Acreditar no potencial de pessoas com autismo é essencial

Certamente você já deve ter assistido nas redes sociais ao vídeo de Kodi Lee se apresentando no programa de TV “America’s Got Talent” (AGT) — se não viu ainda, está logo abaixo (pare de ler, assista e volte aqui). 😁 Kodi, autista e cego, é cantor e pianista — no Brasil temos o Saulo Laucas, que é outro artista espetacular (se você não o conhece, veja um vídeo dele neste link). Com um talento inegável, a apresentação de Kodi, hoje com 22 anos, é surpreendente e deixou todos os jurados e o público boquiabertos. E, logicamente, viralizou internet afora.

AGT é um show de talentos, que está em sua 14ª temporada, exibido na TV nos Estados Unidos pelo canal NBC e é parte da série global inglesa “Britain’s Got Talent”, criado por Simon Cowell. No Brasil, é exibido pelo canal Sony.

Savant

Filho de Tina e Eric Lee, Kodi, segundo seu site, tem síndrome de Savant (semelhante ao que vemos no antigo filme “Rain Man“), e é uma das aproximadamente 25 pessoas no mundo com habilidades excepcionais, com uma memória auditiva fora do comum. “Ele consegue se lembrar em detalhes de músicas que ele ouviu apenas uma vez”, conta a biografia no site dele.

Algumas pessoas com autismo podem ter habilidades extraordinárias, mas são exceção. Por muito tempo a sociedade tinha a imagem (muitos por causa do filme “Rain Man”) de que todos os autistas são como X-Men, com superpoderes. Não são.

Por outro lado, é importante acreditar sempre no potencial das pessoas com autismo. Inclusive em situações em que não conseguimos claramente enxergar todo esse potencial, até porque algumas habilidades podem não ter “aparecido” ainda já que muitos autistas não responde dentro do padrão esperado. Dar a todos oportunidade e ferramentas para se desenvolverem é extremamente necessário, principalmente a pessoas com autismo. Nicolas Brito Sales, fotógrafo, autista e colunista da Revista Autismo, diz uma frase que resume muito desta reflexão: “Eu sou tudo que eu posso ser”, mas ele enfatiza que só o é porque seus pais sempre acreditaram em seu potencial e sempre o incentivaram.

Então, acreditar no potencial de autistas deve ser regra, não exceção.

Vídeo

 

Dos quadrinhos às telas, autistas têm, aos poucos, entrado nas histórias e atrações para crianças

A neurodiversidade tem aparecido entre a produção cultural para crianças, felizmente. Personagens infantis com autismo, ainda que bem modestamente, têm brotado lá e cá. Já falamos aqui de séries para jovens e adultos, como Atypical, da Netflix, The Good Doctor e The A Word — A vida com Joe, na Globoplay. Agora é hora dos pequeninos se divertirem com uma dose de consciência a respeito do Transtorno do Espectro do Autismo (TEA).

Pablo

Uma das mais interessantes, que estreou na Netflix há poucas semanas, é Pablo, uma série de desenho animado da BBC de Londres, em que todos os personagens são autistas. E um detalhe: a dublagem é feita por atores autistas também, tanto no original em inglês quanto em português — aqui no Brasil, a Fox fez a dublagem exibindo a série com exclusividade, em abril de 2018, num de seus canais, o NatGeo Kids— inclusive meu filho participou do teste de dublagem (veja o vídeo) — mas não passou.

Trazendo a visão de uma criança com autismo, Pablo mescla o live action e a animação na proposta de conscientizar pais e filhos, além de promover diversidade, integração e discussão sobre o tema. Cada episódio traz uma situação diferente que causa ansiedade, incerteza ou insegurança a Pablo, como cortar o cabelo ou ir ao supermercado com os pais. Com giz-de-cera e muita criatividade, o garoto vê seus desenhos ganharem vida para os ajudarem a lidar com a situação. A BBC, ao divulgar a série, contou que “Pablo foi criado em colaboração com jovens autistas que forneceram histórias originais e inspiradoras sobre sua própria experiência”.

Personagens infantis com autismo — Pablo — Tismoo

Julia

A Vila Sésamo foi outro “lugar” em que uma autista “apareceu”. Julia, a nova personagem, foi inserida em abril de 2017 no seriado infantil, nos Estados Unidos — onde a série foi criada e chama-se Sesame Street. Ela é uma muppet de 4 anos, ruiva, de olhos verdes, gosta de cantar e pintar e tem ecolalia — sempre repete as frases ditas pelos amigos. No começo, alguns deles ficam chateados por ela nem sempre interagir da maneira como eles estão acostumados (veja o vídeo), mas com o tempo, os colegas percebem que a garotinha só tem um jeito diferente de se expressar.

Durante o desenvolvimento da personagem, pais de pequenos autistas foram ouvidos, assim como médicos e associações que lutam pela causa. “Queremos promover uma melhor compreensão e reduzir o estigma que envolve estas crianças. Estamos moldando a maneira como crianças e adultos veem o autismo, a partir de uma sólida perspectiva: encontrar coisas em comum entre todas as crianças”, declarou Jeanette Betancourt, vice-presidente sênior de impacto social nos EUA da companhia Sesame Workshop, que criou a personagem.

Outra particularidade da série foi a escolha de uma personagem feminina, já que a prevalência de autismo é quatro vezes maior em meninos do que em meninas. O programa também conta com conteúdo exclusivo sobre autismo na internet, em inglês (aqui).

Personagens infantis com autismo — Julia, da Vila Sesamo — Tismoo

Auts

Um projeto bem curioso é Auts, um desenho 2D com uma temporada de 26 episódios, de 90 segundos cada. No site euSouAuts.com dá para baixar o aplicativo (para Android e iOS) que dá acesso à série (aos menos os três primeiros episódios são gratuitos) ou ainda pode-se assistir na plataforma PlayKids. “O desenho nasceu do desejo de uma família em ajudar seu filho Artur, dentro do espectro autista, a se comunicar com o mundo. Dessa experiência particular, Auts se amplia para abordar o tema do respeito à diferença de forma artística e lúdica. Com o protagonista inspirado em Artur, o projeto traz uma criança dentro do espectro autista participando ativamente do processo criativo e produtivo”, segundo o site do projeto.

O pai de Artur é o diretor de animação Renato Barreto, mas não só ele como toda a família participa de Auts, incluindo a mãe, Fernanda Arraz, o irmão Davi e Caneca, o cachorro da família. Todos eles são personagens, dubladores e co-criadores dos episódios. Todo o conjunto é voltado para o desenvolvimento dos aprendizados e aquisições da primeira-infância. Vale dar uma espiada.

Personagens infantis com autismo — Auts — Tismoo

André

Por último, o mais antigo do Brasil: André, o personagem autista da Turma da Mônica. Criado por Mauricio de Sousa em 2002, André tem quatro anos, diferentemente da maioria das personagens, que possui idade entre os sete e oito anos.

Em 2001, o Instituto Mauricio de Sousa foi convidado por uma representante da Universidade de Harvard para desenvolver um projeto com o objetivo de alertar a população sobre os sintomas do Transtorno do Espectro do Autismo. Após meses de estudos nasceu André, um personagem autista para fazer parte da Turma da Mônica.

Com base nesse personagem, o Instituto Mauricio de Sousa criou a revista em quadrinhos “Um Amiguinho Diferente” e seis vinhetas de desenho animado, que alertam pais, familiares e professores para a importância do diagnóstico precoce e esclarecem o comportamento que deve ser adotado com a criança dentro do espectro do autismo. Já foram distribuídos 60 mil exemplares da publicação. .

Em fevereiro de 2019, o Instituto Mauricio de Sousa fez parceria com a Revista Autismo e publica uma página com o André em toda edição da revista, que é gratuita, conscientizando a respeito do TEA. E, em abril último, foram atualizados e relançados seis vídeos com o personagem, alertando sobre os sinais de autismo.

Personagens infantis com autismo — André, Turma da Mônica — Tismoo

Estes quatro personagens infantis com autismo foram alguns exemplos apenas. Você conhece outros? Poste aqui nos comentários.


Vídeos do André

A Revista Autismo voltou! - relançamento - Tismoo

Publicação criada em 2010 continuará gratuita, digital e impressa, distribuída em todo o Brasil

A Revista Autismo, uma publicação brasileira especializada no Transtorno do Espectro do Autismo (TEA), fundada em 23 de abril de 2010, por dois pais de autistas, anunciou, nos primeiros dias de 2019, que voltou à ativa e está sendo relançada nas próximas semanas. No texto do anúncio do retorno, feito nas redes sociais e no site da revista, há um cadastro de email para avisar aos leitores quando a nova edição for publicada, que será impressa e digital — como desde sua criação.

O propósito da publicação é “levar informação de qualidade a respeito de autismo de forma acessível e gratuita” — neste caso, através do site e uma revista em meios eletrônicos e também impressa, disponível em todo o Brasil. A distribuição deles é feita pelos correios (o leitor solicita a edição e paga somente o frete) ou retira a revista em pontos de distribuição em vários estados do país. Uma característica da publicação era utilizar, desde os idos de 2010, QR-Codes (ou código QR, aquele códigos de barras bidimensional, quadrado, que pode ser lido pela câmera dos smartphones, muito em uso nos últimos 2 anos — veja um exemplo aqui) para linkar suas reportagens impressas a conteúdo extra online — como vídeos, papers de estudos científicos, material multimídia e textos aprofundados sobre determinados assuntos — e continuará a usar este recurso, ainda mais aprimorado e difundido agora.

Social startup

Antes, com um modelo de ONG, filantrópico, a publicação era feita apenas com doações e nunca teve uma propaganda vendida. Agora, a Revista Autismo adota um modelo de social startup, uma pequena empresa privada, mas com o principal propósito de gerar um impacto positivo na sociedade — disseminar informação sobre o transtorno —, como eles mesmo anunciaram: “de uma maneira profissional e agora com propagandas, como uma revista comum, sustentável, mas continuando gratuita para ser acessível a todos, principalmente às pessoas com autismo e suas famílias”.

Com mais de 270 mil seguidores no Facebook, a revista já foi bem atuante no passado, figurando, inclusive, entre as mídias oficiais da ONU para o World Autism Awareness Day (Dia Mundial de Conscientização do Autismo), de 2010 a 2013, sendo a única representante da América Latina, além de ter ganhado o Prêmio Orgulho Autista por dois anos consecutivos, 2010/2011 e 2011/2012, do Movimento Orgulho Autista Brasil (Moab) — com direito a receber o troféu no Senado Federal e um discurso incisivo em favor da causa.

Desde 2010

Primeira revista a respeito de autismo em toda a América Latina e também a primeira do planeta em língua portuguesa sobre esta condição de saúde, a Revista Autismo esteve ativa de 2010 a 2013, com edições impressas distribuídas em todo o Brasil e uma pequena parcela em Portugal. As edições anteriores, em arquivo digital (formato PDF), estão todas disponíveis para serem baixadas no site RevistaAutismo.com.br.

Filme Po, drama sobre autismo - Tismoo

Drama norte-americano conta saga de um pai com seu filho autista, após morte da mãe

O Brasil tem estreia de filme com o tema autismo: “Po”, com título original em inglês “A Boy Called Po”, um drama e fantasia de 1h35min. Produção pequena e independente, “Po” foi lançado nos Estados Unidos há mais de um ano — em 1 de setembro de 2017 —, portanto hoje já está disponível online na maioria das plataformas de streaming de lá. Mas estreia nesta quinta (22 de novembro de 2018) no Brasil e na França.

A história conta a saga de uma família que perde a mãe, morta em decorrência de um câncer, ficando apenas o marido, o engenheiro de aviões David (interpretado por Christopher Gorham), com o filho Patrick, que tem o Transtorno do Espectro do Autismo e é mais conhecido pelo apelido “Po”, que intitula o filme — vivido pelo ator Julian Feder —, um garoto de 11 a 12 anos, no 6º ano escolar. Pai e filho percorrem uma jornada difícil numa fase complicada da vida de ambos.

Cartaz do filme Po, drama sobre autismo - TismooVida real

O autismo não é tema do longa por acaso. O diretor do filme, John Asher, tem um filho com autismo, o que certamente motivou o tema deste longa, que é, segundo ele, “uma carta de amor” para o filho. Outra pessoa que tem um filho autista na vida real é o ator que interpretou o pai de Po, Christopher Gorham, que tem 3 filhos — seu mais velho foi diagnosticado com autismo (à época, especificamente com Síndrome de Asperger) —, que argumentou em um dos releases de divulgação: “O filme é reconfortante para muitas famílias que lidam com o diagnóstico. E esclarecedor para aqueles que não convivem, pois conhecerão o nosso cotidiano”, disse ele, que ainda completou: “’Po’ é um dos primeiros filmes a lidar com o autismo de maneira tão direta”, arrematou ele após criticar a falta de produções relacionadas ao tema. “Quanto mais histórias contadas e pessoas com autismo envolvidas nas produções, melhor. Assim, mais indivíduos compreenderão o que significa crescer dessa forma”, finalizou Christopher, que também pode ser visto atuando na série “Insatiable” (Netflix).

Na cena inicial, o pai chora sobre o caixão da esposa. Depois, chega em casa e tem que cuidar de Po. Depois ele perde o emprego, perde a escola do filho, perde o plano de saúde, perde o próprio filho no parque, recebe uma multa, enfrenta problemas com o carro… E Po parece querer se isolar ainda mais. Enfim, as coisas não estavam fáceis para eles. É dramático.

O filme tem críticas boas e ruins, aqui e fora do Brasil, mas recebe nota relativamente baixa de um modo geral — 6,9 no IMDb e 31% no Rotten Tomatoes. E muitas críticas dizem que o filme chega a ser “apelativo”, que usa muito do tom emocional para envolver o espectador, do roteiro às músicas e dramaticidade nos cortes em fades longos. Outros dizem ser muito realista e conscientizador. Quero assistir sem julgar antes.

Produzido e filmado em 2016, em Los Angeles, na Califórnia (EUA), em apenas 18 dias e com pouco mais de US$ 1,5 milhão — o que é considerado um baixo orçamento para filmes longas-metragens —, “Po” é distribuído pela Cineart Filmes e, no Brasil, o filme tem classificação indicativa de 12 anos.

A produção norte-americana ganhou 11 prêmios, como o San Diego International Film Festival e o Satellite Awards — sendo 5 deles para o ator que interpreta Po, Julian Feder, hoje prestes a completar 14 anos (ele nasceu em 2004).

Onde assistir

Segundo o Guia Folha, “Po” está sendo exibido, somente em uma sala, e em único horário, no Shopping Frei Caneca, em São Paulo (SP), além de Porto Alegre (RS) e Salvador (BA) — todos no Espaço Itaú de Cinema.

Assista ao trailer abaixo:

Leia também sobre outros filmes e séries com o tema autismo, como: “Tudo que Quero“, “The Good Doctor” e “Atypical“.

Estudante de Goiás cria podcast feito por autistas - Tismoo

O programa semanal de áudio é gratuito e pode ser ouvido via internet, em computadores ou smartphones

Tiago Abreu é estudante de jornalismo da UFG (Universidade Federal de Goiás), em Goiânia. Diagnosticado com autismo em 2014, ele decidiu criar um podcast (uma espécie de programa de rádio online) feito por pessoas com autismo — e tendo como público-alvo principal os próprios autistas —, o “Introvertendo“, criado em maio de 2018, que pode ser ouvido gratuitamente via internet.

A ideia veio em 2017, após uma reportagem e um radiodocumentário no curso de jornalismo. “Eu já pensava, muito antes, em criar um podcast sobre outros temas com alguns amigos, porque gosto deste tipo de mídia há anos. Em junho de 2017, eu fiz uma reportagem com um dos membros do Introvertendo, e ele, numa das respostas, disse que estávamos fazendo ali, em horas, o que geralmente é dito que autistas não fazem: conversar. Quando eu fui fazer o radiodocumentário, no final do mesmo ano, entrevistando três integrantes do podcast, percebi que dava para executar a ideia. Foram meses para convencer todos (inicialmente, sete pessoas toparam) e começamos a gravar em março de 2018. Em maio, eu lancei o site e o primeiro episódio”, narrou Tiago.

Os episódios são bate-papos entre Tiago e convidados. O projeto se expandiu, e ultrapassou as barreiras da universidade, com site e domínio próprio. Diversos temas são abordados, inclusive bem polêmicos — como no episódio 25, sobre homossexualidade, e o 24, sobre depressão — a outros mais leves — como indicações musicais (17) e autismo na cultura pop (19) —, ou mais técnicos — como o episódio 1, sobre diagnóstico da Síndrome de Asperger.

Aliás, apesar da polêmica a respeito de Hans Asperger ter colaborado com o nazismo, alguns continuam preferindo adotar o termo “aspie” (que vem de Síndrome de Asperger) para se autointitularem. “Particularmente, não sei onde me definir nisso. Eu já vi muitos autistas diagnosticados com Síndrome de Asperger não se identificarem com a noção de que o autismo é um espectro e eu entendo perfeitamente. É muito difícil para um chamado aspie que consiga, por exemplo, se comunicar, ir em festas e adquirir autonomia no dia a dia visualizar e se identificar com um autista não-verbal e que, socialmente, precisa da família para muitas atividades. Eu penso que o estudo sobre Hans Asperger é como um recado categórico para nós de que está na hora dos chamados aspies repensarem o seu espaço quando o assunto é autismo. E acho que o diagnóstico é algo muito sedutor. Pensa: Você é considerado inadequado a vida inteira e, depois de muitos anos, aquele conjunto de sinais ‘explicam’ você… Então, os chamados aspies que ainda não lidam bem com a ideia do fim do diagnóstico de Síndrome de Asperger, pra mim, revelam um apego de identidade. É como se aquele processo de diagnóstico fosse tão importante na vida deles que o rótulo fosse fundamental. É um processo e acho que vamos passar por isso por mais uma década. Já eu, particularmente, não me importo tanto com isso. Tento manter as duas noções no podcast, tanto falando de autismo quanto de Síndrome de Asperger, porque acho que isso ainda não está bem resolvido entre a comunidade autista”, filosofou Tiago, que fala sobre o assunto no episódio 13 do Introvertendo.

De autistas para autistas

podcast Introvertendo feito por autistas - Tismoo“É um podcast onde autistas conversam”, define com precisão o slogan do podcast, que é formado exclusivamente por autistas, 10 pessoas atualmente, porém, com o término do curso, alguns integrantes ficarão fisicamente distantes uns dos outros. “É por isso que eu estou montando uma rede de autistas, em diferentes locais do Brasil, para produzir episódios com convidados. Oficialmente, o podcast é formado pelos oito integrantes originais mais dois novos, de São Paulo e Santa Catarina, que estão colaborando em episódios que serão lançados no resto deste ano. Além disso, iniciamos uma parceria com a Liga dos Autistas, uma organização formada exclusivamente por autistas que participará de alguns dos nossos episódios a partir de 2019″, revelou o podcaster.

O programa é semanal e as gravações são feitas pessoalmente ou remotas, editadas e publicadas pelos próprios membros do podcast. “Dialogamos sobre aspectos da nossa vida cotidiana, sobre a sociedade, questões evidentemente irrelevantes, mas sempre na intenção de ter um papo natural e orgânico”, definem eles no seu site.

“Acreditamos que sermos autistas e falarmos de nós para o mundo seja bastante relevante para que as pessoas conheçam um pouco deste universo complexo e multifacetado chamado autismo. Ao mesmo tempo, precisamos reafirmar que não temos a intenção de falar pela ‘classe’ de autistas como um todo. Mas a partir dos nossos episódios vocês conhecerão um pouco do que somos”, completam.

O site é alimentado por Tiago e os demais participantes todos diagnosticadas com autismo. Os integrantes são em sua maioria estudantes da UFG e de diversos cursos, de Medicina a Artes Cênicas, o que garante a diversidade de temas dos episódios, mas aos poucos a rede está crescendo, inclusive com a inclusão recente de dois ouvintes que se tornaram integrantes.

Autismo nos podcasts

Autismo Brasil Podcast, ligado à Abraça (Associação BRAsileira pela aÇão por direitos das pessoas Autistas) e à instituição Casa da Esperança, em Fortaleza (CE), foi o primeiro podcast brasileiro exclusivamente a respeito de autismo, iniciado em abril de 2014, mas está inativo desde outubro de 2016. Liderado pelo psicólogo Alexandre Costa e Silva, o podcast teve 21 episódios e continua disponível online para ser ouvido.

Outros podcasts famosos no Brasil (dedicados a outros assuntos), abordaram o tema “autismo” em algum episódio, como: o Cocatech, de tecnologia (episódio especial de 2 de abril de 2012); o Mamilos (118); o SciCast, sobre ciência (episódio 247, de abril de 2018); o Entre Fraldas, sobre criação de filhos (número 110, de agosto de 2018, sobre o app Matraquinha); ou o podcast da Fapesp (episódio de março de 2018, quando entrevistou a neurocientista Patrícia Beltrão Braga, uma das fundadoras da Tismoo).

Mas feito por autistas, o Introvertendo é o único podcast do mundo atualmente, segundo Tiago Abreu: “Não existiam podcasts de autistas no Brasil. Nós só encontramos um estrangeiro, chamado “AspieCast“, mas que produz muito raramente [o último episódio foi em 6 de maio de 2018 — o anterior, em outubro de 2017] e geralmente sem mais pessoas. Então, no sentido técnico do que é um podcast (ter várias pessoas participando e periodicidade regular), o Introvertendo é o primeiro podcast de autistas do mundo. Isso é legal de dizer, embora seja um pouco assustador (risos)”, contou.

Audiência crescente

No início, os colegas de Tiago diziam a ele que ninguém ia ouvir o Introvertendo, mas ele conta que tinha consciência de que a audiência seria normalmente baixa. Podcasts não tem a mesma exposição que um canal no YouTube, mas quem ouve podcasts sabe que, apesar de poucos ouvintes, a audiência é fiel e tem enviado diversas mensagens aos podcasters. “Foi isso o que mais me interessou ao criar o podcast. Mas, por incrível que pareça, o resultado foi além do que eu esperava em menos de seis meses de lançamento. Temos tido mais downloads ainda nas últimas semanas, depois que dei uma palestra na UFG sobre o podcast. E as pessoas já deixam claro alguns de seus episódios favoritos (o 1, o 15 e o 22 são alguns exemplos). Mas o mais legal dos emails e recados que recebemos, pra mim, é a identificação. É o fato de falarmos e, de certa forma, promover a sensação de que as pessoas não estão sozinhas, que existem outras que vivem problemas ou situações engraçadas parecidas”, disse ele, que ainda completou: “Ultimamente, tem sido bom ler algumas mensagens de mães tentando entender seus filhos”.

Os próximos episódios devem tratar de temas como perfeccionismo, o rótulo do autismo, festas de fim de ano e até um sobre David Bowie. “Tentamos ao máximo pegar temas de autismo, mas também falar de outras de coisas de vez em quando”, completou.

Como ouvir

É possível ouvir os episódios por aplicativos para podcasts, como o “Google Podcasts”, para Android, o “Podcast para iPhone” ou “Overcast”, da Apple, o “Podcasts” do Windows Phone, ou ainda direto pelo site. Nos aplicativos, é só buscar por “Introvertendo”.

O site do podcast é introvertendo.com.br.

Filme "Tudo que Quero" com menina autista fã de Star Trek - Tismoo

Com boa atuação da protagonista, filme mostra garota com autismo que foge de casa em busca de seu sonho

Autista e apaixonada pelo universo de “Star Trek“, Wendy é a protagonista de “Tudo que Quero”, filme lançado em abril de 2018 (mês de conscientização do autismo) em poucos cinemas no Brasil — nos EUA, em outubro de 2017 — e agora disponível em vários serviços de streaming para assistir online. No melhor estilo Atypical, a produção mistura drama e momentos mais leves de comédia para falar da realidade de pessoas com autismo com boa medida de naturalidade.

Com um grande grau de independência, a jovem protagonista (interpretada brilhantemente por Dakota Fanning, atriz hoje com 24 anos) vive num lar especial para pessoas com autismo, onde passa os dias desempenhando funções básicas em uma rotina constante para aprendizado social. Seu hobby predileto? Escrever histórias de fantasia. Ela, então, descobre que há um concurso de roteiros sobre sua série preferida, quando começa a escrever uma obra de mais de 400 páginas com seus personagens favoritos (Kirk e Spock) e passa a obstinadamente perseguir este seu sonho, até mesmo sair totalmente de sua estrita rotina, fugindo de casa rumo a Los Angeles a fim de conseguir entregar o roteiro e participar do tal concurso. O filme, de ritmo um pouco lento, tem o título original em inglês Please, Stand By e estreou nos cinemas brasileiros em pouquíssimas salas, por ser indie (uma produção independente) — eu assisti no cinema Caixa Belas Artes da Consolação, em São Paulo, que costuma exibir uma programação alternativa.

Cartaz capa do filme "Tudo que Quero", fã de Star Trek que tem autismo - TismooStar Trek

Se você não sabe nada sobre a “mitologia” de Star Trek (a série de ficção científica lançada em 1966 que, no Brasil, recebeu o nome de “Jornada nas Estrelas” e tem uma legião de aficionados mundo afora), vai perder várias referências — principalmente a sequência final quando um personagem (Patton Oswalt) interage com Wendy da forma mais nerd possível (não vou dar spoiler e estragar a cena, né!?). Mas, a delicada interpretação da jovem com autismo é muito boa (o que salva o filme!) e reflete a realidade de muitos autistas (lembrando que o espectro do autismo é enorme e você nunca verá um autista igual a outro! — muito menos uma retratação 100% fiel em 1h33min de filme). O fato de ter dificuldade em olhar nos olhos, na socialização, comunicação de certa forma limitada e estar muito presa a rotinas, mostra com certo realismo como é o dia a dia de uma boa parcela das pessoas com Transtorno do Espectro do Autismo (TEA), principalmente adultos que conseguem autonomia suficiente para trabalhar.

O elenco de apoio conta com a presença ilustre da indicada ao Oscar Toni Collette (com o filme “O Sexto Sentido”), vivendo a administradora da clínica e terapeuta de Wendy, da britânica Alice Eve (que coincidentemente esteve em “Star Trek: Além da Escuridão”) no papel da irmã mais velha da garota.

Muito interessante também ver uma personagem feminina com autismo, já que o padrão são homens autistas, com infinitos exemplos a citar, de Raymond, de Rain Man, a Sam, de Atypical. Dirigido pelo polonês Ben Lewin (indicado ao Oscar por “As Sessões”, em 2012), a nota de “Tudo que Quero” no IMDB é 6.7 e no Rotten Tomatoes, 65%.

Onde assistir

Via streaming ou aluguel avulso em TV por assinatura, o filme pode ser assistido no: Google PlayLooke, Now, Vivo PlayYoutube Movies ou Apple iTunes — em alguns serviços o longa está com o título alternativo “Um Novo Caminho“.

Leia mais sobre a atriz Dakota Fanning, no site Omelete. Veja também a crítica sobre o filme no site Poltrona Nerd.

Assista ao trailer abaixo:

[atualizado em 05/11/2018 com novos serviços de streaming e título alternativo]

Atypical, serei sobre autismo confirma terceira temporada na Netflix - Tismoo

A série que retrata a vida de um adolescente com autismo terá mais dez episódios

De acordo com informações do site SpoilerTV, a Netflix confirmou a terceira temporada da série Atypical, que conta a história de Sam, um garoto com autismo, que vive as descobertas e o amadurecimento de seus 18 anos, trabalhando e estudando, na busca por ser cada vez mais independente.

A série, uma produção original da Netflix, terá mais dez episódios de meia hora cada na terceira temporada, que deverá estrear em 2019 — ainda sem uma data exata definida.

O protagonista, Sam, é interpretado pelo ator Keir Gilchrist, que recebeu muitos elogios em sua atuação como um adolescente autista, principalmente na segunda temporada.

Consultoria sobre autismo

Robia Rashid, autora da história, teve a consultoria de Michelle Dean a respeito do Transtorno do Espectro do Autismo (TEA) — que é professora da Universidade do Estado da Califórnia e trabalhou no centro de tratamento e pesquisa sobre autismo da Universidade da Califórnia em Los Angeles (UCLA), ambos nos EUA. Além do autismo, a série também aborda outros temas da adolescência, como inimizades, a iniciação ao sexo, a entrada na faculdade e adultério.

O elenco da nova temporada ainda não foi confirmado.

Leia mais sobre a série — e o porquê do seu nome — em nosso artigo a respeito da segunda temporada de Atypical.

Livros infantis sobre autismo - Tismoo - crianças

Literatura consegue, de forma lúdica e suave, discutir questões complexas, como preconceito

Escrever a respeito do Transtorno do Espectro do Autismo (TEA) não é tarefa fácil. Não só pela complexidade desta condição de saúde, mas também pelo emaranhado de situações ao redor do autismo. Explicar sobre TEA para criança, então, é tarefa hercúlea, ainda mais se for abordar questões como preconceito e tolerância.

Mas há gente que se dispôs a isso. A escrever de maneira suave e de fácil compreensão, para atingir esse público tão importante: as crianças. Nosso futuro. E semear um mundo com mais tolerância e menos preconceito. Em todos os livros há link para onde é possível comprá-los online.

Um livro diferente

Um livro diferente

Com 28 páginas, “Um livro diferente“, de Anita Brito, é um material paradidático que trabalha a inclusão desde os primeiros anos escolares. Toda em rimas, a historinha ajuda a criança a entender que todos somos diferentes. O material vem com uma parte de apoio aos professores e aos pais. É um livro que traz conscientização a todos sobre a importância da inclusão. A principal mensagem da obra é: “Ser diferente é normal, e ser normal é ser feliz!”.

Meu amigo autista

Pode uma criança de nove anos escrever sobre autismo? Pode! Maria Eduarda Loureiro Grund o fez! Escreveu um livro sobre sua amizade com João Pedro, seu novo colega de classe, um menino com autismo. Em “Meu amigo autista“, a criança poderá despertar um interesse por esses amigos especiais e verá que suas limitações não os impedem de ser e ter amigos legais. Maria Eduarda, a autora, esteve inclusive no programa Encontro com Fátima Bernardes (Globo) para falar sobre seu livro e sua amizade.

Meu amigo autista

O menino só

O livro “O menino só”, de Andrea Viviana Taubman, é um bom exemplo na literatura infantil. Com 36 páginas, publicado pela Escrita Fina, em 2015, a autora fala que há muitos meninos sós no mundo. “‘O menino só’ fala de forma poética sobre o complexo e pouco conhecido mundo das crianças autistas, que não apresentam estigmas físicos visíveis, mas têm necessidades muito específicas para poder se desenvolver. Os meninos e as meninas sós podem apresentar comportamentos similares, mas cada um deles possui um universo emocional e psíquico próprio”, escreveu a autora. As ilustrações são de Anielizabeth.

O livro fez parte do Kit Leiturinha em 2017. A coordenadora da Equipe de Curadoria da Leiturinha, Cynthia Spaggiari, conversou com Andrea sobre a obra — tem um áudio com esse papo no Blog da Leiturinha. “A sensibilidade das palavras de Andrea Taubman tecem a história de um menino em seu próprio mundo de introspecção e transformação”, escreveu Carolina Lara para o blog.

Meu amigo faz iiiii

Meu amigo faz iiiii

Em seu livro infantil, a jornalista Andréa Werner conta a história de dois coleguinhas de escola. Bia, a narradora, percebe que seu colega Nil tem alguns comportamentos diferentes. Orientada pela professora, começa a observá-lo para tentar compreendê-lo. Uma ótima forma de ensinar as crianças a encararem a diversidade como algo natural e positivo! Ilustrado por Kelly Vaneli, o livro “Meu amigo faz iiiii” está à venda no site da autora.

Andréa em nenhum momento usa a palavra ‘autismo’ na história. “O livro é voltado para as crianças e para elas isso não importa. O interessante é entenderem que, mesmo tendo amigos diferentes, dá para brincar, aprender e se divertir”, explica a escritora.

A escova de dentes azul

A escova de dentes azul

Não tem como não citar nesta seleção o livro de Marcos Mion, apresentador do programa Legendários, da TV Record, que tem um filho com autismo. “Esse é um livro que escrevi com o objetivo de ajudar meu filho a viver num mundo mais consciente, mais tolerante, mais respeitador e menos desinformado e menos preconceituoso”, escreveu Mion a respeito de seu livro infantil.

A escova de dentes azul” é uma referência a um episódio que aconteceu num Natal da família, quando Romeo pediu um presente de Natal para o pai e ele escreveu o texto “Lições que aprendi com meu filho autista”, que publicou na sua página no Facebook. A quarta capa do livro conta o mote da história: “O Natal está chegando! E com ele o momento de escrever a cartinha para o Papai Noel. O que será que as crianças vão pedir de presente? Donatella tinha uma lista organizada com vários itens, e Stefano queria os brinquedos mais modernos. Romeo, por sua vez, queria algo muito simples, o que surpreendeu toda a família”.

E se uma criança fizesse um review sobre o livro para outras crianças? Então, foi o que fez a Alyssa Tomiyama, num vídeo de 3 minutos e meio em seu canal no Youtube (imperdível!) “Alyssa e a magia da leitura“. É de explodir o “fofurômetro”! Veja aqui abaixo.

A onda azul

A onda azul

Maira Alves e Adriano Machado são os pais de um menino com autismo, Bernardo. Junto com a amiga e escritora infantil Marismar Borém, tiveram a ideia: “Que tal escrever um livro infantil sobre uma criança autista?”. A seis mãos, decidiram tratar de forma leve uma questão complexa que ainda precisa ser desvendada. Então nasceu “A onda azul – Azul da cor do mar”, livro infantil publicado pela Editora Cora, em parceria com a Associação Educore.

Segundo Adriano contou para o site Canguru, o livro elucida o tema e tem um importante papel social. “Ele pode atrair a atenção para o autismo, a fim de que tanto a sociedade quanto os governos compreendam melhor os desafios do transtorno e viabilizem leis e projetos que possam subsidiar os autistas e suas famílias nos complexos e caros tratamentos de cunho multidisciplinar”, contou entusiasmado.

É um livro que narra, através de relatos de vida e com linguagem simples, como os sintomas do TEA podem ser observados para o diagnóstico precoce do problema.

Para todos os gostos

E não para por aqui! Há várias outras opções de livros infantis a respeito de autismo. Seguem mais algumas delas.

Cadê a criança que estava aqui?Cadê a criança que estava aqui? — A história, escrita por Tania Dourado, gira em torno de Pablo, um belo menino autista, e conta suas peripécias e idiossincrasias. É um livro infantil, mas pode ajudar crianças de todas as idades a compreender que os autistas não vivem em um mundo paralelo. Eles estão aqui e ajudam a tornar o nosso mundo mais colorido e melhor.

A jornada de OlíviaA jornada de Olívia — escrita por Eliane Gomes e lançada pela editora Novo Século — dentro do selo Novo Século Criança —, “A Jornada de Olívia – a menina que não se fechou para o mundo” tem ilustrações de Bruna Assis Brasil. A inspiração da obra é Olivia, sobrinha e afilhada da autora, que foi diagnosticada com dificuldade relacional na primeira infância, muitas vezes confundida com traços autistas. “Muitas famílias se fecham em um diagnóstico errôneo e a criança acaba tendo um único destino: ser objeto de técnicas e remédios. A história de Olívia mostra como é possível uma criança pequena surpreender seus pais e os que nela acreditam”, explica a autora.

Enquanto isso… no mundo do autismo — Na história de Tito, mostram-se características de uma realidade que é mais comum do que se imagina, num livro criado para que crianças com TEA possam ser mais compreendidas. Leitura destinada a todas as crianças, aos seus pais e professores. Com texto de Renata Julianelli, ilustrações de Nana Sievers, o livro foi publicado pela editora Memnon, com supervisão técnica e idealização do neuropediatra José Salomão Schwartzman.

Na minha escola todo mundo é igualNa minha escola todo mundo é igual — Rossana Ramos cita o autismo nas suas rimas, mas o livro fala da diversidade de um modo geral, com belas ilustrações de Priscila Sanson. Uma escola em que todos os alunos convivem em harmonia, procurando superar as diferenças e dificuldades, inclusive físicas, faz com que todos sejam, realmente, iguais.

Especial mente azulEspecial mente azul — Comercializado em versão digital e em papel, este livro paradidático é indicado para professores, pais, crianças e adultos que querem interagir e aprender com pessoas com autismo. Escrito por Viviani Guimarães, a obra tem ilustrações e capa de Keyle Barbosa de Menezes.

Tem sugestão para todos os gostos.

Em artigos anteriores, já destacamos escritores brasileiros que escreveram sobre TEA e a presença do autismo na arte e cultura, além de pais que expressaram seu amor em fotos, livro e vídeo. Vale (re)ler!

 

Cena da série Atypical da Netflix - segunda temporada - trata a respeito de um adolescente com autismo - Tismoo

Série, que retrata adolescente com autismo, é transmitida pelo Netflix e terá lançamento mundial

Os pinguins voltaram! Sim, Atypical estreia sua segunda temporada continuando a contar a história de Sam, um garoto com autismo, que trabalha e estuda, vivendo a efervescência e o amadurecimento de seus 18 anos, tentando ser cada vez mais independente. A série, produção original da Netflix, terá dez episódios — dois a mais que a temporada anterior — e estará disponível na plataforma de streaming a partir de 7 de setembro de 2018, a estreia mundial. Ah, o porquê dos pinguins? O protagonista é aficcionado pela Antártica e, mais especificamente, pelos pinguins que vivem naquele continente, principalmente o pinguim-imperador — os machos desta espécie são um dos poucos animais que passam o inverno na “terra de gelo”.

Sam, interpretado pelo ator Keir Gilchrist, além de buscar mais independência e autoconhecimento, também começa a se ver envolvido na sua primeira história de amor, enquanto vários problemas ocorrem em torno do dia a dia da família. O sucesso da temporada inicial garantiu a renovação junto à Netflix.

Na primeira temporada, Sam está em busca de uma namorada e pede conselhos a sua psicóloga Júlia. Cursando o ensino médio, ele não tem muitas amizades, além de Zahid, seu amigo de trabalho — um galanteador muito divertido — e sua irmã, corredora e um tanto protetora.

Em 2017, Atypical — que tem episódios de 29 a 38 minutos cada — foi a décima série mais assistida pelos brasileiros em sessões curtas (de menos de 2 horas por dia), segundo a retrospectiva da Netflix. E foi a oitava em recomendação para se assistir com a família. No site especializado em cinema IMDB, a série está com nota 8,3. No Rotten Tomatoes, a nota é 7,8 (ou 78%) para a primeira temporada. Atypical foi indicada ao prêmio Satellite Awards em 2017, na categoria melhor série de TV, comédia ou musical.

Quem não é atípico?

Atípico, em inglês, é a palavra que dá nome a esta série de comédia — cujo tema central é: o que significa ser uma pessoa normal, típica? — e tenta mostrar o quão similar é uma família com alguém que tem Transtorno do Espectro do Autismo (TEA); e, ao mesmo tempo, o quão diferente — atípica — cada família é, com suas particularidades, sua história de vida, seus anseios, suas falhas e sua humanidade. Não é à toa que o slogan de Atypical é “Every family is atypical”— em tradução literal para o português: “Toda família é atípica”.

A história foi escrita por Robia Rashid, que teve a consultoria de Michelle Dean a respeito do Transtorno do Espectro do Autismo — ela é professora da Universidade do Estado da Califórnia e trabalhou no centro de tratamento e pesquisa sobre autismo da Universidade da Califórnia em Los Angeles (UCLA), ambos nos EUA. A série aborda também outros temas da adolescência, como a iniciação ao sexo, a entrada na faculdade, inimizades e adultério.

Gilchrist disse, em entrevista ao site Vulture (da revista New Yorker), que após Rashid escrever a série, eles conversaram bastante, além dele ter feito muita pesquisa, assistiu a filmes e leu livros sobre autismo. Ainda nas gravações desta segunda temporada, o protagonista falou a respeito dos novos desafios que Sam deverá enfrentar: “Na primeira temporada vimos como Sam se adaptava ao novo universo do amor e da independência. Agora, ele buscará novos desafios para sua vida, deixando cada vez mais a dependência de sua irmã na escola, e de sua família”. Segundo o ator, para melhorar sua experiência com o personagem para a segunda temporada, ele começou a interagir mais com amigos autistas. “Por alguma razão – eu não acho que foi proposital ou algo assim – eu simplesmente tenho muitos amigos com irmãos ou amigos crescendo ou até mesmo vizinhos… [que] têm autismo”, contou ele.

Em entrevista ao canal online Autism Live, a criadora da série Robia Rashid afirmou que que já tem a história inclusive para a terceira temporada: “Acho esse universo muito amplo, e a possibilidade de apresentarmos novas fases da vida de Sam, como a faculdade, serão muito importantes para a série”.

Nesta segunda temporada, os pais de Sam — Elsa e Doug — encaram os desdobramentos de uma crise no casamento. Caisey tenta se adaptar à nova escola e fazer novos amigos. Sam se prepara para a fase pós-formatura.

Ficha técnica

Além do protagonista, Gilchrist, o elenco — confirmado para a segunda temporada — ainda tem Jennifer Jason Leigh (mãe de Sam, Elsa), Michael Rapaport (pai, Doug), Brigette Lundy-Paine (Caisey, a irmã) e Amy Okuda (Julia, a terapeuta de Sam). A série é co-produzida pela Sony Pictures Television e tem história e roteiro de Robia Rashid (que escreveu episódios de “How I Met Your Mother”, “Will & Grace” e “The Goldbergs” antes de criar “Atypical”). Os produtores executivos são: Robia Rashid, Seth GordonMary Rohlich, juntamente com Jennifer Jason Leigh.

Veja o trailer da segunda temporada.

Com o Dia Mundial de Conscientização do Autismo se aproximando, selecionamos alguns dos principais eventos que estão envolvendo a nossa equipe.

O Dia Mundial de Conscientização do Autismo é celebrado em 02/04 e nós não poderíamos deixar essa data passar em branco. Por isso, selecionamos alguns eventos que aconteceram e vão acontecer sobre o tema em diferentes lugares do país. Nossa equipe marca presença em alguns deles, sempre contribuindo nos diálogos sobre o Transtorno do Espectro do Autismo (TEA). Acompanhe.

Eventos de março

O mês foi super movimentado. Nos dias 22 e 23 aconteceu em Ribeirão Preto (SP) o VII Seminário sobre Rotas Tecnológicas da Biotecnologia. Na tarde da quinta-feira, dia 22, nossa Diretora Executiva, Drª Graciela Pignatari, fez uma palestra apresentando a Tismoo e seu trabalho na área de biotecnologia.

Nos dias 23 e 24 a cidade de São Paulo recebeu o I Congresso Brasileiro de Neurogenética, um evento que contou com a visita de quase 600 médicos, entre neurologistas, neuropediatras, geneticistas e outros profissionais da área de saúde. A Tismoo marcou presença com um stand, onde a equipe apresentou as soluções de genômica que oferecemos através da plataforma exclusiva de bioinformática GENIOO, especialmente construída para análises genéticas ligadas ao TEA, e nosso exclusivo processo de curadoria genética. Recebemos a visita de muitos médicos, a quem agradecemos pelo interesse em nosso trabalho. Confira algumas fotos:

Na segunda-feira, dia 26, começamos a semana com uma palestra no Colégio Piaget, em São Paulo, onde a Drª Graciela Pignatari falou sobre TEA, inclusão e sobre a Tismoo para professores e funcionários da escola. Esse convite em particular nos alegrou muito, pois reforça a importância de discutirmos o tema fora dos consultórios, clínicas e espaços acadêmicos, envolvendo também a comunidade escolar e a sociedade como um todo no debate sobre o TEA.

No dia 28 tivemos outra palestra da Drª Graciela Pignatari, dessa vez no lançamento oficial do Movimento UniTEA e pré-lançamento do 1º Seminário sobre Autismo da Serra Gaúcha. No evento, realizado na cidade de Caxias do Sul (RS), nossa Diretora Executiva falou sobre autismo, genética e modelagem de doenças. Aproveitando o assunto, deixamos uma dica para você: o seminário acontecerá no dia 12/09 e vai ter uma palestra do Dr. Alysson Muotri. As inscrições já estão abertas e podem ser feitas aqui.

Próximos eventos

No dia 02, Dia Mundial da Conscientização do Autismo, a Associação de Amigos do Autista — AMA vai promover em sua sede, no bairro Cambuci em São Paulo, um evento para apresentar o projeto da nova unidade Vila Ré. Localizado na zona leste da cidade, esse novo local vai atender gratuitamente pessoas autistas e suas famílias. Durante o evento da AMA haverão muitas atrações, como palestras e apresentações artísticas. Para saber mais entre em contato com a associação pelo telefone (11) 3376–4400 ou através do site.

Nos dias 04 e 05, quarta e quinta-feira, o Rio de Janeiro abre as portas do Museu do Amanhã para o I Seminário Rio TEAMA. Nosso Chief Medical Officer, Dr. Carlos Gadia, vai fazer duas palestras no dia 04: uma às 9h15, sobre diagnóstico do TEA (com 15 minutos de perguntas no final), e outra às 11h15, quando ele vai falar dos mitos e verdades sobre tratamento e medicação. Já na quinta-feira, dia 05, a palestra dele será às 15h30, sobre a genética do TEA. Nos dois dias, das 17h às 18h, Dr. Gadia também participará da seção “Pergunte ao especialista”, respondendo junto com outros profissionais as dúvidas dos participantes do seminário. As inscrições são gratuitas e podem ser feitas no site do museu.

Gostou das nossas dicas? Sabe de algum outro evento sobre autismo que vai acontecer no Brasil nas próximas semanas? Compartilhe com a gente nos comentários!