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Estudo mostra que vacina tríplice viral não causa autismo

Trabalho científico utilizou base de 650 mil crianças na Dinamarca

A revista científica “Annals of Internal Medicine” teve um estudo publicado dia 4.mar.2019 em que conclui: a vacina contra o sarampo, a caxumba e a rubéola – conhecida como tríplice viral no Brasil; “MMR” em inglês – não causa nem aumenta o risco de autismo, assim como não desencadeia o Transtorno do Espectro do Autismo (TEA) em crianças a ele suscetíveis. A pesquisa tomou como base um total de 657.461 crianças nascidas na Dinamarca entre 1999 e 2010 e, assim como outros estudos anteriores, refutou um mito antigo a respeito de vacinas e autismo.

Mito inglês

Em 1998, o médico inglês Andrew Wakefield publicou, na revista médica “The Lancet”, um estudo com apenas 12 crianças, que vinculava a vacina MMR (tríplice viral) e autismo. Em 2010, o médico perdeu seu registro no Reino Unido e, em 2011, a revista retirou o estudo depois que uma investigação descobriu que Wakefield havia alterado informações sobre as crianças estudadas. Wakefield, que teve de se retratar na mesma revista por erros metodológicos que alguns especialistas definem como “premeditação de sua parte”, mudou-se, então, para os Estados Unidos, onde continuou a exercer a medicina.

Desde essa época, uma alarmante queda nas vacinações, principalmente da tríplice viral, foi disparada pela notícia de que a vacina estaria ligada ao autismo, além de um debate político e entre os profissionais de medicina, além de ter potencializado teorias da conspiração envolvendo a indústria farmacêutica. Na sequência, vários tentaram reproduzir os resultados de Wakefield, no entanto, nenhuma ligação foi encontrada entre vacinas e autismo.

Para a bióloga Graciela Pignatari, “a volta dessas doenças que já estavam erradicadas é uma involução e não podemos deixar isso acontecer numa fase em que temos tanto acesso e evoluímos tanto cientificamente. Definitivamente vacina não causa autismo!”, enfatizou ela.

O estudo

O novo estudo dinamarquês, teve como base um total de 6.517 crianças que foram diagnosticadas com autismo (uma taxa de incidência de 129,7 a cada 100 mil).

No período pesquisado, 6.517 crianças foram diagnosticadas com autismo (uma taxa de incidência de 129,7 a cada 100 mil). Foram estudadas as características das crianças e o tempo decorrido desde a vacinação. O estudo afirma que “a comparação entre crianças vacinadas e não vacinadas produziu uma razão de risco de autismo de 0,93. Nenhum risco aumentado de autismo após a vacinação foi consistentemente observado em subgrupos de crianças definidas de acordo com a história de autismo dos irmãos, fatores de risco do autismo (com base em um escore de risco de doença) e outras vacinações ou durante períodos específicos após a vacinação”.

Sarampo

Em 2016, o Brasil obteve um certificado da ONU pela eliminação do sarampo, em virtude dos números dos anos anteriores. No ano passado, porém, tivemos um grande surto da doença — atingindo 11 Estados e 10.302 pessoas — por conta da baixa cobertura da tríplice viral. Entre as causas, estão os movimento antivacinas (que acreditam na ligação entre vacinas e autismo) e na entrada de venezuelanos sem imunização no Brasil, por conta da crise naquele país. Em outros lugares do mundo, o número de sarampo também cresceram assustadoramente.

Para a médica neuropediatra e geneticista Iara Brandão, a importância da imunização abrange toda a sociedade. “Vacinar é uma atitude individual. Deixar de vacinar é um risco coletivo”, resumiu a médica.

A Organização Mundial da Saúde (OMS) classifica a “relutância ou a recusa em vacinar” como uma das dez principais ameaças à saúde global em 2019. Não há tratamento específico para o sarampo.

O estudo completo pode ser acessado em neste link

mapa mundial de prevalência de autismo - Tismoo

Mapa-múndi online mostra todos os estudos publicados sobre prevalência de autismo ao redor do planeta

Ainda não dá para responder à pergunta do título, mas o site Spectrum News lançou um mapa online com uma coleção dos principais estudos científicos publicados a respeito da prevalência de autismo em todo o mundo, que deverá ser constantemente atualizado. O lançamento no site, famoso mundialmente por publicar importantes estudos a respeito do Transtorno do Espectro do Autismo (TEA), aconteceu no dia 5 de novembro de 2018.

No mapa, todo em inglês, cada pesquisa está representada por um ponto azul e, segundo os organizadores, “os pontos mais claros representam estudos que são recomendados pelos especialistas por uma ou mais razões”. Mas eles alertam: “embora esses estudos ainda possam ter falhas em outros aspectos”.

O neurocientista Alysson Muotri, professor e pesquisador brasileiro da Universidade da Califórnia em San Diego (EUA), falou com exclusividade sobre a importância do mapa online: “Esse tipo de ferramenta pode ajudar os cientistas a entenderem melhor quais fatores influenciam na predisposição ao autismo. Sabemos que fatores genéticos são importantes, mas a contribuição do ambiente tem sido difícil de se estudar. Além disso, esse tipo de mapa pode auxiliar na identificação de regiões onde o autismo é ainda pouco conhecido e com baixo diagnóstico. É incrível ver que a maioria dos países não tem informações sobre a frequência do autismo na população. Aposto que um mapa sobre câncer ou doenças neurodegenerativas seria muito diferente”, argumentou ele, que é um dos cofundadores da Tismoo.

Brasil no mapa

E nosso país está no mapa! Nosso único estudo estatístico de prevalência de autismo até hoje, uma pesquisa-piloto de 2011 (com dados coletados em 2007), realizada pela Universidade Presbiteriana Mackenzie na cidade de Atibaia (SP) — a pesquisa foi feita apenas em um bairro de 20 mil habitantes da cidade (veja versão em português do estudo) — com resultado de 27,2 por 10.000 (ou 1 criança com autismo a cada 367).

A psicóloga Sabrina Bandini Ribeiro, doutora em psiquiatria e psicologia médica e uma das autoras do estudo pioneiro no Brasil, destacou a importância de pesquisas com essas: “A importância maior é ajudar a pensar políticas públicas, pois conseguimos ter ideia de quem são e onde estão nossos autistas”, argumentou ela.

Na América do Sul, além dos números brasileiros, há ainda estudos de prevalência de autismo da Argentina publicados em 2008 (com dados coletados em San Isidro, de 2004 a 2005) e da Venezuela, também em 2008 (dados de Maracaibo, entre 2005 e 2006). Na América Central, temos apenas dois países: Aruba em 2009 e México em 2016. Todos os países da América Latina têm apenas um trabalho cada.

Particularidades

Explorando o mapa e a linha do tempo, é possível encontrar pesquisas feitas desde a mais antiga publicada, de 1966, no Reino Unido — na região de Middlesex —, até as mais atuais, como as três de 2018: duas nos Estados Unidos e uma na Índia.

Números sui generis, como do Sri Lanka, de 2009, da Indonésia, de 1992, ou da Dinamarca, ainda em 1970 (o que tem os dados mais antigos, de 1962), podem ser explorados no mapa. Um detalhe negativo das informações: o maior país do mundo, a Rússia, não tem nenhum estudo publicado sobre prevalência de autismo, assim como nenhum país do continente africano ainda. A China, maior população do planeta, tem dez trabalhos publicados, de 2000 a 2008 apenas, porém, um deles, em Hong Kong, tem mais de 4,2 milhões de crianças entre 0 e 14 anos, com dados de 1986 a 2005.

O país com mais estudos são os Estados Unidos, com 26 (publicados de 1970 a 2018), seguidos pelo Reino Unidos, com 19 pesquisas (de 1966 a 2013). Há tanto estudos pequenos, como o já citado do Sri Lanka, que contou apenas com 374 crianças (de 1,5 a 2 anos de idade) até grandes, como o dos Estados Unidos, de 2002, no norte da Califórnia, com quase 5 milhões de crianças (de 5 a 12 anos). A respeito dos números de prevalência, o menor índice encontrado foi o primeiro estudo norte-americano, de 1970, com apenas 0,7 para cada 10.000 (ou 1 caso de autismo a cada 14.287 indivíduos) ao de 2018, também dos EUA, com 247 por 10.000 (ou 1 para cada 40 pessoas).

Mais dados

Ao clicar num ponto do mapa, os dados básicos do estudo é mostrado, como prevalência (lógico!), ano, país e região, além de um link para o estudo publicado, para quem quiser ler a pesquisa toda e aprofundar-se — todos em inglês, conforme o padrão internacional. Outra informação mostrada é a categoria, que são três possíveis: AD (Autistic Disorder — em tradução livre para o português: Transtorno Autista), PDD (Pervasive Developmental Disorder — Transtorno Global do Desenvolvimento; ou, equivocadamente traduzido também como, Transtorno Invasivo do Desenvolvimento) ou ASD (Autism Spectrum Disorder — Transtorno do Espectro do Autismo), a depender da época da pesquisa e o termo então utilizado.

Também é possível visualizar os dados como lista (list) ao invés de mapa (map). Outra grande ajuda para explorar os dados é a possibilidade de usar filtros de critérios como tamanho da amostragem, tipo de estudo ou valor da prevalência, além da linha do tempo com os anos de estudo e publicação.

A Spectrum promete colocar filtros com mais opções futuramente e atualizar o mapa constantemente conforme novos estudos forem publicados mundo afora.

O endereço do mapa online é prevalence.spectrumnews.org.