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Com seletividade alimentar, Marco Antônio, de 9 anos, só aceita comer um biscoito específico

É muito comum que pessoas com autismo tenham seletividade alimentar. E este é o caso de Marco Antônio, de 9 anos, de Dourados (MS), que ganhou destaque na imprensa há alguns dias. O garoto só come um biscoito específico, que acabou de sair de linha. A mãe, porém, conseguiu convencer a empresa a continuar fabricando o produto para o filho até o fim do ano e ter tempo de tentar fazer uma transição para outro biscoito.

Noticiado pelo portal G1 e pelo jornal Estado de Minas, a história repercutiu nas redes sociais. O biscoito que Marco Antônio tanto gosta é o “Marilan Amanteigado Leite”, fabricada em Marília (SP), com um orifício em formato de coração no centro. O produto, no entanto, foi reformulado e saiu de linha como era, passando a ter um novo formato e com orifício circular.

A enfermeira Loreta Toffano contou ao G1 que costumava comprar cerca de 20 pacotes desse biscoito para o filho Marco Antônio. No entanto, no último dia 5.jun.2020, ela foi ao supermercado e percebeu que o produto havia mudado de formato.

“Mesmo assim eu comprei no novo formato, para tentar, mas ele tem todo um ritual, como é comum para [algumas] crianças autistas. Ele pega o biscoito, olha bem, faz uma inspeção visual, cheira, aí quebra bem no meio do coração. Se quebrar torto, ou se tiver um trincadinho, ele não come. Ele pegou o biscoito no formato novo, olhou, cheirou e deixou de lado”, lembra a mãe.

Loreta fez um apelo nas redes sociais, postando em seu Instagram um pedido à fabricante. De início, eles só lamentaram. Depois, com a repercussão do caso, a empresa disse que não seria possível manter o formato antigo no mercado, mas garantiu que o menino vai receber exclusivamente o biscoito do jeito que gosta até o final do ano de forma gratuita, além de enviar outros modelos de biscoito para ver se o menino aceita e tenha mais uma opção.

Em nota ao Portal da Tismoo, a empresa respondeu: “Desde a sua fundação, a Marilan sempre teve o comprometimento de contribuir com a sociedade.  E temos a cultura de estimular todo time a fazer o mesmo, ajudando com o que estiver ao nosso alcance. A empresa acredita que compromisso, foco, seriedade, empatia e cooperação são valores capazes de criar um mundo melhor para todos”.

Agora é torcer para essa transição dar certo. Outro caso bem semelhante aconteceu em novembro último (2019). Foi com um menino, de 10 anos, em Alagoas, noticiado pelo Razões Para Acreditar.

Seletividade alimentar

A alimentação é um assunto muito delicado e uma queixa muito frequente dos pais de autistas. Não apenas pela angústia, pelo risco de deficiências nutricionais, mas pelo momento da refeição se tornar um momento de estresse.

Para pessoas com Transtorno do Espectro do Autismo (TEA), essa dificuldade na alimentação é bem comum, pois recebem interferência direta de estímulos sensoriais.

Leia nosso artigo “A seletividade alimentar e o autismo” para saber mais a respeito do assunto.

 

Seletividade alimentar de pessoas com autismo - Tismoo

Por Fernanda Monteiro

Alimentação é um assunto muito delicado e uma queixa muito frequente dos pais com filhos com autismo. Não apenas pela angústia, pelo risco de deficiências nutricionais mas, pelo momento da refeição se tornar um momento de estresse.

Para pessoas com Transtorno do Espectro do Autismo (TEA), essa dificuldade na alimentação é bem comum, pois recebem interferência direta de estímulos sensoriais.

Segundo Dra Danielle  Dolezal – Supervisora Clínica do Programa de Alimentação Pediátrica do Centro de Autismo Infantil de Seattle- “Comer é uma das experiências mais sensoriais que você pode ter”.

As crianças com TEA podem apresentar comportamentos restritivos, seletivos e ritualísticos que afetam diretamente seus hábitos alimentares resultando em desinteresse e recusa para alimentação.

Uma pesquisa realizada pela University of Massachusetts Medical School, definiu o grau de seletividade alimentar e comparou estes índices entre crianças com autismo e crianças com desenvolvimento típico de acordo com três domínios: recusa alimentar; repertório alimentar limitado e ingestão alimentar única de alta frequência.Esta pesquisa constatou que as crianças com TEA apresentaram mais recusa alimentar que as crianças com desenvolvimento típico (41,7% vs. 18,9% dos alimentos oferecidos). Além disso, exibiram um repertório alimentar mais limitado do que as crianças com desenvolvimento típico (19,0% vs. 22,5% alimentos apresentados). Já a recusa alimentar foi observada nos dois grupos (Cermak, Curtin, Bandini,  2010).

Alguns fatores podem contribuir para a seletividade alimentar, um deles está relacionado à sensibilidade sensorial — também chamada de defensiva sensorial ou super responsividade sensorial, é a reação exagerada a certas experiências de toque, muitas vezes resultando em uma aversão ou uma resposta comportamental negativa (Cermak, Curtin, Bandini,  , 1994).

A alimentação pode ser negativamente afetada pela sensibilidade sensorial a texturas, gostos, cheiros e temperaturas dos alimentos. especialmente em crianças com autismo. Leia mais