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Com seletividade alimentar, Marco Antônio, de 9 anos, só aceita comer um biscoito específico

É muito comum que pessoas com autismo tenham seletividade alimentar. E este é o caso de Marco Antônio, de 9 anos, de Dourados (MS), que ganhou destaque na imprensa há alguns dias. O garoto só come um biscoito específico, que acabou de sair de linha. A mãe, porém, conseguiu convencer a empresa a continuar fabricando o produto para o filho até o fim do ano e ter tempo de tentar fazer uma transição para outro biscoito.

Noticiado pelo portal G1 e pelo jornal Estado de Minas, a história repercutiu nas redes sociais. O biscoito que Marco Antônio tanto gosta é o “Marilan Amanteigado Leite”, fabricada em Marília (SP), com um orifício em formato de coração no centro. O produto, no entanto, foi reformulado e saiu de linha como era, passando a ter um novo formato e com orifício circular.

A enfermeira Loreta Toffano contou ao G1 que costumava comprar cerca de 20 pacotes desse biscoito para o filho Marco Antônio. No entanto, no último dia 5.jun.2020, ela foi ao supermercado e percebeu que o produto havia mudado de formato.

“Mesmo assim eu comprei no novo formato, para tentar, mas ele tem todo um ritual, como é comum para [algumas] crianças autistas. Ele pega o biscoito, olha bem, faz uma inspeção visual, cheira, aí quebra bem no meio do coração. Se quebrar torto, ou se tiver um trincadinho, ele não come. Ele pegou o biscoito no formato novo, olhou, cheirou e deixou de lado”, lembra a mãe.

Loreta fez um apelo nas redes sociais, postando em seu Instagram um pedido à fabricante. De início, eles só lamentaram. Depois, com a repercussão do caso, a empresa disse que não seria possível manter o formato antigo no mercado, mas garantiu que o menino vai receber exclusivamente o biscoito do jeito que gosta até o final do ano de forma gratuita, além de enviar outros modelos de biscoito para ver se o menino aceita e tenha mais uma opção.

Em nota ao Portal da Tismoo, a empresa respondeu: “Desde a sua fundação, a Marilan sempre teve o comprometimento de contribuir com a sociedade.  E temos a cultura de estimular todo time a fazer o mesmo, ajudando com o que estiver ao nosso alcance. A empresa acredita que compromisso, foco, seriedade, empatia e cooperação são valores capazes de criar um mundo melhor para todos”.

Agora é torcer para essa transição dar certo. Outro caso bem semelhante aconteceu em novembro último (2019). Foi com um menino, de 10 anos, em Alagoas, noticiado pelo Razões Para Acreditar.

Seletividade alimentar

A alimentação é um assunto muito delicado e uma queixa muito frequente dos pais de autistas. Não apenas pela angústia, pelo risco de deficiências nutricionais, mas pelo momento da refeição se tornar um momento de estresse.

Para pessoas com Transtorno do Espectro do Autismo (TEA), essa dificuldade na alimentação é bem comum, pois recebem interferência direta de estímulos sensoriais.

Leia nosso artigo “A seletividade alimentar e o autismo” para saber mais a respeito do assunto.

 

A startup de biotecnologia investiu em tecnologia para fazer coleta de saliva à distância para o conforto das pessoas com autismo

Em meio à pandemia de Covid-19, os exames genéticos da Tismoo continuam sendo realizados com a maior segurança possível. Remotamente e utilizando tecnologia de ponta para fazer um exame de excelência utilizando-se saliva, as pessoas com autismo e suas famílias sempre tiveram esta opção na empresa (desde o início, em 2016) e agora segue como a única recomendação.

 “A coleta do material biológico para extração do DNA é feita por saliva por ser um procedimento de fácil obtenção, não invasivo e indolor.”, explicou a bióloga Graciela Pignatari, cientista cofundadora da Tismoo, doutora em biologia molecular. Com a mesma qualidade e eficiência que o sangue, foi o investimento em tecnologia que garantiu à Tismoo a possibilidade de evitar o desconforto — sobretudo às pessoas que têm hipersensibilidade sensorial — e continuar com o mesmo padrão internacional de qualidade e eficiência fazendo seus exames genéticos com a utilização de saliva.

Priscylla Kamin, que lidera o atendimento da startup de biotecnologia, explica: “Enviamos o kit de coleta junto com a documentação diretamente para a residência do paciente e para envios nacionais o custo da logística (envio e devolução do kit) já está incluso no valor do exame. Toda a logística é feita pelos Correios e sendo possível acompanhar online pelo rastreio”, explicou ela. “O prazo de reenvio da amostra para a Tismoo é de até 30 dias. Lembrando que quanto antes enviar, mais rápido será a entrega do resultado”, completou.

Até o momento, a Tismo não tem parceria com outros laboratórios, mas a coleta é bem simples e vai com as instruções, então o responsável mesmo que pode realizá-la e em caso de dúvidas há um canal de atendimento por Whatsapp, de segunda a sexta-feira, das 9h00 às 18h00 para orientações.

“O preparo é  simples. Basta meia hora de jejum, inclusive de água, antes da coleta”, destacou Priscylla.

Desta forma, a Tismoo continua fazendo seus exames genéticos atendendo, não só a todo o território brasileiro, como também a outros países.

Como fazer

A Tismoo envia, com o kit de coleta de saliva, um guia com todos dos detalhes do procedimento em sete passos simples de serem executados e seguros.

Como fazer a coleta de saliva na Tismoo no exame genético para autismo

PDF

Abaixo, faça o download do PDF e veja as orientações enviadas pela Tismoo.

Revista Autismo faz live para debater pesquisa científica que confirmou a ineficácia para tratar autismo com células de cordão umbilical

O neurocientista dr. Alysson Muotri esclareceu, na última sexta-feira (29.mai.2020), que tratamento para o Transtorno do Espectro do Autismo utilizando células-tronco de cordão umbilical — as chamadas células mesenquimais — não é eficaz, segundo estudo científico publicado recentemente no The Journal of Pediatrics. A explicação aconteceu em uma live (transmissão ao vivo via internet) realizada no perfil do Instagram da Revista Autismo (@RevistaAutismo).

O brasileiro Muotri, que é professor da faculdade de medicina da Universidade da Califórnia em San Diego (UCSD) e cofundador da Tismoo, explicou que o estudo foi um ensaio clínico fase 2, feito pela Duke University e 100% financiado por filantropia. Ele ainda pediu ajuda para denunciar clínicas que cobram por esse tipo de tratamento, que antes do estudo publicado já não tinha evidência de que funcionaria. Agora, entretanto, está cientificamente comprovado que as células mesenquimais não funcionam e são ineficazes para o tratamento de autismo.

O estudo completo pode ser acessado neste link ou em PDF.

Exames genéticos

Em live, Alysson Muotri fala sobre estudo que refuta tratamento com células-tronco para autismo — TismooNa live, o neurocientista ainda explica sobre quais exames e tratamentos têm comprovação científica, como terapia comportamental ABA (Applied Behavior Analysis), integração sensorial e exames genéticos (como CGH-Array e sequenciamento genéticos do genoma e do exoma).

Aliás, falando de exames genéticos, Muotri explicou como a Tismoo tem feito seus exames à distância, o que já era uma opção desde o início, agora é a recomendação. “Os kits de coleta de saliva são enviados via correio, sem contato pessoal. São devolvidos pelo correio também e as consultas pós-teste para explicar os resultados dos exames à família e ao médico são feitas por videoconferência”, relatou ele, destacando que não é preciso usar sangue para os exames genéticos da Tismoo. O uso das mais novas tecnologias permitem não necessitar de coletas invasivas para pessoas com autismo, como a de sangue, evitando a muitas delas um grande desconforto.

Veja o vídeo completo da live no IGTV (Instagram TV) da @RevistaAutismo em: https://www.instagram.com/tv/CAyocVvl7sI/

Os 10 episódios restantes da terceira temporada estão disponíveis na Globoplay

Desde o início do mês (8 de maio de 2020), os dez episódios restantes que completam a terceira temporada da série The Good Doctor no Brasil, exibida pela Globoplay, estão disponíveis. Nos Estados Unidos, essa outra metade da terceira temporada estreou dia 13 de janeiro de 2020, no canal ABC. Outra boa notícias para os fãs é que já está confirmada a quarta temporada para a série.

Desde que estreou no Brasil, The Good Doctor  já ganhou exibição em canais da TV aberta (Globo) e fechada (no canal GNT), além de um especial de divulgação dentro do Tela Quente com os dois primeiros episódios.

Sucesso de audiência aqui e nos Estados Unidos, a série, lançada em 2017, conta a história de Shaun Murphy (interpretado por Freddie Highmore), um jovem médico que tem autismo e sai do interior para começar a trabalhar em um grande e famoso hospital, o St. Bonaventure Hospital, na agitada cidade de San Jose, na Califórnia (EUA). O jovem residente de medicina tem um grande talento diagnóstico — com memória fotográfica e uma lógica de pensar diferente dos demais, apesar de dificuldades sociais para lidar com certas situações com pacientes, colegas e seus superiores. Pela sua atuação, o protagonista foi indicado a um Globo de Ouro em 2018.

Para essa outra metade da terceira temporada, pode-se esperar várias reviravoltas na história e até mesmo um triângulo amoroso. Vale assistir!

Saiba mais em nossos artigos: “The Good Doctor estreia 3ª temporada“, “Série The Good Doctor será exibida pela Globo semanalmente“, “Série The Good Doctor estreia 2ª temporada no Brasil” e “Globo estreia no Brasil a série The Good Doctor, sobre médico autista“.

The Good Doctor completa 3ª temporada no Brasil — Tismoo

A jovem ativista sueca foi indicada ao prêmio em 2019 e 2020 por sua luta contra o aquecimento global

Com apenas 17 anos de idade, Greta Thunberg e seu movimento “Sextas-Feiras para o Futuro” (“Fridays For Future”, no original em inglês) foi, pela segunda vez, indicada ao Prêmio Nobel da Paz. Protestando contra o aquecimento global, em favor da defesa do meio ambiente, a jovem militante autista tem como hiperfoco os problemas ecológicos do planeta. Em pouco tempo, o movimento da sueca tornou-se global e a mensagem chegou a inúmeros líderes importantes ao redor do mundo.

No documento da indicação, enviado por parlamentares da Suécia, a justificativa é de que o tema ganhou tanta importância e destaque em função da jovem e seu movimento: “Greta Thunberg é ativista climática e a principal razão pela qual merece o prêmio Nobel da Paz é que, apesar de sua juventude, não deixa de alertar os líderes da crise climática”, escrevem Jens Holm e Håkan Svenneling ao Comitê Nobel da Noruega. “Sextas-feiras para o Futuro é o movimento criado em torno de Greta Thunberg. Sem ele e Greta Thunberg, a questão climática não teria ganhado tanta importância”, explicaram os signatários da indicação.

Indicada ao Nobel da Paz, autista luta contra mudanças climáticas: Greta Thunberg — Tismoo

Vale relembrar o início desta trajetória. Greta, com autismo leve — à época diagnosticada com Síndrome de Asperger —, iniciou um movimento de greves escolares às sextas-feiras. Sozinha, ela começou a ir em frente ao parlamento sueco, em agosto de 2018, com um cartaz escrito “Greve escolar pelo clima” — frase que se tornou o lema do movimento — e logo jovens preocupados com as mudanças climáticas sentiram-se representados por ela e a greve recebeu o engajamento de toda a Suécia. Em seguida, espalhou-se rapidamente para toda a Europa, para em pouco tempo tornar-se global.

Pandemia

Com a pandemia do novo coronavírus, a jovem autista doou um prêmio de US$ 100 mil (cerca de R$ 580 mil) que recebeu da fundação dinamarquesa Human Act para a Unicef (Fundo das Nações Unidas para a Infância) para auxiliar na luta contra o coronavírus: “Assim como a crise climática, a pandemia de coronavírus é uma crise dos direitos das crianças”, afirmou ela, em um comunicado divulgado pelo Unicef (Fundo das Nações Unidas para a Infância), no último dia 30 de abril.

Numa live no Instagram no início de abril, Greta destacou a importância da ciência neste momento: “O ensinamento é que temos e podemos agir nas crises. Essa pandemia é uma tragédia e está tirando vidas. Temos que fazer tudo o que é possível. Temos que espalhar a informação dos especialistas e agir com responsabilidade”. Greta estava em um apartamento emprestado, onde está morando sozinha temporariamente por ter apresentado sintomas de covid-19 e se isolou de sua família. “Estou com sintomas leves, mas não posso fazer o teste, porque aqui na Suécia só os casos emergenciais fazem o exame”, explicou ela.

Leia mais no nosso artigo do ano passado, sobre a primeira indicação de Greta ao Nobel (Indicada ao Nobel da Paz, autista luta contra mudanças climáticas) e quando ela foi capa da revista Time (Greta é escolhida personalidade do ano pela revista Time).

Dicas são publicadas nas redes sociais e ilustradas com o André, o personagem autista da Turma da Mônica

O Instituto Mauricio de Sousa e a Revista Autismo uniram-se para publicarem diariamente nas redes sociais dicas para famílias com as crianças neste momento de isolamento social por conta da pandemia do novo coronavírus, especialmente para autistas. São mais de vinte dicas, publicadas todos os dias para orientar e dar ideias e sugestões para melhorar o dia a dia da rotina em casa.

O diretor executivo do Instituto, Amauri de Sousa, elogiou a iniciativa: “Conteúdos por meio de uma linguagem clara e lúdica estimulam o desenvolvimento humano, à inclusão social, o incentivo à leitura, o respeito entre as diferenças, além da formação de cidadãos conscientes e conhecedores de seus deveres e direitos”.

Dica todo dia

Na quarentena, Instituto Mauricio de Sousa e Revista Autismo dão dicas diárias para autistas

Dicas — como a primeira publicada —, de criar um ambiente propício, um cantinho mais silencioso reservado para as atividades, foram dadas pela Neuro Days, um centro de avaliações neuropsicológicas que faz atendimentos por valores sociais, de acordo com a situação socioeconômica e personalizada para cada família, com profissionais que atuam nas grandes universidades como a Unifesp e USP.

Para a neuropsicóloga Deise Ruiz, fundadora do Centro de Avaliações Neuro Days e mestranda em psiquiatria e psicologia médica, a ação é extremamente útil para as famílias neste momento de isolamento social. “Pequenas ideias e sugestões neste momento podem ser muito valiosas para todos”, disse ela, que elaborou as dicas junto com toda sua equipe.

As dicas diárias, que começaram a ser publicadas na última quarta-feira, 29.abr.2020, são sempre ilustradas com o André, o personagem autista da Turma da Mônica, que tem histórias exclusivas publicadas a cada edição da Revista Autismo, desde o início do ano passado.

Anvisa aprova produto à base de canabidiol — Tismoo

Apesar de não ser considerado um medicamento, será exigida receita médica de controle especial

A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) autorizou a comercialização de um fármaco à base de canabidiol (CBD) após ter aprovado seu registro, em resolução publicada no dia 22.abr.2020, no Diário Oficial. Trata-se de um produto e não um medicamento, pois ainda não passou por todas as fases que comprovassem sua eficácia.

Desde 10 de março de 2020 está em vigor uma resolução que cria uma nova categoria de produtos derivados de cannabis. A partir então, as empresas interessadas nessa comercialização já puderam solicitar o pedido de autorização à Anvisa.

Concentração de THC

Pelo regulamento, o produto — um fitofármaco, com concentração de THC (Tetra-hidrocanabinol) de até 0,2% — será o primeiro à base de cannabis aprovado pela agência para ser comercializado em farmácias e drogarias “exclusivamente sob a dispensação de um farmacêutico”, segundo o gerente de medicamentos específicos da Anvisa, João Paulo Silvério Perfeito. Ou seja, só poderá ser comprado com receita médica de controle especial (tipo B).

Já os produtos com concentrações de THC superiores a 0,2% só poderão ser prescritos a pacientes terminais ou que tenham esgotado as alternativas terapêuticas de tratamento. Nesse caso, o receituário para prescrição será do tipo A, com validade de 30 dias, fornecido pela Vigilância Sanitária local, padrão semelhante ao da morfina, por exemplo.

Segundo a Anvisa, “o canabidiol poderá ser prescrito quando estiverem esgotadas outras opções terapêuticas disponíveis no mercado brasileiro”. Em nota à imprensa, a agência esclareceu que os pacientes devem ser informados sobre o uso do produto, quando prescrito: “As informações fornecidas devem contemplar: os riscos à saúde envolvidos; a condição regulatória do produto quanto à comprovação de segurança e eficácia, informando que o produto de Cannabis não é medicamento; os possíveis efeitos adversos, como sedação e comprometimento cognitivo e os cuidados na utilização”.

Pesquisas

Em vários países, diversos estudos têm sido feitos para verificar os benefícios do canabidiol em pessoas com autismo, principalmente para controle de epilepsia e distúrbios do sono. As pesquisas, porém, ainda não são conclusivas para o autismo. Estima-se que teremos um ensaio clínico prospectivo somente daqui um ou dois anos. O CBD, por enquanto, é aprovado apenas para alguns casos de epilepsia. O neurocientista Alysson Muotri, cofundador da Tismoo, se surpreendeu com a decisão da Anvisa. “O que foi aprovado contém o THC, substância que até agora foi muito menos estudada em relação ao cérebro em desenvolvimento. Achei um pouco precoce esta ação da Anvisa”, enfatizou ele.

De acordo com a Anvisa, a regra para o registro de medicamentos novos ou inovadores prevê a realização de pesquisas clínicas que sejam capazes de comprovar a eficácia desses produtos, além de outros requisitos para o seu enquadramento como medicamentos. O atual estágio técnico-científico em que se encontram os produtos à base de cannabis no mundo não é suficiente para a sua aprovação como medicamentos. A nova categoria permite que os pacientes no Brasil tenham acesso a esses produtos.

Importações excepcionais

As importações de produtos derivados de cannabis, como o canabidiol, continuam autorizadas de acordo com a Resolução da Diretoria Colegiada (RDC) 335/2020. Para a solicitação dessa autorização, é necessário acessar a página de serviços do Governo Federal e preencher o formulário eletrônico de autorização para importação excepcional de canabidiol.

Diagnósticos de autismo continuam aumentando, com abrangência em todas as classes, raças e etnias

Os Estados Unidos divulgaram novos números da prevalência de autismo: 1 para 54. Os dados estatísticos foram publicados ontem (26.mar.2020) pelo CDC (Centers for Disease Control and Prevention — o Centro de Controle de Doenças e Prevenção do governo dos EUA). O aumento é de 10% em relação ao número anterior, de 2014, que era de 1 para 59.

A estatística, divulgada a cada dois anos pelo CDC, continua mostrando a proporção de quatro meninos para cada menina (4,3 para um, para ser exato) e refere-se a crianças de 8 anos nos Estados Unidos, em 11 estados, e são de informações coletadas em 2016, sempre de 4 anos atrás. Estas estimativas de prevalência são baseadas em registros educacionais e de saúde coletados pela Rede de Monitoramento de Autismo e Deficiências do Desenvolvimento do CDC.

Sem discriminação

Pela primeira vez, os números do CDC mostram uma prevalência quase idêntica em crianças negras e brancas. Pesquisadores já sinalizavam uma suspeita de que as diferenças vistas anteriormente refletiam um viés contra grupos não brancos, ao invés de uma real diferença de prevalência entre eles. Contudo, nos Estados Unidos, a prevalência em crianças de origem hispânica ainda fica abaixo dos números de outros grupos étnicos.

“A diferença na prevalência de autismo entre grupos humanos não é biológica, mas social. Autismo não discrimina”, comentou o neurocientista brasileiro Alysson Muotri, cofundador da Tismoo e professor da faculdade de medicina da Universidade da Califórnia em San Diego, Califórnia (Estados Unidos), referindo-se aos diagnósticos acontecerem em quem tem melhores condições financeiras. 

O estudo destaca que o Transtorno do Espectro do Autismo (TEA) está presente em todos os grupos raciais, étnicos e socioeconômicos Ou seja, esta condição de saúde está em todas as classes, mas só tem o diagnóstico — e, portanto, tem ou busca um tratamento — quem tem acesso a melhores condições sociais. Os demais continuam sem diagnóstico, sem constar nas estatísticas. Um bom exemplo é o Brasil, praticamente ainda sem números de prevalência (teve só uma pesquisa-piloto), e todo o continente africano sem qualquer estudo de prevalência de TEA. Veja o mapa online de prevalência feito pela Spectrum News. (veja em nosso artigo “Quantos autistas há no mundo?“)

Diagnóstico precoce

EUA tem novo número de prevalência de autismo: 1 para 54 — TismooO acompanhamento de crianças de quatro anos num relatório do CDC sugere que o número de diagnósticos precoces aumentou de 2014 para 2016, sugerindo que cuidadores e profissionais de saúde estão detectando e suspeitando de autismo mais cedo. Se a tendência continuar, dizem os especialistas, a prevalência entre as crianças de 8 anos continuará a aumentar. Essa também é a opinião da bióloga molecular Graciela Pignatari, cofundadora da Tismoo: “Há dez anos, mal sabíamos o que era autismo e hoje nós todos desta comunidade estamos cada vez mais na mídia. Apesar de ainda ter muito preconceito, já sabemos que o autismo é um espectro e que faz parte da neurodiversidade, que é uma condição genética e majoritariamente hereditária, um fator importante nesse aumento”. A cientista ainda ressalta a importância da formação profissional “para que o diagnóstico e intervenções sejam cada dia mais precoces”. Os diagnósticos continuam sendo clínicos, mas os exames genéticos têm ganhado cada vez mais importância para uma segunda camada do diagnóstico, além de poder diferenciar autismo essencial de sindrômico. (leia nosso artigo “A ‘segunda camada’ do diagnóstico de autismo“)

Parte do aumento da prevalência pode ter relação com o progressivo movimento de conscientização da sociedade e também entre os profissionais de saúde sobre a necessidade de triagem e tratamento do TEA. Mas, especialistas dos EUA observam alguma contribuição da maior inclusão de crianças de diferentes grupos raciais e étnicos aos diagnósticos e tratamentos naquele país.

A crescente prevalência em crianças indica que adultos autistas também precisam de mais consideração, diz Catherine Rice, diretora do Emory Autism Center, em Atlanta (Geórgia). Segundo as novas estimativas, cerca de 75 mil adolescentes autistas se tornarão adultos a cada ano, disse ao Spectrum News, confirmando que o autismo é uma “importante condição de saúde pública”.

O estudo do CDC completo (em inglês) está disponível em: https://www.cdc.gov/mmwr/volumes/69/ss/ss6904a1.htm?s_cid=ss6904a1_w.

 

Com informações do CDC, Revista Autismo e Spectrum News.

Experiência está sendo feita no sul da Califórnia, nos Estados Unidos

Em pessoas com autismo, a interação social é prejudicada em algum nível. Isso fica ainda mais evidente em ambientes escolares, ambiente em que muitas crianças e adolescentes enfrentam dificuldades no aprendizado. Algumas pesquisas sugerem que robôs com habilidades para dar um auxílio social podem ajudá-los nesse processo, mas apenas se a máquina conseguir interpretar com precisão o comportamento do estudante e reagir adequadamente.

Essa é a missão que pesquisadores do Departamento de Ciência da Computação da Universidade do Sul da Califórnia (USC) assumiu. Eles desenvolveram robôs de aprendizado personalizado para autistas, além de terem investigado se os equipamentos poderiam estimar o grau de interesse dos alunos em uma atividade usando o aprendizado de máquina (machine learning).

Nos testes, foram colocados robôs de assistência social nas casas de 17 crianças com autismo, durante um mês. Os equipamentos tiveram as instruções personalizadas para os padrões de aprendizagem de cada estudante ao longo das intervenções. Passado esse período, os cientistas também analisaram o envolvimento dos participantes e se o robô foi capaz de detectar autonomamente se os pequenos estavam ou não interessados e participativos, com 90% de precisão. Os resultados foram publicados nas revistas Frontiers in Robotics and AI e Science Robotics. Segundo os pesquisadores, esse é um dos maiores estudos do gênero já realizado.

Veja o robô em funcionamento na reportagem da Newsweek ou abaixo, no vídeo da National Science Foundation.

 

Sequenciamento do coronavírus mostra importância da genética — Tismoo

Genoma ganha cada vez mais relevância para a ciência e medicina personalizada em

Cientistas brasileiros sequenciaram em tempo recorde o genoma do novo coronavírus encontrado no Brasil: 48 horas. O trabalho foi feito pelos pesquisadores do Instituto de Medicina Tropical da Universidade de São Paulo (IMT-USP) e do Instituto Adolfo Lutz (IAL), em parceria com cientistas britânicos da Universidade de Oxford.

O sequenciamento genético, que normalmente leva 15 dias para ser realizado, foi concluído em 48 horas no caso do primeiro paciente identificado com a doença no Brasil. O genoma do vírus encontrado no segundo caso brasileiro confirmado também foi sequenciado pela mesma equipe.

Duas cientistas brasileiras se destacaram: Ester Sabino, diretora do Instituto de Medicina Tropical da USP e coordenadora do Centro Conjunto Brasil-Reino Unido para Descoberta, Diagnóstico, Genômica e Epidemiologia de Arbovírus (Cadde), especializado em epidemias de arboviroses, como dengue e Zika, e a pós-doutoranda na Faculdade de Medicina da USP Jaqueline Goes de Jesus, que coordenou o sequenciamento, bolsista da agência de fomento Fapesp. Além das duas,o pesquisador Claudio Tavares Sacchi, do Instituto Adolfo Lutz atuou em colaboração.

Recorde

“Em média, os países estão conseguindo fazer o sequenciamento em 15 dias. Queríamos fazer em 24 horas, bater o recorde, mas não funcionou tudo (no processo). Fizemos em 48 horas, como o Instituto Pasteur (na França)”, disse Ester à BBC News Brasil. Vale destacar que o coronavírus tem aproximadamentes 30 mil pares de bases, enquanto o genoma humano tem 3,1 bilhões, o que aumenta muito a rapidez deste processo com organismos mais simples.

O sequenciamento genético tem sido cada vez mais utilizado para sabermos mais sobre todos os organismos, inclusive vírus e bactérias. Não é somente uma das mais importantes ferramentas da medicina já no presente, mas da ciência como um todo.

A Tismoo sempre apostou na genética como o principal caminho para a medicina personalizada, o que tem sido confirmado não só com casos como este, que demonstra a relevância do sequenciamento do genoma para a ciência, com doenças virais, como no estudo publicado há menos de um ano confirmando que o autismo risco de autismo é de 97% a 99% genético (leia nosso artigo sobre esse estudo) — sendo 81% hereditário.