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Projeto de fone com cancelamento de ruídos foi o vencedor do hackathon Autismo Tech

Criar algo que beneficie autistas, pensando no mercado de trabalho. Este foi o mote do hackathon (competição intensiva de tecnologia para desenvolver algo inovador) Autismo Tech, organizado pela faculdade Fiap e a startup Infinity Evo, ambas de São Paulo. E o grupo vencedor criou um fone com cancelamento ativo de ruídos, que deram o nome de “Austic” — com o slogan “vibre na sua frequência”.

Mas o quê uma coisa tem a ver com a outra? Autismo, fone, mercado de trabalho, ruídos? Como já mostramos no nosso artigo “A relação das disfunções sensoriais com o autismo“, de acordo com alguns estudos, entre 56% a 80% das pessoas no TEA apresentem sinais de hipersensibilidade sensorial, também chamada de defensividade sensorial. Diferente das pessoas típicas, pessoas com esta característica experimentam os estímulos sensoriais de formas negativas e distintas entre si. Uma sensação considerada comum e tolerável para uma pessoa neurotípica pode ser considerada como estímulo aversivo para um autista, a ponto de gerar angústias e sofrimentos incapacitantes (veja as referências dos estudos no artigo original). Alunos autistas já fizeram um vídeo para falar a respeito do incômodo causado pela hipersensibilidade auditiva na sala de aula, no texto intitulado “Alunos autistas contam em vídeo como é ouvir barulho na sala de aula“.

Mercado de trabalho

E há diversos relatos de que a hipersensibilidade sensorial tirou muita gente do mercado de trabalho. Um exemplo é uma das integrantes da equipe Austic, Rubia Carolina Nobre Morais, a Carol, uma autista formada em odontologia e com hipersensibilidade auditiva. Apesar de amar a profissão, o excesso de ruídos no consultório fez com que ela abandonasse a profissão. Aliás, por esta e também outras questões, estudos nos EUA e Europa indicam que a maioria dos autistas adultos estão fora do mercado de trabalho, chegando a ser 85% dessa população em pesquisa feita no Reino Unido.

E a ideia do Austic é ser uma solução para o problema da hipersensibilidade auditiva de autistas para ajudar, entre outras questões, que isso não tire essas pessoas do mercado de trabalho.Em competição, equipe cria fone para autistas: Austic — TismooComo o Austic funciona

O produto é um fone de cancelamento ativo de ruídos por condução óssea. Ou seja, há duas inovações juntas aqui. O cancelamento ativo de ruídos, que é a emissão uma onda sonora com mesma amplitude e fase invertida do som original (neste caso, o ruído) e as ondas acabam se cancelando por um efeito chamado interferência. A outra inovação é o fone por condução óssea, que usam motores de vibração que reverberam em seu crânio e, por ressonância, levam os sons até seus ouvidos. Por essa razão, não precisam ser introduzidos nas orelhas, deixando-as livres para a entrada do som ambiente.

Neste caso, o Austic recebe os ruídos por seus microfones e gera ondas com fase invertida para cancelar esse som, porém, sem estar na orelhas, fazendo esse cancelamento no contato com o crânio, sem bloquear o canal auditivo. E qual ruído será cancelado? O projeto prevê que, quem estiver usando o fone poderá escolher, por meio de um aplicativo,  quais frequências de som serão canceladas — e tudo isso sem fio, usando uma conexão bluetooth.

Veja, a seguir, o vídeo do pitch da equipe sobre o produto na final do hackathon Autismo Tech. Além de Carol, a equipe é integrada por Júlia Demuner Pimentel, Thainá Monteiro Ferreira, João Eliandro Germano Gomes, Alexandro de Campos Teixeira Netto e Henrique Gomes de Souza. Eles buscam investimento para tornar o projeto do fone uma realidade.

Vídeo

Vídeo do pitch da equipe sobre o Austic na final do hackathon Autismo Tech

Vídeo publicado no Instagra @_austic

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Com mais de 2 anos de muito trabalho, envolvendo 120 pessoas, a plataforma gratuita pretende beneficiar, só no Brasil, mais de 12 milhões de pessoas conectadas diretamente ao autismoÍcone da Tismoo.me - a rede social dedicada ao autismo.

Com lançamento agendado para o primeiro trimestre semestre de 2020, já está no ar um cadastro aos interessados em receber convite para a plataforma Tismoo.me, uma rede social com o propósito de trazer benefícios a autistas e seus familiares, além de unir todos os envolvidos na causa numa única plataforma, médicos, terapeutas, educadores, escolas, cientistas, indústria farmacêutica, clínicas, hospitais, planos de saúde, familiares e, principalmente, os pais e as pessoas com autismo. Tudo isso gratuito e com uma forte camada de segurança e privacidade. Cadastre-se acessando tismoo.me.

[Atualização: Com a versão beta (de testes) lançada em 30.jun.2020, a versão 1.0 da Tismoo.me deve estar disponível entre agosto e setembro/2020.]

Fruto de mais de dois anos de desenvolvimento, a iniciativa está sendo liderada pelo jornalista Francisco Paiva Junior, atual head de conteúdo da Tismoo e editor-chefe da Revista Autismo. “O Paiva tem um histórico de comunicação com autistas e com as famílias das pessoas com autismo que é admirável, é um dos criadores da Revista Autismo e mantém essa publicação de qualidade viva desde 2010. Todos o admiram muito pela competência e a capacidade de se manter neutro, mesmo num ambiente conturbado como o do espectro do autismo, além dele sempre buscar a veracidade das informações. Por todas essas características, entendemos que ele era a pessoa ideal para liderar este projeto e estamos muito felizes com isso”, revelou o neurocientista Alysson Muotri, cofundador da Tismoo e professor da faculdade de medicina da Universidade de Califórnia, em San Diego (Estados Unidos).

A ideia da plataforma é entregar conteúdo de qualidade para os diferentes participantes deste enorme ecossistema que é o autismo, como um artigo sobre comunicação alternativa para quem tem filho não verbal, ou um estudo sobre genética e fármacos a um médico, assim como dicas de empregabilidade a uma pessoa jovem ou adulta com autismo. Enfim, saber identificar o perfil de cada um e poder oferecer um conteúdo relevante e personalizado. “Além disso, pretendemos ‘plugar’ diversos outros serviços na Tismoo.me, sem ‘reinventar a roda’. Convergir o que houver de bom e inovador no mercado que possa trazer benefícios reais à comunidade conectada ao autismo. Enfim, teremos várias outras novidades que ainda não podemos revelar”, disse Paiva.

12 milhões só no Brasil

A estimativa da Organização Mundial da Saúde (OMS) é que tenhamos 70 milhões de autistas no mundo. Só no Brasil, estima-se mais de 2 milhões de pessoas. Como o autismo impacta a família, estamos falando em mais de 12 milhões de pessoas se considerarmos uma família com 6 pessoas diretamente conectados à causa — além do autista, pais, irmãos e avós. Isso sem contar os profissionais de saúde e educação envolvidos.

Utilizando de inteligência artificial (IA) e aprendizagem de máquina, fruto de parceria com a Nindoo, startup de IA acelerada pelo Facebook e Artemísia, a Tismoo.me pretende unir mais rapidamente as pessoas com semelhanças clínicas e genéticas ajudando a  estratificar os pacientes e assim permitir a conexão e uma troca de informações mais útil entre esses grupos (saiba mais neste artigo da Revista Autismo).

Desde 2015

Numa união de esforços da startup de biotecnologia Tismoo e da Revista Autismo, a iniciativa Tismoo.me está em desenvolvimento desde maio de 2017, utilizando uma abordagem de design thinking, em um longo processo de imersão junto aos principais stakeholders envolvidos com a causa do autismo no Brasil e no mundo — como: médicos, terapeutas, educadores, cientistas, designers, profissionais de tecnologia, especialistas em conteúdo, além de autistas e seus familiares, num total de 120 pessoas.

A ideia, no entanto, não é nova, já tem quatro anos: “Uma plataforma de conteúdo já era nosso objetivo desde o início, em 2015, quando iniciamos a Tismoo. Este projeto começou a tomar forma, porém, quando convidamos o Paiva para liderar essa iniciativa”, relembrou Gian Franco Rocchiccioli, cofundador da Tismoo. “Este é o  segundo passo que damos em direção à medicina personalizada, avançando agora o pilar de data science, depois de uma primeira fase toda dedicada à construção de uma nova plataforma de análise genética especificamente pensada para o autismo”, explicou.

A cientista Graciela Pignatari, cofundadora e diretora executiva da Tismoo, lembra que “desde o início sabíamos da importância de sermos uma fonte confiável de informação para as famílias. Justamente por isso, nos dedicamos a construir o  Portal da Tismoo publicando apenas estudos validados e fazendo palestras em todo o Brasil”. Diferente da maioria das startups que focam em alavancar suas vendas, a Tismoo que é uma social enterprise, manteve-se inicialmente focada em construir um contexto mais favorável para a adoção das novas tecnologias no dia a dia das famílias (conheça nossa newsletter).

“A nova plataforma também permitirá a troca de informações mais precisa entre famílias que estão enfrentando realidades semelhantes e permitirá muita troca de experiências”, considerou Graciela, enfatizando a estruturação de dados e data science que são o cerne da nova rede social.

“Esclarecer o papel, o significado e a importância da genética era necessariamente o primeiro passo. Com a evolução deste processo, e para dar um passo além, estamos agora levando adiante o projeto de construir uma plataforma que promova a integração de todos os principais stakeholders deste ecossistema, fazendo assim avançar uma parte importante do projeto da Tismoo”, conta Gian.

Sobre a Revista Autismo

A Revista Autismo, impressa e digital, é uma publicação gratuita, servindo ao propósito social de disseminar informação de qualidade a respeito de autismo no Brasil todo através de uma social startup. Informação servindo à causa! A respeito de autismo, é a única revista impressa periódica da América Latina e a única, do mundo, em língua portuguesa.

Sobre a Tismoo

A Tismoo é uma empresa de biotecnologia de relevância global, comprometida em melhorar a qualidade de vida de pacientes e famílias afetadas pelo Transtorno do Espectro do Autismo (TEA) e outros transtornos neurológicos de origem genética relacionados, tais como a Síndrome de Rett, CDKL5, Síndrome de Timothy, Síndrome do X-Frágil, Síndrome de Angelman, Síndrome de Phelan-McDermid, entre outras. A Tismoo busca oferecer tecnologias verdadeiramente inovadoras e que tenham o potencial de mudar efetivamente a qualidade de vida das pessoas.

 

Tela de protótipo da rede social sobre autismo Tismoo.me

Tela de protótipo da rede social sobre autismo Tismoo.me

 

Tela de protótipo da rede social sobre autismo Tismoo.me

Telas de protótipo da rede social dedicada ao autismo: Tismoo.me


Fotos do workshop de design thinking da Tismoo.me

[Atualizado em 17/02/2020 com o lançamento para o 1º semestre de 2020]

[Atualizado em 30/06/2020 com o lançamento da versão beta em 30.jun.2020]

[Atualizado em 21/08/2020 com a previsão de lançamento da versão 1.0 entre agosto e setembro/2020]