Nancy Pereira da Costa – Friendship Circle Brasil

Somos todos seres humanos e, como tal, somos sociais e diversos. Vivemos em grupo e somente assim conseguimos satisfazer nossas necessidades afetivas, emocionais e de sobrevivência. Neste convívio muitas vezes descobrimos um sentimento positivo, que provoca a sensação de bem-estar gerando prazer e satisfação. Para este sentimento damos o nome de amor.

O amor é um sentimento de gostar muito de alguém, o que leva a querer fazer o bem para a pessoa e, com isso, o desejo de dividir seu tempo com ela.
O mês de junho chegou e com ele vem a celebração nacional do Dia dos Namorados. A palavra ‘namorado’ tem sua origem na expressão espanhola estar “en amor”, que forma o verbo “enamorar”. O namoro é a relação afetiva entre duas pessoas que se unem pelo desejo de estarem juntas e partilharem novas experiências por um tempo. É neste período que podemos validar nossa sexualidade e, assim, compartilhá-la com quem amamos.

A sexualidade é parte integrante da personalidade. As necessidades afetivo-sexuais mediatizam as relações que se estabelecem ao longo de nossas vidas. É uma energia humana que cria comunhão entre a preservação da vida e a alegria de viver, que se mostra de diversas formas em todas as idades e fases do desenvolvimento humano. Entretanto, não são todos que podem viver o momento do namoro, e um exemplo são algumas pessoas com deficiência intelectual.

Existem mitos e lendas criadas ao longo da história, que desfavorecem o namoro das pessoas com deficiência intelectual. Arquétipos criados pela sociedade rotulando-as como não controladoras de seus impulsos sexuais; assexuadas ou que possuem a sexualidade exacerbada; são inférteis; ou são carentes de responsabilidades.

Essas crenças de alguns são fatores impeditivos, que muitas vezes impossibilitam as pessoas com deficiência de se relacionarem com outras inviabilizando a possibilidade de se enamorarem por alguém.

A Lei Brasileira de Inclusão (LBI), em seu artigo 6º, define que a deficiência não afeta a capacidade civil da pessoa para se casar ou constituir união estável e exercer direitos sexuais e reprodutivos; ter acesso a informações adequadas sobre reprodução e planejamento familiar; conservar sua fertilidade, sendo vedada a esterilização compulsória; exercer direito à família e à convivência familiar e comunitária.

Hoje existem muitos materiais acessíveis que podem colaborar para a orientação e informação das pessoas com deficiência e da sociedade sobre o tema.

Então, namorar para quê?

Namoramos para exercitar o prazer, para se sentir pleno, ter um projeto de vida, para se sentir feliz e, quem sabe, deixar alguém feliz.
Feliz Dia, mês e ano dos namorados!

Namorar para quê? — Tismoo

Nesta foto: os noivos Samuel Sestaro e Isabela Fernandes Correia. Na foto em destaque, mais acima, está o casal Francine Otte Ferreira Lima e Guilherme Campos.

A autora

Nancy Pereira é psicoterapeuta infantil, do adolescente, de adulto e familiar; com especialização na área das deficiências (USP), com enfoque em Gestalt Terapia. Atua na área da educação com o objetivo de enaltecer e valorizar a diversidade como qualidade em uma educação para todos.

Friendship Circle São PauloA Friendship Circle é uma ONG de transformação e inclusão social que oferece às crianças e adolescentes com deficiência e suas famílias, a oportunidade de um convívio social sem preconceito. Visa e trabalha pela transformação da sociedade na criação de um mundo mais empático e inclusivo por meio da promoção da amizade entre crianças e jovens com deficiência e jovens voluntários.Comprar exame

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