Na semana passada publicamos a primeira parte deste post. Se você não viu, clique aqui para ler. A seguir você confere os outros 5 itens que as crianças com autismo gostariam que você soubesse.

6. Sou visualmente orientado

“Como tenho dificuldades com a linguagem, eu me oriento muito pela visão. Então, mais do que apenas falar comigo, mostre-me como fazer alguma coisa. E por favor esteja preparado para me mostrar muitas vezes — repetições insistentes me ajudam a aprender.

Organizar uma “agenda visual” pode me ajudar muito ao longo do dia: ela me salva do stress de precisar lembrar o que vem depois, ajudando-me a transitar mais suavemente entre as atividades, controlar meu tempo e assim atingir as suas expectativas. Essa é uma necessidade que não perco quando ficar mais velho, mas meu “nível de representação” pode mudar. Antes de poder ler eu preciso de orientações visuais com fotografias ou desenhos simples. Na medida em que envelheço, uma combinação de imagens e palavras pode funcionar, e depois só as palavras.”

7. Priorize o que eu posso fazer mais do que aquilo que não posso fazer

“Como qualquer outro ser humano, eu não consigo aprender em um ambiente que constantemente me faz sentir que ‘não sou bom o bastante e preciso me corrigir’. Tentar qualquer coisa nova quando estou quase certo de que vou encontrar críticas, ainda que ‘construtivas’, se torna algo a ser evitado. Procure pelas minhas virtudes e você vai encontrá-las. Existe muito mais do que só um jeito ‘certo’ para fazer a maioria das coisas.”

8. Me ajude nas interações sociais

“Pode parecer que eu não queira brincar com as outras crianças no parquinho, mas algumas vezes eu simplesmente não sei como começar uma conversa ou entrar numa brincadeira. Se você encorajar as outras crianças a me convidarem para brincar, pode ser que eu fique muito feliz em estar incluído. Eu participo melhor em atividades com começo e fim bem definidos. Eu não sei ‘ler’ expressões faciais, linguagem corporal ou emoções das outras pessoas, e seria muito bom ter ajuda para responder de forma adequada. Se dou risada quando alguém cai no chão, não é porque achei isso engraçado, mas é que eu não sei a resposta apropriada. Nesse caso ensine-me a perguntar ‘Você está bem?’.”

9. Tente identificar o que inicia meus surtos

“Surtos, ataques, explosões, ou seja lá como você queira chamar, são ainda mais horríveis para mim do que parecem a você. Eles acontecem porque um ou mais dos meus sentidos se sobrecarregou. Se você conseguir descobrir o porquê de meus surtos acontecerem, eles podem ser prevenidos. Faça anotações sobre as situações, horários, pessoas e atividades. Pode surgir um padrão.

Lembre-se que todo comportamento é uma forma de comunicação. Ele lhe mostra, quando minhas palavras não conseguem, como eu percebo algo que está acontecendo em meu ambiente. Comportamentos que persistem podem ter uma causa médica associada. Alergias a comidas e sensibilidades, distúrbios do sono e problemas gastrointestinais podem ter profundos efeitos no comportamento.”

10. Me ame incondicionalmente

“Elimine pensamentos negativos e frustrados. Não escolhi ter autismo, mas isso está acontecendo comigo e não com você. Sem a sua ajuda minhas chances de sucesso e vida adulta independente são baixas. Com o seu apoio e orientação, as possibilidades são maiores do que imagina. Eu prometo a você, eu valho a pena.

E por último, três palavras: Paciência, paciência e paciência. Procure enxergar o meu autismo mais como uma habilidade diferente do que uma deficiência. Reveja o que você compreende como limitações e descubra as qualidades que o autismo me trouxe. É verdade que tenho dificuldades com contato visual e conversações, mas já percebeu que eu não minto, trapaceio, zombo de meus colegas ou julgo os outros? Também é verdade que provavelmente não serei o próximo Michael Jordan, mas com a minha atenção a detalhes finos e capacidade de foco intenso, posso ser o próximo Einstein, Mozart ou Van Gogh (já pensou que eles podem ter tido autismo também?).

Tudo no que posso me transformar não acontecerá sem você como minha base. Seja meu defensor, meu amigo e veremos o quão longe eu consigo caminhar.”

>> Se não leu, leia a Parte 1 deste texto.

Frustração, alívio, dúvidas, medos, ansiedade. Esses sentimentos são compartilhados por muitos pais quando um filho é diagnosticado com autismo. Por mais que não seja fácil, eles precisam ser fortes para ajudar os seus filhos a superarem juntos os obstáculos desse novo caminho. Afinal, as crianças também enfrentam uma avalanche de emoções.

Se o seu filho pudesse te dizer com clareza tudo o que sente, anseia e precisa, com certeza essa trajetória seria mais fácil. Bom, talvez ele não possa agora, mas existe muita gente no mundo preocupada em entender melhor como as crianças com o Transtorno do Espectro do Autismo (TEA) se sentem. Para ajudar, a escritora Ellen Notbohm, mãe de uma criança autista, escreveu o livro Ten Things Every Child with Autism Wishes You Knew (Dez coisas que toda criança com autismo gostaria que você soubesse). Baseada nas informações que usou em sua obra, Ellen escreveu um artigo abordando de forma resumida esses dez itens. Reproduziremos os principais trechos em dois posts. Este é o primeiro; o segundo você confere aqui. Boa leitura!

1.Mais importante e antes de tudo: eu sou uma criança

“Meu autismo não me define enquanto pessoa, é apenas um aspecto de toda a minha personalidade. Sendo criança ainda estou me descobrindo, portanto nem eu, nem você sabemos ainda do que sou capaz. Me definir por apenas uma característica pode gerar expectativas muito pequenas. Se eu perceber que você não acha que sou capaz, minha resposta natural será: ‘Para que tentar?’.“

2. Minhas percepções sensoriais estão desorganizadas

“Todas as visões, sons, cheiros, gostos e toques do dia a dia que talvez você nem perceba podem ser extremamente dolorosas para mim. Até o próprio ambiente onde vivo pode ser frequentemente hostil. Por isso se eu aparentar estar ausente ou tenso, estou apenas tentando me defender. Minha audição pode ser hipersensível, meu olfato pode ser muito aguçado, minha visão pode estar superestimulada… Meu cérebro não consegue filtrar todos esses estímulos, e eu fico sobrecarregado.”

3. Por favor, lembre-se de distinguir “não quero” de “não consigo”

“Receptividade, linguagem expressiva e vocabulário podem ser grandes desafios para mim. Não é que eu não escute suas instruções, é que eu não consigo entender. Sempre fale comigo diretamente, usando palavras simples, me dizendo o que fazer e o que acontecerá em seguida. Assim fica bem mais fácil para eu cooperar.”

4. Eu penso concretamente, o que significa que interpreto tudo literalmente

“Por isso não me diga “Segure as pontas”, quando o que você quer dizer é “Espere até eu voltar”. Nem fale que uma coisa é “mamão com açúcar” para exemplificar que é “fácil de fazer”. Gírias, trocadilhos, duplos-sentidos, inferências, metáforas, alusões e sarcasmos não fazem sentido para mim.”

5. Meu vocabulário é limitado. Por favor, seja paciente

“É difícil dizer o que preciso quando não conheço as palavras para descrever meus sentimentos. Posso estar com fome, frustrado, amedrontado ou confuso, mas por enquanto estas palavras estão além da minha habilidade de expressão. Então fique atento à minha linguagem corporal, isolamento, agitação e outros sinais de que algo está errado.

Por outro lado, posso me expressar de formas incomuns para o meu nível de desenvolvimento. Estas mensagens eu memorizei do mundo ao meu redor para compensar os meus déficits de linguagem, pois sei que esperam que eu responda quando falam comigo. Elas podem vir dos livros, da TV, da fala de outras pessoas… Esse comportamento é conhecido como “ecolalia”. Não necessariamente entendo o contexto ou os termos que estou usando, apenas sei que isto me tira de alguns incômodos por surgir como uma resposta.”

Continue lendo no próximo post.

Nós já contamos aqui no blog a história do autismo. Mas você já parou para pensar em como viveram (e vivem) os primeiros autistas diagnosticados? Dois jornalistas americanos resolveram falar sobre isso no livro In A Different Key: The Story of Autism (“Em um Tom Diferente: A História do Autismo”, ainda sem tradução para o português). Um dos personagens da publicação é Donald Grey Triplett, o chamado “caso 1” do Transtorno do Espectro do Autismo (TEA).

Do nascimento à internação

Donald Triplett nasceu em 1933, nos Estados Unidos. Seus pais logo perceberam que seu comportamento fugia dos padrões de uma criança da mesma idade: ele não correspondia aos sorrisos da mãe, nem demonstrava reação ao ouvir sua voz. Ao falar, muitas vezes o menino apenas repetia o que ouvia os outros dizerem. Quando seus pais levavam outras crianças para brincar com ele, o garoto não se interessava.

Apesar do comportamento diferente do filho, os pais nunca duvidaram da sua inteligência. Donald tinha uma memória surpreendente, que lhe permitia lembrar desde a ordem das miçangas colocadas aleatoriamente por seu pai em um cordão, até letras de canções que ouviu sua mãe cantar uma única vez — e cantou sozinho aos dois anos e meio de idade. Mas suas habilidades não impediram que em 1937 ele fosse internado por ordens médicas, com apenas 3 anos de idade. Felizmente, a internação não durou muito. Os pais o visitavam todos os meses, até decidirem levá-lo de volta para casa, em 1938.

O diagnóstico

Foi também em 1938 que Donald se consultou com o psiquiatra austríaco Leo Kanner, vindo a se tornar o “caso 1” entre as 11 crianças estudadas pelo médico e diagnosticadas em uma nova condição ainda não relatada em livros, batizada na época de “autismo infantil”. Essas consultas foram o ponto de partida para Kanner publicar um artigo pioneiro estabelecendo padrões para diagnóstico da sua descoberta.

Após as consultas com o psiquiatra, a família Triplett voltou para Forest, cidade onde o menino nasceu e vive até hoje, no estado do Mississippi. Aos 82 anos, Donald é um homem saudável e independente, que convive com amigos, dirige seu próprio carro e pratica golfe. Viajar também está entre seus hobbies: sozinho, ele já conheceu grande parte dos Estados Unidos e alguns outros países. Em resumo, Donald é um aposentado feliz — uma realidade bem diferente da que teria se tivesse continuado internado.

Acolhimento fundamental

Os autores do livro acreditam que a família e os moradores da pequena Forest têm um grande crédito na vida que Donald leva. A mãe sempre estimulou a independência do filho e tentou conectá-lo ao mundo à sua volta. O resultado desse esforço veio com a entrada de Donald em uma escola comum, durante a adolescência, e suas duas graduações em Francês e Matemática. E claro, graças à inteligência e capacidade de aprendizado dele.

O papel dos três mil habitantes de Forest na história de Donald foi percebido pelos autores do livro durante a visita que fizeram à cidade para conversar com ele. Mais do que aceito, Donald Triplett era tratado com um cidadão comum e muito querido pela comunidade local, que o vê como um grande amigo.

É importante lembrar que Donald ainda tem autismo, mas aprendeu a viver com essa condição e a superar o poder que ela poderia ter de limitar sua vida. Alguns comportamentos característicos do espectro ainda persistem, mas nada que o impeça de ser uma companhia agradável para os amigos e um homem independente, de personalidade formada e feliz.

“O que a história de Donald sugere é que pais que escutam pela primeira vez que seu filho é autista devem entender que, com este diagnóstico, o destino nunca está definitivamente traçado. Cada indivíduo tem uma capacidade própria de crescer e aprender, como Donald fez, mesmo que ele leve mais tempo para fazer certas coisas do que a maioria das pessoas”, dizem os autores do livro John Donvan e Caren Zucker. Concordamos totalmente.

Este seu olhar

Quando encontra o meu

Fala de umas coisas

Que eu não posso acreditar

(…)

Ah!, se eu pudesse entender

O que dizem os teus olhos

Elis Regina nem desconfiava, quando escreveu a música “Esse seu olhar”, o quanto a troca de olhares para crianças com Transtorno do Espectro do Autismo tem um significado maior até que os cantados em seus versos.

Pesquisadores da Universidade de Vermont, nos Estados Unidos, reuniram um grupo de crianças com e sem a condição TEA para analisar seus olhares e reconhecer sinais do espectro. Através do Skype eles conversaram com 37 crianças com idades entre 6 e 12 anos, sendo 18 delas autistas. Durante o diálogo os cientistas usaram o Mirametrix S2, um software que utiliza luzes infravermelhas para identificar a localização das posições oculares.

Os pesquisadores e as crianças falaram sobre gostos e rotina. Em um segundo momento a conversa foi direcionada para assuntos emocionais (o que deixa a criança feliz, assustada ou triste). O objetivo era analisar se haveria ou não movimentação do olhar à medida que a conversa fluísse de um tema ao outro. E foi aí que eles perceberam as diferenças.

No início da conversa todas as crianças mantiveram contato visual com os entrevistadores. Já quando o assunto mudou para os sentimentos, as crianças autistas desviaram o foco do olho para a boca de quem falava. Segundo Tiffany Hutchins, autora do estudo, essa movimentação aconteceu porque as conversas emocionais exigem mais das funções cognitivas. Sobrecarregadas, as crianças com a condição TEA reagiram buscando um ponto com menos informações a processar do que os olhos.

Segundo os cientistas responsáveis pela análise, pessoas com o espectro dão muito importância ao que é falado, mas a mudança de direção ocular prejudica a captação de informações subjetivas transmitidas pelo olhar e pelas expressões faciais. Com essa descoberta os pesquisadores esperam influenciar positivamente as terapias para estudantes autistas, ao demonstrar que forçar as crianças a manterem contato visual na interação com outras pessoas pode deixá-las nervosas, dispersas e ansiosas, trazendo resultados opostos aos esperados. Nem sempre olhos nos olhos é o melhor ponto de partida.

No sábado, 24 de setembro, realizamos em São Paulo o evento “A luz de um novo olhar”, organizado para celebrar a conquista de sermos o primeiro laboratório do mundo dedicado exclusivamente a análises genéticas focadas em medicina personalizada para tratamento do Transtorno do Espectro do Autismo (TEA).

Durante o encontro, médicos e cientistas reconhecidos internacionalmente ofereceram a mais de 200 pessoas presentes no Museu de Arte Moderna, no Parque Ibirapuera, informações sobre a Tismoo e o TEA. A procura pelas vagas presenciais foi tão grande a ponto de se esgotaram rapidamente. Para atender a todos os pais e profissionais de saúde que desejavam assistir as palestras, foi feita uma transmissão online ao vivo, via Facebook. Através dela mais de 500 pessoas de todo o Brasil acompanharam o evento à distância. E agora você também pode assisti-lo, na íntegra, quantas vezes quiser:

Veja o que algumas pessoas comentaram sobre o evento no Facebook:

“Obrigada pela oportunidade maravilhosa e pela esperança que fizeram renascer em nós, família e autistas.” Aparecida Ribeiro

“A Tismoo representa o que sempre sonhei como terapeuta e neurocientista: a pesquisa translacional, trazer o conhecimento para quem precisa e se beneficia com ele — a população e os profissionais. Parabéns ao time Tismoo. Sinto-me honrada em participar deste evento-marco, ainda que online.” Vânia Canterucci

“Acompanho a Tismoo desde o início… Tenho dois filhos de 6 anos, autistas, e como sonho que essa realidade um dia seja acessível a eles. Oro por cada um de vocês.” Débora Gomes

“Estou fazendo com a Tismoo o mapeamento genético do meu Felipe. Ansiosa pelas novidades.” Aparecida Ribeiro

“Vejo na Tismoo um futuro melhor para meu filho.” Maia Renata Querlei De Almeida

“Tismoo obrigada pela oportunidade!! Eu estava lá!! Foi maravilhoso!!” Thais

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Se a história é uma disciplina que nos permite conhecer o passado para compreender o presente, no Transtorno do Espectro do Autismo (TEA) não é diferente. O avanço dos anos fez avançarem também os estudos e o diagnóstico do TEA. Mas até chegarmos no patamar atual, e na descoberta do mapeamento genético como caminho de investigação, muita coisa aconteceu.

Se antes o autismo era considerado uma condição rara, hoje pode-se dizer que é um dos maiores grupos minoritários do mundo — o Centro de Controle e Prevenção de Doenças dos Estados Unidos estima que uma em cada 59 crianças norte-americanas estão dentro do espectro. Para ajudar as pessoas a entenderem toda essa trajetória, desde os primeiros casos identificados no mundo até o diagnóstico preciso do TEA, o escritor de temas científicos, Steve Silberman, fez uma rápida palestra sobre o assunto na série de conferências TED. Seu vídeo já foi visto por mais de 1 milhão de pessoas e traduzido para 25 idiomas, inclusive o português. Assista abaixo:

(Atualizado em abril/2018 com novos números do CDC)

O diagnóstico de um dos transtornos do espectro do autismo vem, inevitavelmente, acompanhado de uma bateria de idas a médicos, fisioterapeutas, psicólogos e fonoaudiólogos. É fundamental buscar as informações médicas e recomendações de terapias para ajudar no desenvolvimento do autista, já que quanto antes o paciente for acompanhado, melhores são as perspectivas de evolução de suas funções. No entanto, essa jornada não costuma ser acompanhada apenas por esses especialistas. Grande parte dos pais busca apoio em grupos e associações que compreendem a situação por vivê-la de dentro. Contar com a ajuda de pessoas que convivem com o mesmo problema é uma forma de amenizar aquela sensação de “estar perdido”.

Existem inúmeras organizações, blogs e grupos de pais, online e offline, que oferecem suporte às famílias que convivem com o autismo. Separamos algumas opções que podem compartilhar histórias e dar o apoio necessário tanto no momento do diagnóstico, quanto na adaptação às novas necessidades que o autista precisa:

  • Associação Brasileira de Autismo (ABRA): primeira associação de pais e amigos de autistas no Brasil, a ABRA oferece não apenas apoio às famílias, mas trabalha por políticas públicas de inclusão e possui uma série de entidades afiliadas em todo o Brasil.
  • Lagarta Vira Pupa: Andrea se tornou famosa por compartilhar sua rotina e aprendizados com o filho Théo, autista de 7 anos. O site virou referência e ela já publicou um livro sobre o assunto.
  • Fada do Dente: a ONG se dedica a pesquisar o autismo. Além de ser possível participar do projeto de pesquisa, o site reune notícias e informações importantes sobre o assunto.
  • TEApoio: Mariana, mãe de gêmeos autistas, começou o grupo para partilhar suas experiências com pais novatos. O objetivo é que as famílias possam conversar e trocar informações sobre suas vivências.

Essas são apenas alguns exemplos de onde você pode encontrar apoio de quem conhece — e vive — o autismo “de dentro”. O importante é saber que o autismo não afeta apenas uma pessoa, toda a família precisa de suporte para se adaptar a ele. Lembre-se que você não está sozinho e que falar (e ouvir) sobre o assunto é uma das melhores formas de aprender a conviver com o autismo.

Duzentos e quinze milhões. De dólares. Essa é a quantia investida pelo governo americano em um programa voltado para a medicina de precisão. A gestão Obama colocou o assunto como prioridade na sua pauta de saúde, o que sinaliza uma tendência mundial. Ao sequenciar o genoma de 1 milhão de voluntários, os Estados Unidos esperam criar um banco de dados sobre diversas doenças e entender como os hábitos e a genética atuam em cada uma delas. Isso mostra que o desenvolvimento das tecnologias de informática e processamento de dados não está afastado do futuro da medicina.

Especialistas acreditam que em uma ou duas décadas, a ida ao médico será completamente diferente. Em vez de perguntas amplas — com respostas completamente subjetivas — sobre o estado do paciente, os profissionais de saúde vão ter acesso a um verdadeiro mapa. Análises genéticas cada vez mais rápidas e acessíveis vão mostrar quais são os problemas de cada um, o que vai facilitar o entendimento de suas causas e, por consequência, a visão de soluções efetivas para cada um deles. Se lembra daquele conhecido que tomou um remédio para uma doença, mas o medicamento acabou trazendo outras complicações? A tendência é que, com a medicina de precisão, essas histórias fiquem no passado.

Um dos aliados para tornar esse cenário possível é o armazenamento em nuvem. Antigamente se você perdesse seu celular, as fotos e contatos iam embora. Hoje, basta plugar o novo aparelho em um computador e recuperar as informações que foram guardadas nas chamadas “nuvens”. Essa possibilidade já está sendo usada por milhares de laboratórios de pesquisa, que salvam bilhares de informações nesses espaços online. Além de permitir um volume astronômico de informações, essa tecnologia torna possível o compartilhamento de dados. Ou seja, se um registro feito por pesquisadores na Suíça for útil para você, no Brasil, esse dado estará disponível.

A Tismoo se apoia nessas tecnologias novas para pensar formas de tornar essa medicina de ponta acessível. Quando a televisão de tela plana foi lançada, seu preço afastava a maioria dos consumidores. Hoje, quase não se vê aparelhos de tubo. O mesmo deve acontecer com os exames de sequenciamento genético. Apesar dos custos dos exames genéticos ainda serem altos, em breve essa tecnologia estará mais barata — e isso será uma verdadeira revolução.

A Tismoo trabalha para que, em um futuro não tão distante, as pessoas tenham acesso a informações genéticas que possibilitem abordagens clínicas mais personalizadas. Isso quer dizer que você não vai passar por tratamentos genéricos: o médico será capaz de atuar nos pontos específicos que causam o seu problema. Clique aqui para ler mais sobre os benefícios da medicina personalizada.

Na prática, que tipo de serviços a Tismoo oferece? É importante você saber que somos o primeiro laborátorio do mundo dedicado a análises genéticas voltadas para transtornos ligados ao espectro do autismo, além síndromes neurológicas como Reet, Timothy, X Frágil, Angelman e Phelan-McDermid. Conheça melhor cada um dos exames que realizamos:

T-Gen: esse é o exame mais robusto, a análise do genoma completo. Uma equipe de profissionais vai analisar todo o sequenciamento do paciente, ou seja, cerca de 30 mil genes. Com isso, é possível identificar as mutações, ainda que não haja um tratamento conhecido para tratar o problema. Também é possível estender o exame aos pais e identificar a origem genética das mutações.

T-Exom: esse exame funciona como o T-Gen, com a diferença que só realizado na parte do DNA conhecida pela comunidade científica.

T-Array: o array genômico (CGH-SNP-Array) é um teste capaz de identificar deleções e duplicações cromossômicas. Auxilia na identificação de regiões de ausência de heterozigosidade, e seus achados podem auxiliar no diagnóstico de distúrbios do desenvolvimento.

Tismoo24/7: esse é uma função adicional que pode ser contratada por quem realizar um sequenciamento genético (T-Gen ou T-Exom). A Tismoo desenvolveu uma tecnologia que atua como um radar de descobertas científicas. Lembra que falamos acima que a comunidade científica não tem informações sobre nosso DNA completo? O 24/7 envia um alerta quando alguma pesquisa é concluída e tem informações relacionadas ao seu problema genético.

Mais informações

Se interessou e quer saber mais sobre nossos serviços? Entre em contato conosco pelo info@tismoo.com.br. Vamos conversar!

 

[Texto atualizado em 13/12/2018 com informações sobre T-Array]

Surpresa ou planejada, a chegada de um filho muda a vida dos pais antes mesmo do nascimento. Durante nove meses, criam-se planos para aquele novo ser. Esse é um processo de criação de laços da família que está nascendo — ou crescendo. A escalada de expectativas segue até que os pais percebem que a criança não é como o filho do amigo, do vizinho, do colega de trabalho. Aquele elemento importante da sua história, gerado e cuidado com tanto amor, está saindo fora do roteiro.

É iniciado o ciclo interminável de consultas, em busca de explicações para o comportamento da criança. “Autismo”. Como você se sentiu quando recebeu o diagnóstico? Para alguns pais, o sentimento é de alívio. Alívio por finalmente chegar a uma resposta depois de uma exaustiva busca. Para outros, a sensação é de perda. Aquele filho imaginário não existe mais e é preciso abandonar o enredo que você sonhou para ele. O próximo estágio dessa jornada é a aceitação. É como se voltasse a fita e os pais reaprendessem a ser pais. É preciso aprender a se comunicar, a disciplinar, a alimentar. A rotina entre pais e filhos é um pouco diferente quando o autismo está presente.

Com a adaptação da família, começa a buscam os melhores profissionais, tratamentos e novidades que podem ajudar a melhorar a qualidade de vida do filho. Alguns pais se tornam verdadeiros especialistas no assunto e participam ativamente de seminários e grupos de estudo. Aquele projeto de vida que você idealizou pode ter mudado, mas existem inúmeras possibilidades e momentos de alegria a serem descobertos. Cada evolução, cada risada, cada abraço, tudo é comemorado e vivenciado com intensidade. E isso é um trabalho para a vida inteira — e merece todo o respeito e admiração.