Netflix irá disponibilizar, no dia 1º de novembro, a nova temporada da série sobre Sam, um garoto com autismo

Sabe quem chega logo após a noite de halloween? Atypical, com Sam e seus pinguins! A nova temporada (terceira já) terá dez episódios e dois novos atores: Sara Gilbert (The Conners) como professora de ética do protagonista e Eric McCormack (Will & Grace), como professor de artes do garoto. Aliás, uma imagem divulgada de Sam na faculdade já dá um pequeno spoiler do que virá dia 1º de novembro de 2019.

A série, uma produção original da Netflix, gira em torno de Sam —  interpretado por Keir Gilchris, muito elogiado em sua atuação, principalmente na segunda temporada —, um garoto com autismo que, além de trabalhar e estudar, vive a efervescência e o amadurecimento de seus 18 anos, buscando cada vez mais ser independente. As duas primeiras temporadas estão disponíveis.

Autismo e outros temas

O elenco conta com ainda com Jennifer Jason Leigh, Michael Rapaport e Brigette Lundy-Paine. Os novos episódios de Atypical têm roteiro de Robia Rashid, que escreve para a comédia The Goldbergs. Além do autismo, a série também aborda outros temas da adolescência, como inimizades, a iniciação ao sexo, a entrada na faculdade e adultério. Saiba mais no nosso artigo “Netflix confirma terceira temporada de Atypical“.

Veja o vídeo dos atores anunciando a nova temporada, que estará disponível no próximo dia 1º de novembro de 2019, na Netflix.


Atypical estreia 3ª temporada em outubro — Tismoo

Atores da série Atypical em momento de descontração no set de filmagens.

Com coprodução do brasileiro Rodrigo Teixeira, filme sobre astronauta com autismo leve terá lançamento mundial dia 26.set.2019

Brad Pitt vive autista no cinema em ‘Ad Astra' — Tismoo

Carta oficial do filme “Ad Astra”

Um engenheiro espacial com autismo de alto funcionamento, um grau leve dentro do espectro. Este é o perfil do protagonista, vivido por Brad Pitt no filme “Ad Astra”, ficção científica que terá lançamento mundial no próximo dia 26 de setembro (2019). A coprodução é da RT Features, empresa cinematográfica comandada pelo brasileiro Rodrigo Teixeira, que financiou o projeto desde o desenvolvimento do roteiro, numa parceria entre Brasil e Estados Unidos.

O engenheiro autista — chamado Roy McBride — embarca na maior jornada de sua vida: uma viagem ao espaço para cruzar a galáxia e tentar descobrir o que aconteceu com seu pai, um astronauta que se perdeu vinte anos atrás no caminho para Netuno para encontrar sinais de vida inteligente. Ao mesmo tempo, o personagem de Brad Pitt terá de evitar uma catástrofe que acabe com a vida humana após um evento apocalíptico inexplicável que ameaça a Terra — como a maioria dos filmes que se passam no espaço.

“Ad Astra”, que significa “para as estrelas” em latim, foi escrito por Gray e Ethan Gross. O elenco tem ainda: Kimmy Shields, Donald Sutherland, Ruth Negga, Jamie Kennedy e John Ortiz. Sem a fama que tinha desde o filme “Armagedom” (1998) até o início dos anos 2000, Liv Tyler, filha do roqueiro Steven Tyler, do Aerosmith, também está no elenco.

Muito elogiado pela crítica, a direção é de James Gray (de “Z – A Cidade Perdida”, de 2016). Segundo os críticos mais entusiasmados, o filme é um “2001 – Uma Odisséia no Espaço” da nova era.

Brasileiro

“Eu nunca poderia ter imaginado fazer algo com Brad Pitt. O filme é maravilhoso e ele fez um trabalho incrível, que estará nos cinemas agora em setembro”, disse o produtor brasileiro Rodrigo Teixeira para o UOL. Com orçamento de US$ 95 milhões, a película é descrita pelo produtor como “uma mistura entre ‘2001 — Uma Odisseia no Espaço’ e ‘Apocalipse Now’ com DNA brasileiro”, garante ele. Outro filme produzido pela empresa paulista de Rodrigo é “Wasp Network” com Wagner Moura e Penélope Cruz, uma coprodução entre Brasil, França e Espanha, baseado em livro do também brasileiro Fernando Morais.

“Ad Astra” estreia nos cinemas, inclusive no Brasil, dia 26 de setembro de 2019. O filme tem nota 7,3 no site IMDB; e 81% no Rotten Tomatoes.

Assista ao trailer oficial abaixo:

Capa de setembro tem o desenhista de mãos dadas com André, personagem autista da Turma da Mônica

Revista Autismo de setembro de 2019 — TismooDestacando a inclusão e o acolhimento da Turma da Mônica — não só dentro das histórias, mas também dentro dos Estúdios da Mauricio de Sousa Produções (MSP) —, a edição deste trimestre (set/out/nov.2019) da Revista Autismo traz uma capa desenhada pelo próprio Mauricio de Sousa.

A reportagem principal da edição, lançada dia 1º de setembro último, mostra um dia especial para fãs autistas, que foram convidados a conhecer os Estúdios da MSP em São Paulo (SP). Segundo a reportagem, “a visita e foi incrível” e pode-se ver “por dentro e nos bastidores, o quão inclusivo eles são, assim como as histórias que publicam”. Um ambiente que não tem valores que aparecem só no marketing da empresa.

André e a Turma da Mônica

Outro destaque é a história em quadrinhos do André (veja abaixo), que aparece, desde fevereiro, quando o Instituto Mauricio de Sousa fez parceria com a Revista Autismo, em histórias exclusivas em toda edição da publicação. No número de setembro, André estrela o que o editor chamou de “a mais inclusiva de todas histórias”. Com seu “sincericídio”, ele deixa a Mônica muito brava. E como criança tem que ser criança — independente de ter autismo ou não —, ela sai correndo atrás do André, furiosa, girando seu famoso coelhinho. “Claro que ela não vai bater no André, mas é importante o autismo aparecer nas histórias de forma natural, como acontece no dia a dia com meu filho, por exemplo. Não apenas nas importantes cartilhas educativas ou informativos sobre o transtorno.

A revista, que é totalmente gratuita, pode ser retirada numa das mais de 70 cidades em que há a distribuição, em todos os estados do Brasil, ou é possível baixar em arquivo digital com 100% do conteúdo no site RevistaAutismo.com.br. Outra forma de conseguir a revista impressa é fazer assinatura (em Assine.RevistaAutismo.com.br) e recebê-la pelo correio, pagando-se apenas o frete. Todas as informações estão no site ou nas redes sociais da publicação.

André e a Turma da Mônica na Revista Autismo — Tismoo

The Good Doctor - O bom doutor - série sobre autismo na Globoplay - Tismoo

Primeira temporada da série sobre um médico autista será transmitida na TV aberta, toda quinta à noite, a partir de 29/agosto

A partir de 29 de agosto, a série “The Good Doctor” chegará, finalmente, à TV aberta, na Globo, nas noites de quinta-feira, após o The Voice Brasil. A série conta a história de um jovem médico que tem autismo, Shaun Murphy (interpretado por Freddie Highmore), que começa a trabalhar em um grande e famoso hospital, o St. Bonaventure Hospital, em San Jose, na Califórnia (EUA). A cada semana, um episódio da primeira temporada será exibido, até 26 dezembro — serão 18 semanas.

Primeiro título “externo” (não produzido pela Globo) adquirido pelo Globoplay, a série — traduzida como o “O Bom Doutor” — é o título mais visto do serviço de streaming pago da emissora. Em junho último, a estreia da primeira temporada do médico autista no canal GNT elevou a audiência do canal pago em 200%.

Na Goboplay é possível assistir às duas temporadas completas da série. No enredo, o jovem residente de medicina tem um grande talento para fazer diagnósticos — com memória fotográfica e uma lógica de pensar diferente dos demais —, o que justifica sua presença num grande hospital. Vale lembrar que a história é baseada na premiada série sul-coreana de 2013, de nome quase igual: “Good Doctor”.

Em agosto de 2018, a Globo exibiu o The Good Doctor no Tela Quente Especial, que foi responsável pela maior audiência da sessão de filmes em sete anos. Na Grande São Paulo, alcançou 29,5 pontos de média. No Rio, 32 pontos.

Veja também nossos artigos sobre as duas temporadas: Globo estreia no Brasil a série The Good Doctor, sobre médico autista e Série The Good Doctor estreia 2ª temporada no Brasil.

Acreditar no potencial de pessoas com autismo é essencial

Certamente você já deve ter assistido nas redes sociais ao vídeo de Kodi Lee se apresentando no programa de TV “America’s Got Talent” (AGT) — se não viu ainda, está logo abaixo (pare de ler, assista e volte aqui). 😁 Kodi, autista e cego, é cantor e pianista — no Brasil temos o Saulo Laucas, que é outro artista espetacular (se você não o conhece, veja um vídeo dele neste link). Com um talento inegável, a apresentação de Kodi, hoje com 22 anos, é surpreendente e deixou todos os jurados e o público boquiabertos. E, logicamente, viralizou internet afora.

AGT é um show de talentos, que está em sua 14ª temporada, exibido na TV nos Estados Unidos pelo canal NBC e é parte da série global inglesa “Britain’s Got Talent”, criado por Simon Cowell. No Brasil, é exibido pelo canal Sony.

Savant

Filho de Tina e Eric Lee, Kodi, segundo seu site, tem síndrome de Savant (semelhante ao que vemos no antigo filme “Rain Man“), e é uma das aproximadamente 25 pessoas no mundo com habilidades excepcionais, com uma memória auditiva fora do comum. “Ele consegue se lembrar em detalhes de músicas que ele ouviu apenas uma vez”, conta a biografia no site dele.

Algumas pessoas com autismo podem ter habilidades extraordinárias, mas são exceção. Por muito tempo a sociedade tinha a imagem (muitos por causa do filme “Rain Man”) de que todos os autistas são como X-Men, com superpoderes. Não são.

Por outro lado, é importante acreditar sempre no potencial das pessoas com autismo. Inclusive em situações em que não conseguimos claramente enxergar todo esse potencial, até porque algumas habilidades podem não ter “aparecido” ainda já que muitos autistas não responde dentro do padrão esperado. Dar a todos oportunidade e ferramentas para se desenvolverem é extremamente necessário, principalmente a pessoas com autismo. Nicolas Brito Sales, fotógrafo, autista e colunista da Revista Autismo, diz uma frase que resume muito desta reflexão: “Eu sou tudo que eu posso ser”, mas ele enfatiza que só o é porque seus pais sempre acreditaram em seu potencial e sempre o incentivaram.

Então, acreditar no potencial de autistas deve ser regra, não exceção.

Vídeo

 

Dos quadrinhos às telas, autistas têm, aos poucos, entrado nas histórias e atrações para crianças

A neurodiversidade tem aparecido entre a produção cultural para crianças, felizmente. Personagens infantis com autismo, ainda que bem modestamente, têm brotado lá e cá. Já falamos aqui de séries para jovens e adultos, como Atypical, da Netflix, The Good Doctor e The A Word — A vida com Joe, na Globoplay. Agora é hora dos pequeninos se divertirem com uma dose de consciência a respeito do Transtorno do Espectro do Autismo (TEA).

Pablo

Uma das mais interessantes, que estreou na Netflix há poucas semanas, é Pablo, uma série de desenho animado da BBC de Londres, em que todos os personagens são autistas. E um detalhe: a dublagem é feita por atores autistas também, tanto no original em inglês quanto em português — aqui no Brasil, a Fox fez a dublagem exibindo a série com exclusividade, em abril de 2018, num de seus canais, o NatGeo Kids— inclusive meu filho participou do teste de dublagem (veja o vídeo) — mas não passou.

Trazendo a visão de uma criança com autismo, Pablo mescla o live action e a animação na proposta de conscientizar pais e filhos, além de promover diversidade, integração e discussão sobre o tema. Cada episódio traz uma situação diferente que causa ansiedade, incerteza ou insegurança a Pablo, como cortar o cabelo ou ir ao supermercado com os pais. Com giz-de-cera e muita criatividade, o garoto vê seus desenhos ganharem vida para os ajudarem a lidar com a situação. A BBC, ao divulgar a série, contou que “Pablo foi criado em colaboração com jovens autistas que forneceram histórias originais e inspiradoras sobre sua própria experiência”.

Personagens infantis com autismo — Pablo — Tismoo

Julia

A Vila Sésamo foi outro “lugar” em que uma autista “apareceu”. Julia, a nova personagem, foi inserida em abril de 2017 no seriado infantil, nos Estados Unidos — onde a série foi criada e chama-se Sesame Street. Ela é uma muppet de 4 anos, ruiva, de olhos verdes, gosta de cantar e pintar e tem ecolalia — sempre repete as frases ditas pelos amigos. No começo, alguns deles ficam chateados por ela nem sempre interagir da maneira como eles estão acostumados (veja o vídeo), mas com o tempo, os colegas percebem que a garotinha só tem um jeito diferente de se expressar.

Durante o desenvolvimento da personagem, pais de pequenos autistas foram ouvidos, assim como médicos e associações que lutam pela causa. “Queremos promover uma melhor compreensão e reduzir o estigma que envolve estas crianças. Estamos moldando a maneira como crianças e adultos veem o autismo, a partir de uma sólida perspectiva: encontrar coisas em comum entre todas as crianças”, declarou Jeanette Betancourt, vice-presidente sênior de impacto social nos EUA da companhia Sesame Workshop, que criou a personagem.

Outra particularidade da série foi a escolha de uma personagem feminina, já que a prevalência de autismo é quatro vezes maior em meninos do que em meninas. O programa também conta com conteúdo exclusivo sobre autismo na internet, em inglês (aqui).

Personagens infantis com autismo — Julia, da Vila Sesamo — Tismoo

Auts

Um projeto bem curioso é Auts, um desenho 2D com uma temporada de 26 episódios, de 90 segundos cada. No site euSouAuts.com dá para baixar o aplicativo (para Android e iOS) que dá acesso à série (aos menos os três primeiros episódios são gratuitos) ou ainda pode-se assistir na plataforma PlayKids. “O desenho nasceu do desejo de uma família em ajudar seu filho Artur, dentro do espectro autista, a se comunicar com o mundo. Dessa experiência particular, Auts se amplia para abordar o tema do respeito à diferença de forma artística e lúdica. Com o protagonista inspirado em Artur, o projeto traz uma criança dentro do espectro autista participando ativamente do processo criativo e produtivo”, segundo o site do projeto.

O pai de Artur é o diretor de animação Renato Barreto, mas não só ele como toda a família participa de Auts, incluindo a mãe, Fernanda Arraz, o irmão Davi e Caneca, o cachorro da família. Todos eles são personagens, dubladores e co-criadores dos episódios. Todo o conjunto é voltado para o desenvolvimento dos aprendizados e aquisições da primeira-infância. Vale dar uma espiada.

Personagens infantis com autismo — Auts — Tismoo

André

Por último, o mais antigo do Brasil: André, o personagem autista da Turma da Mônica. Criado por Mauricio de Sousa em 2002, André tem quatro anos, diferentemente da maioria das personagens, que possui idade entre os sete e oito anos.

Em 2001, o Instituto Mauricio de Sousa foi convidado por uma representante da Universidade de Harvard para desenvolver um projeto com o objetivo de alertar a população sobre os sintomas do Transtorno do Espectro do Autismo. Após meses de estudos nasceu André, um personagem autista para fazer parte da Turma da Mônica.

Com base nesse personagem, o Instituto Mauricio de Sousa criou a revista em quadrinhos “Um Amiguinho Diferente” e seis vinhetas de desenho animado, que alertam pais, familiares e professores para a importância do diagnóstico precoce e esclarecem o comportamento que deve ser adotado com a criança dentro do espectro do autismo. Já foram distribuídos 60 mil exemplares da publicação. .

Em fevereiro de 2019, o Instituto Mauricio de Sousa fez parceria com a Revista Autismo e publica uma página com o André em toda edição da revista, que é gratuita, conscientizando a respeito do TEA. E, em abril último, foram atualizados e relançados seis vídeos com o personagem, alertando sobre os sinais de autismo.

Personagens infantis com autismo — André, Turma da Mônica — Tismoo

Estes quatro personagens infantis com autismo foram alguns exemplos apenas. Você conhece outros? Poste aqui nos comentários.


Vídeos do André

A Revista Autismo voltou! - relançamento - Tismoo

Publicação criada em 2010 continuará gratuita, digital e impressa, distribuída em todo o Brasil

A Revista Autismo, uma publicação brasileira especializada no Transtorno do Espectro do Autismo (TEA), fundada em 23 de abril de 2010, por dois pais de autistas, anunciou, nos primeiros dias de 2019, que voltou à ativa e está sendo relançada nas próximas semanas. No texto do anúncio do retorno, feito nas redes sociais e no site da revista, há um cadastro de email para avisar aos leitores quando a nova edição for publicada, que será impressa e digital — como desde sua criação.

O propósito da publicação é “levar informação de qualidade a respeito de autismo de forma acessível e gratuita” — neste caso, através do site e uma revista em meios eletrônicos e também impressa, disponível em todo o Brasil. A distribuição deles é feita pelos correios (o leitor solicita a edição e paga somente o frete) ou retira a revista em pontos de distribuição em vários estados do país. Uma característica da publicação era utilizar, desde os idos de 2010, QR-Codes (ou código QR, aquele códigos de barras bidimensional, quadrado, que pode ser lido pela câmera dos smartphones, muito em uso nos últimos 2 anos — veja um exemplo aqui) para linkar suas reportagens impressas a conteúdo extra online — como vídeos, papers de estudos científicos, material multimídia e textos aprofundados sobre determinados assuntos — e continuará a usar este recurso, ainda mais aprimorado e difundido agora.

Social startup

Antes, com um modelo de ONG, filantrópico, a publicação era feita apenas com doações e nunca teve uma propaganda vendida. Agora, a Revista Autismo adota um modelo de social startup, uma pequena empresa privada, mas com o principal propósito de gerar um impacto positivo na sociedade — disseminar informação sobre o transtorno —, como eles mesmo anunciaram: “de uma maneira profissional e agora com propagandas, como uma revista comum, sustentável, mas continuando gratuita para ser acessível a todos, principalmente às pessoas com autismo e suas famílias”.

Com mais de 270 mil seguidores no Facebook, a revista já foi bem atuante no passado, figurando, inclusive, entre as mídias oficiais da ONU para o World Autism Awareness Day (Dia Mundial de Conscientização do Autismo), de 2010 a 2013, sendo a única representante da América Latina, além de ter ganhado o Prêmio Orgulho Autista por dois anos consecutivos, 2010/2011 e 2011/2012, do Movimento Orgulho Autista Brasil (Moab) — com direito a receber o troféu no Senado Federal e um discurso incisivo em favor da causa.

Desde 2010

Primeira revista a respeito de autismo em toda a América Latina e também a primeira do planeta em língua portuguesa sobre esta condição de saúde, a Revista Autismo esteve ativa de 2010 a 2013, com edições impressas distribuídas em todo o Brasil e uma pequena parcela em Portugal. As edições anteriores, em arquivo digital (formato PDF), estão todas disponíveis para serem baixadas no site RevistaAutismo.com.br.

Filme Po, drama sobre autismo - Tismoo

Drama norte-americano conta saga de um pai com seu filho autista, após morte da mãe

O Brasil tem estreia de filme com o tema autismo: “Po”, com título original em inglês “A Boy Called Po”, um drama e fantasia de 1h35min. Produção pequena e independente, “Po” foi lançado nos Estados Unidos há mais de um ano — em 1 de setembro de 2017 —, portanto hoje já está disponível online na maioria das plataformas de streaming de lá. Mas estreia nesta quinta (22 de novembro de 2018) no Brasil e na França.

A história conta a saga de uma família que perde a mãe, morta em decorrência de um câncer, ficando apenas o marido, o engenheiro de aviões David (interpretado por Christopher Gorham), com o filho Patrick, que tem o Transtorno do Espectro do Autismo e é mais conhecido pelo apelido “Po”, que intitula o filme — vivido pelo ator Julian Feder —, um garoto de 11 a 12 anos, no 6º ano escolar. Pai e filho percorrem uma jornada difícil numa fase complicada da vida de ambos.

Cartaz do filme Po, drama sobre autismo - TismooVida real

O autismo não é tema do longa por acaso. O diretor do filme, John Asher, tem um filho com autismo, o que certamente motivou o tema deste longa, que é, segundo ele, “uma carta de amor” para o filho. Outra pessoa que tem um filho autista na vida real é o ator que interpretou o pai de Po, Christopher Gorham, que tem 3 filhos — seu mais velho foi diagnosticado com autismo (à época, especificamente com Síndrome de Asperger) —, que argumentou em um dos releases de divulgação: “O filme é reconfortante para muitas famílias que lidam com o diagnóstico. E esclarecedor para aqueles que não convivem, pois conhecerão o nosso cotidiano”, disse ele, que ainda completou: “’Po’ é um dos primeiros filmes a lidar com o autismo de maneira tão direta”, arrematou ele após criticar a falta de produções relacionadas ao tema. “Quanto mais histórias contadas e pessoas com autismo envolvidas nas produções, melhor. Assim, mais indivíduos compreenderão o que significa crescer dessa forma”, finalizou Christopher, que também pode ser visto atuando na série “Insatiable” (Netflix).

Na cena inicial, o pai chora sobre o caixão da esposa. Depois, chega em casa e tem que cuidar de Po. Depois ele perde o emprego, perde a escola do filho, perde o plano de saúde, perde o próprio filho no parque, recebe uma multa, enfrenta problemas com o carro… E Po parece querer se isolar ainda mais. Enfim, as coisas não estavam fáceis para eles. É dramático.

O filme tem críticas boas e ruins, aqui e fora do Brasil, mas recebe nota relativamente baixa de um modo geral — 6,9 no IMDb e 31% no Rotten Tomatoes. E muitas críticas dizem que o filme chega a ser “apelativo”, que usa muito do tom emocional para envolver o espectador, do roteiro às músicas e dramaticidade nos cortes em fades longos. Outros dizem ser muito realista e conscientizador. Quero assistir sem julgar antes.

Produzido e filmado em 2016, em Los Angeles, na Califórnia (EUA), em apenas 18 dias e com pouco mais de US$ 1,5 milhão — o que é considerado um baixo orçamento para filmes longas-metragens —, “Po” é distribuído pela Cineart Filmes e, no Brasil, o filme tem classificação indicativa de 12 anos.

A produção norte-americana ganhou 11 prêmios, como o San Diego International Film Festival e o Satellite Awards — sendo 5 deles para o ator que interpreta Po, Julian Feder, hoje prestes a completar 14 anos (ele nasceu em 2004).

Onde assistir

Segundo o Guia Folha, “Po” está sendo exibido, somente em uma sala, e em único horário, no Shopping Frei Caneca, em São Paulo (SP), além de Porto Alegre (RS) e Salvador (BA) — todos no Espaço Itaú de Cinema.

Assista ao trailer abaixo:

Leia também sobre outros filmes e séries com o tema autismo, como: “Tudo que Quero“, “The Good Doctor” e “Atypical“.

Estudante de Goiás cria podcast feito por autistas - Tismoo

O programa semanal de áudio é gratuito e pode ser ouvido via internet, em computadores ou smartphones

Tiago Abreu é estudante de jornalismo da UFG (Universidade Federal de Goiás), em Goiânia. Diagnosticado com autismo em 2014, ele decidiu criar um podcast (uma espécie de programa de rádio online) feito por pessoas com autismo — e tendo como público-alvo principal os próprios autistas —, o “Introvertendo“, criado em maio de 2018, que pode ser ouvido gratuitamente via internet.

A ideia veio em 2017, após uma reportagem e um radiodocumentário no curso de jornalismo. “Eu já pensava, muito antes, em criar um podcast sobre outros temas com alguns amigos, porque gosto deste tipo de mídia há anos. Em junho de 2017, eu fiz uma reportagem com um dos membros do Introvertendo, e ele, numa das respostas, disse que estávamos fazendo ali, em horas, o que geralmente é dito que autistas não fazem: conversar. Quando eu fui fazer o radiodocumentário, no final do mesmo ano, entrevistando três integrantes do podcast, percebi que dava para executar a ideia. Foram meses para convencer todos (inicialmente, sete pessoas toparam) e começamos a gravar em março de 2018. Em maio, eu lancei o site e o primeiro episódio”, narrou Tiago.

Os episódios são bate-papos entre Tiago e convidados. O projeto se expandiu, e ultrapassou as barreiras da universidade, com site e domínio próprio. Diversos temas são abordados, inclusive bem polêmicos — como no episódio 25, sobre homossexualidade, e o 24, sobre depressão — a outros mais leves — como indicações musicais (17) e autismo na cultura pop (19) —, ou mais técnicos — como o episódio 1, sobre diagnóstico da Síndrome de Asperger.

Aliás, apesar da polêmica a respeito de Hans Asperger ter colaborado com o nazismo, alguns continuam preferindo adotar o termo “aspie” (que vem de Síndrome de Asperger) para se autointitularem. “Particularmente, não sei onde me definir nisso. Eu já vi muitos autistas diagnosticados com Síndrome de Asperger não se identificarem com a noção de que o autismo é um espectro e eu entendo perfeitamente. É muito difícil para um chamado aspie que consiga, por exemplo, se comunicar, ir em festas e adquirir autonomia no dia a dia visualizar e se identificar com um autista não-verbal e que, socialmente, precisa da família para muitas atividades. Eu penso que o estudo sobre Hans Asperger é como um recado categórico para nós de que está na hora dos chamados aspies repensarem o seu espaço quando o assunto é autismo. E acho que o diagnóstico é algo muito sedutor. Pensa: Você é considerado inadequado a vida inteira e, depois de muitos anos, aquele conjunto de sinais ‘explicam’ você… Então, os chamados aspies que ainda não lidam bem com a ideia do fim do diagnóstico de Síndrome de Asperger, pra mim, revelam um apego de identidade. É como se aquele processo de diagnóstico fosse tão importante na vida deles que o rótulo fosse fundamental. É um processo e acho que vamos passar por isso por mais uma década. Já eu, particularmente, não me importo tanto com isso. Tento manter as duas noções no podcast, tanto falando de autismo quanto de Síndrome de Asperger, porque acho que isso ainda não está bem resolvido entre a comunidade autista”, filosofou Tiago, que fala sobre o assunto no episódio 13 do Introvertendo.

De autistas para autistas

podcast Introvertendo feito por autistas - Tismoo“É um podcast onde autistas conversam”, define com precisão o slogan do podcast, que é formado exclusivamente por autistas, 10 pessoas atualmente, porém, com o término do curso, alguns integrantes ficarão fisicamente distantes uns dos outros. “É por isso que eu estou montando uma rede de autistas, em diferentes locais do Brasil, para produzir episódios com convidados. Oficialmente, o podcast é formado pelos oito integrantes originais mais dois novos, de São Paulo e Santa Catarina, que estão colaborando em episódios que serão lançados no resto deste ano. Além disso, iniciamos uma parceria com a Liga dos Autistas, uma organização formada exclusivamente por autistas que participará de alguns dos nossos episódios a partir de 2019″, revelou o podcaster.

O programa é semanal e as gravações são feitas pessoalmente ou remotas, editadas e publicadas pelos próprios membros do podcast. “Dialogamos sobre aspectos da nossa vida cotidiana, sobre a sociedade, questões evidentemente irrelevantes, mas sempre na intenção de ter um papo natural e orgânico”, definem eles no seu site.

“Acreditamos que sermos autistas e falarmos de nós para o mundo seja bastante relevante para que as pessoas conheçam um pouco deste universo complexo e multifacetado chamado autismo. Ao mesmo tempo, precisamos reafirmar que não temos a intenção de falar pela ‘classe’ de autistas como um todo. Mas a partir dos nossos episódios vocês conhecerão um pouco do que somos”, completam.

O site é alimentado por Tiago e os demais participantes todos diagnosticadas com autismo. Os integrantes são em sua maioria estudantes da UFG e de diversos cursos, de Medicina a Artes Cênicas, o que garante a diversidade de temas dos episódios, mas aos poucos a rede está crescendo, inclusive com a inclusão recente de dois ouvintes que se tornaram integrantes.

Autismo nos podcasts

Autismo Brasil Podcast, ligado à Abraça (Associação BRAsileira pela aÇão por direitos das pessoas Autistas) e à instituição Casa da Esperança, em Fortaleza (CE), foi o primeiro podcast brasileiro exclusivamente a respeito de autismo, iniciado em abril de 2014, mas está inativo desde outubro de 2016. Liderado pelo psicólogo Alexandre Costa e Silva, o podcast teve 21 episódios e continua disponível online para ser ouvido.

Outros podcasts famosos no Brasil (dedicados a outros assuntos), abordaram o tema “autismo” em algum episódio, como: o Cocatech, de tecnologia (episódio especial de 2 de abril de 2012); o Mamilos (118); o SciCast, sobre ciência (episódio 247, de abril de 2018); o Entre Fraldas, sobre criação de filhos (número 110, de agosto de 2018, sobre o app Matraquinha); ou o podcast da Fapesp (episódio de março de 2018, quando entrevistou a neurocientista Patrícia Beltrão Braga, uma das fundadoras da Tismoo).

Mas feito por autistas, o Introvertendo é o único podcast do mundo atualmente, segundo Tiago Abreu: “Não existiam podcasts de autistas no Brasil. Nós só encontramos um estrangeiro, chamado “AspieCast“, mas que produz muito raramente [o último episódio foi em 6 de maio de 2018 — o anterior, em outubro de 2017] e geralmente sem mais pessoas. Então, no sentido técnico do que é um podcast (ter várias pessoas participando e periodicidade regular), o Introvertendo é o primeiro podcast de autistas do mundo. Isso é legal de dizer, embora seja um pouco assustador (risos)”, contou.

Audiência crescente

No início, os colegas de Tiago diziam a ele que ninguém ia ouvir o Introvertendo, mas ele conta que tinha consciência de que a audiência seria normalmente baixa. Podcasts não tem a mesma exposição que um canal no YouTube, mas quem ouve podcasts sabe que, apesar de poucos ouvintes, a audiência é fiel e tem enviado diversas mensagens aos podcasters. “Foi isso o que mais me interessou ao criar o podcast. Mas, por incrível que pareça, o resultado foi além do que eu esperava em menos de seis meses de lançamento. Temos tido mais downloads ainda nas últimas semanas, depois que dei uma palestra na UFG sobre o podcast. E as pessoas já deixam claro alguns de seus episódios favoritos (o 1, o 15 e o 22 são alguns exemplos). Mas o mais legal dos emails e recados que recebemos, pra mim, é a identificação. É o fato de falarmos e, de certa forma, promover a sensação de que as pessoas não estão sozinhas, que existem outras que vivem problemas ou situações engraçadas parecidas”, disse ele, que ainda completou: “Ultimamente, tem sido bom ler algumas mensagens de mães tentando entender seus filhos”.

Os próximos episódios devem tratar de temas como perfeccionismo, o rótulo do autismo, festas de fim de ano e até um sobre David Bowie. “Tentamos ao máximo pegar temas de autismo, mas também falar de outras de coisas de vez em quando”, completou.

Como ouvir

É possível ouvir os episódios por aplicativos para podcasts, como o “Google Podcasts”, para Android, o “Podcast para iPhone” ou “Overcast”, da Apple, o “Podcasts” do Windows Phone, ou ainda direto pelo site. Nos aplicativos, é só buscar por “Introvertendo”.

O site do podcast é introvertendo.com.br.

Filme "Tudo que Quero" com menina autista fã de Star Trek - Tismoo

Com boa atuação da protagonista, filme mostra garota com autismo que foge de casa em busca de seu sonho

Autista e apaixonada pelo universo de “Star Trek“, Wendy é a protagonista de “Tudo que Quero”, filme lançado em abril de 2018 (mês de conscientização do autismo) em poucos cinemas no Brasil — nos EUA, em outubro de 2017 — e agora disponível em vários serviços de streaming para assistir online. No melhor estilo Atypical, a produção mistura drama e momentos mais leves de comédia para falar da realidade de pessoas com autismo com boa medida de naturalidade.

Com um grande grau de independência, a jovem protagonista (interpretada brilhantemente por Dakota Fanning, atriz hoje com 24 anos) vive num lar especial para pessoas com autismo, onde passa os dias desempenhando funções básicas em uma rotina constante para aprendizado social. Seu hobby predileto? Escrever histórias de fantasia. Ela, então, descobre que há um concurso de roteiros sobre sua série preferida, quando começa a escrever uma obra de mais de 400 páginas com seus personagens favoritos (Kirk e Spock) e passa a obstinadamente perseguir este seu sonho, até mesmo sair totalmente de sua estrita rotina, fugindo de casa rumo a Los Angeles a fim de conseguir entregar o roteiro e participar do tal concurso. O filme, de ritmo um pouco lento, tem o título original em inglês Please, Stand By e estreou nos cinemas brasileiros em pouquíssimas salas, por ser indie (uma produção independente) — eu assisti no cinema Caixa Belas Artes da Consolação, em São Paulo, que costuma exibir uma programação alternativa.

Cartaz capa do filme "Tudo que Quero", fã de Star Trek que tem autismo - TismooStar Trek

Se você não sabe nada sobre a “mitologia” de Star Trek (a série de ficção científica lançada em 1966 que, no Brasil, recebeu o nome de “Jornada nas Estrelas” e tem uma legião de aficionados mundo afora), vai perder várias referências — principalmente a sequência final quando um personagem (Patton Oswalt) interage com Wendy da forma mais nerd possível (não vou dar spoiler e estragar a cena, né!?). Mas, a delicada interpretação da jovem com autismo é muito boa (o que salva o filme!) e reflete a realidade de muitos autistas (lembrando que o espectro do autismo é enorme e você nunca verá um autista igual a outro! — muito menos uma retratação 100% fiel em 1h33min de filme). O fato de ter dificuldade em olhar nos olhos, na socialização, comunicação de certa forma limitada e estar muito presa a rotinas, mostra com certo realismo como é o dia a dia de uma boa parcela das pessoas com Transtorno do Espectro do Autismo (TEA), principalmente adultos que conseguem autonomia suficiente para trabalhar.

O elenco de apoio conta com a presença ilustre da indicada ao Oscar Toni Collette (com o filme “O Sexto Sentido”), vivendo a administradora da clínica e terapeuta de Wendy, da britânica Alice Eve (que coincidentemente esteve em “Star Trek: Além da Escuridão”) no papel da irmã mais velha da garota.

Muito interessante também ver uma personagem feminina com autismo, já que o padrão são homens autistas, com infinitos exemplos a citar, de Raymond, de Rain Man, a Sam, de Atypical. Dirigido pelo polonês Ben Lewin (indicado ao Oscar por “As Sessões”, em 2012), a nota de “Tudo que Quero” no IMDB é 6.7 e no Rotten Tomatoes, 65%.

Onde assistir

Via streaming ou aluguel avulso em TV por assinatura, o filme pode ser assistido no: Google PlayLooke, Now, Vivo PlayYoutube Movies ou Apple iTunes — em alguns serviços o longa está com o título alternativo “Um Novo Caminho“.

Leia mais sobre a atriz Dakota Fanning, no site Omelete. Veja também a crítica sobre o filme no site Poltrona Nerd.

Assista ao trailer abaixo:

[atualizado em 05/11/2018 com novos serviços de streaming e título alternativo]