início de abril, Greta destacou a importância da ciência neste momento: “O ensinamento é que temos e podemos agir nas crises. Essa pandemia é uma tragédia e está tirando vidas. Temos que fazer tudo o que é possível. Temos que espalhar a informação dos especialistas e agir com responsabilidade”. Greta estava em um apartamento emprestado, onde está morando sozinha temporariamente por ter apresentado sintomas de covid-19 e se isolou de sua família. “Estou com sintomas leves, mas não posso fazer o teste, porque aqui na Suécia só os casos emergenciais fazem o exame”, explicou ela.

Leia mais no nosso artigo do ano passado, sobre a primeira indicação de Greta ao Nobel (Indicada ao Nobel da Paz, autista luta contra mudanças climáticas) e quando ela foi capa da revista Time (Greta é escolhida personalidade do ano pela revista Time).

Dicas são publicadas nas redes sociais e ilustradas com o André, o personagem autista da Turma da Mônica

O Instituto Mauricio de Sousa e a Revista Autismo uniram-se para publicarem diariamente nas redes sociais dicas para famílias com as crianças neste momento de isolamento social por conta da pandemia do novo coronavírus, especialmente para autistas. São mais de vinte dicas, publicadas todos os dias para orientar e dar ideias e sugestões para melhorar o dia a dia da rotina em casa.

O diretor executivo do Instituto, Amauri de Sousa, elogiou a iniciativa: “Conteúdos por meio de uma linguagem clara e lúdica estimulam o desenvolvimento humano, à inclusão social, o incentivo à leitura, o respeito entre as diferenças, além da formação de cidadãos conscientes e conhecedores de seus deveres e direitos”.

Dica todo dia

Na quarentena, Instituto Mauricio de Sousa e Revista Autismo dão dicas diárias para autistas

Dicas — como a primeira publicada —, de criar um ambiente propício, um cantinho mais silencioso reservado para as atividades, foram dadas pela Neuro Days, um centro de avaliações neuropsicológicas que faz atendimentos por valores sociais, de acordo com a situação socioeconômica e personalizada para cada família, com profissionais que atuam nas grandes universidades como a Unifesp e USP.

Para a neuropsicóloga Deise Ruiz, fundadora do Centro de Avaliações Neuro Days e mestranda em psiquiatria e psicologia médica, a ação é extremamente útil para as famílias neste momento de isolamento social. “Pequenas ideias e sugestões neste momento podem ser muito valiosas para todos”, disse ela, que elaborou as dicas junto com toda sua equipe.

As dicas diárias, que começaram a ser publicadas na última quarta-feira, 29.abr.2020, são sempre ilustradas com o André, o personagem autista da Turma da Mônica, que tem histórias exclusivas publicadas a cada edição da Revista Autismo, desde o início do ano passado.

Evento na internet promovido pela Revista Autismo e Tismoo.me tem 12 horas de conteúdo, em 34 palestras

Em uma ação conjunta entre a Revista Autismo e a Tismoo.me, um congresso online foi organizado em virtude do cancelamento e adiamento de todos os eventos presenciais sobre autismo por conta a pandemia de convid-19. É o 1º Congresso Online pelo Dia Mundial de Conscientização do Autismo, com um total de 12 horas de conteúdo, de 36 palestrantes diferentes, entre eles, o desenhista Mauricio de Sousa e a filha Marina — são 34 palestras gratuitas —, disponíveis na internet até o fim do mês de abril de 2020.

Autistas, pais, professores, terapeutas, médicos, especialistas e cientistas, como os cofundadores da Tismoo, Alysson Muotri, Graciela Pignatari, Roberto Herai e o médico Carlos Gadia, estão entre os palestrantes, com temas variados em 34 vídeos, que vão de 7 a 45 minutos cada. Mais de 30 mil pessoas já assistiram ao evento online. Não é preciso fazer inscrição, basta acessar o site do evento (aqui), colocar seu email e assistir às palestras que quiser.

Entre os autistas, Tiago Abreu, um dos criadores do podcast Introvertendo, é um dos palestrantes, assim como Joana Scheer e Josiane Soares — estas duas últimas, integrantes da Liga dos Autistas — Paulo Roberto Martins-Filho, Nícolas Brito Sales e William Chimura.

Temas das palestras

Seguem os temas e seus palestrantes (em ordem alfabética):

1 Saúde bucal da pessoa com autismo Adriana Zink
2 As novidades sobre neurociência e autismo Alysson Muotri
3 Novas abordagens clínicas para o autismo Caio Abujadi
4 Regras para o BPC/LOAS e dicas para IRPF Carla Bertin
5 Desafios do autismo no Brasil Carlos Gadia
6 A importância do ensino da fala para pessoas com autismo Celso Goyos
7 Abrindo a discussão sobre Atividades Vocacionais para o TEA Cláudia Moraes
8 Autismo: sustentabilidade e inclusão no mercado de trabalho Daniel Martin Ely
9 Transtorno do Espectro do Autismo em meninas Deborah Kerches
10 Autismo e genética Diogo Lovato
11 Autismo: um passo a passo para uma terapia eficaz Fábio Coelho
12 O autismo ao longo da vida Fátima de Kwant
13 Como obter informação de qualidade sobre autismo Francisco Paiva Jr.
14 A importância de exames genéticos para o autismo Graciela Pignatari
15 Desafios do diagnóstico no serviço público do Brasil Joana Portolese
16 O que você precisa saber sobre hiperfoco Joana Scheer
17 A amizade neurodiversa e os benefícios da Libras Josiane Soares + Jéssica Carrijo
18 Mães terapeutas Kaká do Autistólogos
19 Autismo: inclusão escolar baseada em evidência científica Lucelmo Lacerda
20 Valorização da Neurodiversidade nas Empresas Marcelo Vitoriano
21 O programa TEACCH e suas contribuições Maria Elisa Fonseca
22 A inclusào do autismo nas histórias em quadrinhos Mauricio de Sousa + Marina Sousa
23 O tratamento de autismo Mayra Gaiato
24 Manejo de dificuldades comportamentais no autismo Meca Andrade
25 Minha vida profissional Nícolas Brito Sales
26 Fundamentos clínicos para o diagnóstico do TEA na infância Paulo Liberalesso
27 Primeiros passos para o entendimento de um estudo científico Paulo Roberto Martins-Filho
28 Síndrome do X-Frágil Roberto Herai
29 Avaliação qualitativa de habilidades cognitivas de autistas Sabrina Ribeiro
30 PECS e comunicação: como ensinar Soraia Vieira
31 Autistas nas universidades brasileiras Tiago Abreu
32 Evidências científicas do método TEACCH Viviane De Leon
33 Seletividade alimentar no autismo Wigna Rayssa
34 A união da comunidade do autismo William Chimura

1º Congresso Online pelo Dia Mundial de Conscientização do Autismo — Revista Autismo e Tismoo.me

Desta vez, quem recebe a apresentação sobre a nova rede social será Houston, no Texas

Com palestra do jornalista Francisco Paiva Junior, quem coordena o iniciativa Tismoo.me, o objetivo é apresentar a nova rede social aos brasileiros e norte-americanos que vivem nos Estados Unidos, já que a plataforma será lançada em ambos os países — em português e em inglês. Outro palestrante que tocará no assunto e o renomado neurocientista Alysson Muotri, cofundador da Tismoo.

Califórnia

Os dois eventos anteriores foram em dezembro último, na Califórnia. O primeiro aconteceu em San Diego, no dia 5 de dezembro, organizado pela ATPF (Autism Tree Project Foundation), organização não-governamental local que atende famílias afetadas pelo autismo naquela região. O evento, todo em inglês e direcionado à comunidade norte-americana, foi na Universidade da Califórnia em San Diego (UCSD), com apresentações do neurocientista Alysson Muotri e do jornalista Francisco Paiva Junior, que coordena o projeto da nova rede social com foco no autismo.

O segundo evento deu-se no Consulado Geral do Brasil em Los Angeles, na manhã do dia 7 de dezembro. Todo em português, o evento “Juntos somos mais fortes” reuniu a comunidade brasileira que vive na Califórnia para falar de autismo. Além dos dois palestrantes do evento de San Diego, Muotri e Paiva, outros nomes ligados ao autismo também se apresentaram no consulado brasileiro.

Cadastre-se

Você ainda não sabe o que é a Tismoo.me? Então leia nosso artigo “Lançamento 2020! Rede social Tismoo.me”, e inscreva-se na lista de espera para conectar-se à plataforma quando for lançada, acessando o site: tismoo.me.

Brasil terá movimento nacional unificado, lançado pela Revista Autismo, para o Dia Mundial de Conscientização do Autismo, 2 de abril

Todos unidos em 2020: ‘Respeito para todo o espectro’

Segundo os organizadores da campanha, “ao mencionar ‘todo o espectro’ no tema, a campanha deixa claro que há uma extensa diversidade, um espectro, na maneira como o autismo afeta cada indivíduo, havendo desde pessoas com graves comprometimentos e comorbidades (outras condições de saúde associadas, como epilepsia e deficiência intelectual) até os chamados ‘autistas de alto funcionamento’, com sinais e sintomas muito leves do transtorno (antigamente diagnosticados com síndrome de Asperger). Por isso o nome técnico ganhou a palavra ‘espectro’, Transtorno do Espectro do Autismo (TEA), pela grande variação de características e intensidades”.

#RESPECTRO

O pedido é simples: “respeito nas políticas públicas (quase inexistentes no país), respeito no tratamento e terapias por meio do SUS (sem previsão do mínimo aceitável), respeito na inclusão no mercado de trabalho, na educação, em eventos, na sociedade de um modo geral e, logicamente, mais informação e menos preconceito”. Mais conteúdo a respeito de autismo e o “2 de abril” podem ser obtidas aqui no Portal da Tismoo e no site da Revista Autismo. A ONU também disponibiliza informações sobre a data e seu site (www.un.org/en/events/autismday).

No 2 de abril e principalmente no fim de semana dos dias 4 e 5 de abril, haverá eventos e caminhadas em todo o Brasil para promover a conscientização a respeito do TEA. Em 2019, o maior evento aconteceu em São Paulo (SP), na Avenida Paulista, onde 10 mil pessoas caminharam para chamar a atenção pela causa. Outros destaques de público foram o Rio de Janeiro (RJ), Brasília (DF) e Manaus (AM). Em 2020, as tradicionais caminhadas do Dia Mundial de Conscientização do Autismo de São Paulo e Rio de Janeiro acontecerão no domingo 5 de abril.

Leia também nosso artigo (constantemente atualizado) “O que é autismo ou Transtorno do Espectro do Autismo (TEA)?” e “Quais os sinais e sintomas de autismo?”.

Filme curta-metragem feito por diretor que tem um filho autista é sobre ter uma criança “diferente” dos padrões

Aceitar um diagnóstico de autismo é essencial. Ainda mais se estivermos falando de uma criança, a aceitação por parte da família, principalmente dos pais, faz toda a diferença.

Esse é o mote de um curta-metragem lançado pela Pixar, chamado “Float” (em inglês, flutuador, numa tradução livre), disponível desde novembro de 2019 para os Estados Unidos na plataforma de streaming de vídeo Disney+ (que estreia no Brasil em 2020, mas ainda sem data definida).

A animação, com sete minutos de duração, conta a história de um garoto que tem o poder de flutuar (o que dá nome ao curta). Com a desaprovação da vizinhança e das pessoas ao redor para essa “diferença” da criança, o pai opta por isolar-se e manter o menino em casa. A tentativa é de protegê-lo. Qualquer semelhança com histórias de famílias afetadas pelo autismo ou outras condições de saúde não é mera coincidência. Um curta da Pixar baseado em autismo: ‘Float’

Um curta da Pixar baseado em autismo: 'Float' — TismooAceitação e empatia

Além de aceitação, o curta fala de empatia, principalmente para quem tem filhos neurotípicos e não sabe como lidar com situações envolvendo diversidade, neurodiversidade e condições de saúde limitantes. Num dado momento, diante de tanto olhares julgando seu comportamento o o do filho, o pai se desespera e clama ao garoto, na única fala do filme: “Por que você não pode simplesmente ser normal?!” (quando assisti pela primeira vez, caiu um cisco no meu olho bem nessa hora…).

Melhor parar por aqui para não dar spoiler. O filme é realmente muito lindo e termina com uma dedicatória de Bobby: “Para Alex. Obrigado por me tornar um pai melhor! Dedicado com amor e compreensão a todas as famílias que têm crianças consideradas diferentes”.

“Float” não fala de autismo explicitamente, mas é uma metáfora excelente para qualquer família com uma criança que não seja neurotípica, fora dos “padrões”, diferente, que “não flutua”.

Trailer

Veja, abaixo, o trailer oficial de “Float” e outros curtas do projeto”‘SparkShots”.

Nova lei em SP: cinemas terão sessão adaptada para autistas — Tismoo

Legislação determina que salas de cinema tenham ao menos uma sessão por mês com adaptações para pessoas com autismo

A partir de 15.abril.2020, todos os cinemas da cidade de São Paulo (SP) deverão oferecer pelo menos uma sessão mensal adaptada para pessoas com Transtorno do Espectro do Autismo (TEA), de acordo com lei municipal sancionada dia 14.jan.2020 pelo prefeito da capital paulista: Lei 17.272/20. Nessas sessões, as luzes deverão estar levemente acesas, o som mais baixo e não poderá haver exibição de publicidades, como trailers e propagandas de marcas.

O texto da lei é de autoria do vereador Rinaldi Digilio. Em nota, o vereador disse que o projeto surgiu do relato de uma mãe que não conseguiu levar o filho autista para assistir ao blockbuster “Vingadores: Ultimato”. “Ela dizia que ele queria ver o filme, mas o escuro e o som alto incomodavam muito. As pessoas não compreendiam e reclamavam, então, ela decidiu não o levar”, afirmou. “São Paulo conta com um contingente estimado de quase 250 mil autistas, que não conseguem ir ao cinema, com exceção a projetos especiais. Uma política pública séria vai garantir esse acesso tão necessário para essas pessoas que já são tão excluídas”. Uma parceria do Cine Belas Artes e a ONG Super Mães Especiais levou o vereador para participar de uma sessão adaptada em 2019 e constatou, de perto, a importância da iniciativa. “Foram experiências incríveis, com medidas que exigem pouco investimento, mas que podem mudar vidas e garantir direitos. A política precisa pensar no futuro, e por isso deve pensar nas crianças,” comentou para o site da prefeitura de SP.

Sessão Azul

A ação de adaptar sessões para autistas não é novidade. Isso já acontece em vários cinemas e teatros do Brasil por meio da Sessão Azul, idealizada pelo gerente de projetos Leonardo Bittencourt Cardoso e pelas psicólogas Carolina Salviano de Figueiredo e Bruna Manta. A organização promove sessões adaptadas para autistas em capitais e outras cidades em diversos estados do Brasil (veja a programação).

Segundo a nova lei, as sessões deverão ser identificadas com o símbolo mundial do autista na entrada da sala de exibição. O estabelecimento que descumprir a lei receberá, primeiramente, uma advertência e, no caso de reincidência, uma multa de R$ 3 mil. Uma segunda reincidência resultará em nova multa, de R$ 10 mil, e, se for repetida, poderá levar à interdição do estabelecimento.