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Estudo sugere que sequenciamento genético deve ser prioridade para vários tipos de autismo

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Sequenciamento do genoma ou exoma é importante para o diagnóstico de crianças com suspeita de doença genética

Um estudo do Rady Children’s Institute for Genomic Medicine, na Califórnia (EUA) concluiu que sequenciamentos genéticos, como do genoma ou exoma, devem ser a primeira opção para crianças com suspeita de doenças ou síndromes genéticas (como vários tipos de autismos) e apresentam uma grande utilidade tanto clínica, quanto para diagnóstico. A pesquisa foi publicada na revista científica Genomic Medicine, do grupo Nature, em julho de 2018.

O trabalho foi uma revisão sistemática e meta-análise envolvendo 37 estudos sobre testes genéticos, compreendendo mais de 20 mil crianças com suspeita de doença genética, entre 2011 e 2017.

Comparações

Estes estudos envolveram 20.068 crianças e neles foi avaliada a utilidade dos exames com foco nos seguintes testes genéticos: o WGS (sigla em inglês para Whole Genome Sequencing — em português: sequenciamento completo do genoma), o WES (em inglês: Whole Exome Sequencing — em português: sequenciamento completo do exoma) e o CMA (Chromosomal Microarray — traduzindo: análise cromossômica por microarranjo genômico —, também conhecido como CGH-Array).

Após a análise foi possível concluir que o sequenciamento do genoma e do exoma tiveram resolução diagnóstica maior que o microarray e ainda, pode se afirmar que a resolução diagnóstica do WES foi maior que o CMA. Entretanto, não foi observada grandes diferenças entre sequenciar o genoma ou exoma. Uma grande diferença na resolução diagnóstica foi observada entre fazer o sequenciamento somente da criança e o sequenciamento do trio (pai, mãe e criança). Dezoito trabalhos compararam esse quesito, com 3.935 crianças. Uma meta-análise foi feita em cinco desses estudos (abrangendo 3.613 crianças), e o resultado foi o dobro de sucesso para o sequenciamento do trio comparado ao WES ou WGS somente da criança.

Apesar do exame do microarray ser o primeiro teste recomendado pela Academia Americana de Genética Médica e Genômica no estudo de crianças com suspeita de síndromes genéticas, anomalias congênitas, atraso de desenvolvimento e linguagem e Transtorno do Espectro do Autismo, a  importância diagnóstica dos exames de microarray diminuíram gradativamente, ano após ano, entre 2013 e 2017, numa ordem de queda de 14% ao ano, comparados ao exoma e genoma.

Entretanto, a resolução diagnóstica do sequenciamento do genoma completo foi o de maior sucesso, bem acima dos número relacionados ao CGH-Array.

O trabalho também indica que mais pesquisas são necessárias nesta área, principalmente para demonstrar o quão determinante o sequenciamento genético pode ser para um diagnóstico e os benefícios e o sucesso no tratamento de crianças com doenças genéticas raras.

No Brasil, o único laboratório a realizar esses três exames genéticos, o CGH-Array, o sequenciamento do genoma (WGS) e do exoma (WES) especificamente para o autismo e outros transtornos relacionados é a Tismoo. Estes testes genéticos utilizam tecnologia genômica com estreita correlação entre os dados clínicos e a plataforma de análise especializada chamada Genioo, que funciona como uma base de dados completa sobre as mais relevantes publicações científicas relacionadas ao TEA (Transtorno do Espectro do Autismo), associada à curadoria feita por especialistas em autismo. A Tismoo valoriza e disponibiliza aconselhamento genético pré e pós-teste.

 O estudo completo está em: https://www.nature.com/articles/s41525-018-0053-8

Pesquisas focadas em adolescentes buscam novas informações sobre o autismo

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Apesar dos avanços nos estudos do TEA, os adolescentes e jovens adultos com autismo ainda representam uma incógnita para os pesquisadores.

A medicina do futuro já está acontecendo e o sequenciamento completo do genoma é cada vez mais uma realidade nas investigações sobre o Transtorno do Espectro do Autismo (TEA). Além de todas as pesquisas e descobertas que já mencionamos por aqui, surge agora um estudo que utiliza essa metodologia para entender como as mudanças físicas e biológicas enfrentadas pelos adolescentes neurotípicos e autistas interferem em seu desenvolvimento.

Kevin Pelphrey é pai de duas adolescentes. Suas expectativas de entendê-las melhor e ser um bom pai o levaram às pesquisas sobre o desenvolvimento do cérebro na adolescência. Diretor do Instituto de Distúrbios do Autismo e do Neurodesenvolvimento na Universidade George Washington, Kevin foi além e está se dedicando a um estudo que estabeleça as relações entre genes, hormônios, cérebro e comportamento, e como essas relações afetam as trajetórias individuais de desenvolvimento, principalmente no período da adolescência e início da vida adulta.

“Este é um momento emocionante para a pesquisa do autismo. No entanto, apesar dos avanços nos últimos anos, um grupo chave de pessoas com autismo continua sendo pouco explorado — adolescentes. Paradoxalmente, este é o grupo que precisa de novas pesquisas de forma mais urgente”, afirma Kevin. “Embora os especialistas tenham se concentrado na infância como principal janela de intervenção, a adolescência representa uma janela secundária. Mas sabemos muito pouco sobre as mudanças na conectividade cerebral, estrutura e função que oferecem suporte ao desenvolvimento social ideal”, completa.

Para mudar esse quadro, Kevin juntou sua equipe da Universidade George Washington e a rede de colaboradores do Autism Centre of Excellence (ACE) em uma iniciativa que pretende encontrar novas maneiras de melhorar a vida dos adolescentes e jovens adultos autistas. Entre 2012 e 2017 eles coletaram informações de 250 meninos e meninas autistas, 175 de seus irmãos típicos e aproximadamente 200 crianças e adolescentes com desenvolvimento típico, todos com idades entre 6 e 17 anos — uma amostra sem precedentes. Os cientistas sequenciaram seus genomas e usaram amostras de sangue para medir a expressão de genes. Com o auxílio de imagens de ressonância magnética e eletroencefalografia, eles documentaram a estrutura, função e conectividade dos sistemas cerebrais chave. Eles também coletaram inúmeros dados clínicos e comportamentais dos participantes. Agora, Kevin e sua equipe seguem em busca de dados longitudinais desses jovens durante a adolescência e a idade adulta.

Além dos dados já colhidos, os pesquisadores querem analisar como os níveis de hormônio nos adolescentes interagem com a função cerebral e a genética para determinar a gravidade dos traços de autismo. Querem entender também a conexão que se estabelece entre as características biológicas e acontecimentos importantes da vida (como emprego, saúde física, felicidade etc). O conhecimento gerado desses estudos poderá abrir caminhos para intervenções personalizadas e, por consequência, mais efetivas para as pessoas autistas — principalmente para os adolescentes e jovens adultos.

Sequenciamento completo do genoma pode impulsionar busca por fatores de risco do autismo

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sequenciamento de genoma - DNA - Tismoo

Mapeamentos do genoma de famílias que possuem uma única pessoa com Transtorno do Espectro do Autismo (TEA) podem revelar mutações espontâneas. Entenda.

Desde o início do ano temos falado bastante sobre a importância do sequenciamento completo do genoma para os estudos e investigações sobre o autismo. Contribuindo para aumentar os dados disponíveis, cientistas liberaram no ano passado quase 7 mil sequências de genoma total de 1.800 famílias que possuem uma única criança autista entre seus membros. As informações compartilhadas revelaram mutações espontâneas, ou seja, que não foram herdadas dos pais (também conhecidas como “mutações de novo”), contribuindo na busca por fatores de risco do TEA e possibilitando novas descobertas.

Financiada pela Fundação Simons, a pesquisa complementou o depósito de amostras genéticas do projeto Simons Simplex Collection (SSC), que já conta com dados de mais de 2.300 crianças autistas e 9 mil famílias. Esse projeto é focado na revelação de mutações espontâneas, por isso a nova contribuição foi tão importante. As análises dos exomas também permitiram a identificação de dezenas de novos genes candidatos para o autismo, que serão examinados em um outro momento.

Lançados há mais de 10 anos, os estudos genômicos da Fundação Simons foram facilitados pelo avanço da tecnologia e pela redução de custos dos sequenciamentos, que vêm se tornando cada vez mais acessíveis. Isso dá aos pesquisadores uma visão mais completa, permitindo que mapeiem mais genomas e, consequentemente, pesquisem regiões intergênicas pouco exploradas.

Próximos passos

Depois da coleta de dados, vem um esforço ainda maior: continuar reunindo sequenciamentos para avaliar quais variantes nas regiões não-codificantes do genoma são prejudiciais. Para isso os cientistas precisam não apenas de milhares de sequenciamentos, mas de grandes esforços de informática, já que todas as análises são feitas em computadores. O estudo mencionado acima acrescentou 7 mil sequências, mas talvez isso não seja suficiente.

“O recurso genômico é fundamental para avaliar outras formas de variação genética que não podem ser acessadas por exomas”, afirma o professor de ciências do genoma da Universidade de Washington (Seattle), Evan Eichler. Para aumentar a base de dados, uma das estratégias é buscar o auxílio de pesquisadores de outras áreas, como Ciência da Computação e Estatística. Enquanto isso não acontece, aqueles que tiverem interesse em acessar os dados para estudar o autismo ou uma condição relacionada podem se inscrever aqui.

(Com informações do site Spectrum News).

Estudo canadense aposta no mapeamento genético para cuidados de saúde convencionais

Pesquisadores do Canadá acreditam que, no futuro, o sequenciamento completo do genoma se tornará parte dos cuidados de saúde de qualquer pessoa. Exame já é utilizado pela Tismoo na investigação do TEA.

Pesquisadores do Hospital Sick Children e da Universidade de Toronto acabam de apresentar um estudo bastante otimista sobre o sequenciamento completo do genoma no Canadá e sua contribuição para os cuidados de saúde convencionais no futuro.

Através do Projeto Genoma Pessoal Canadá (PGP-C), braço canadense do Projeto Genoma Pessoal global que começou na Escola de Medicina de Harvard em 2005, os pesquisadores analisaram o sequenciamento completo do genoma de 56 participantes. Em troca de sua contribuição para a ciência, eles receberam informações clínicas relevantes de seus genomas e aconselhamento genético para contextualização dos resultados, integrando os dados obtidos nos sequenciamentos às informações de saúde de cada participante (inclusive seus históricos pessoal e familiar).

O Projeto Genoma Pessoal colabora com o avanço científico no estudo das contribuições genéticas e ambientais para as doenças e a saúde dos seres humanos. Uma de suas maiores prioridades é a disponibilização online dos dados (com total consentimento dos participantes), visando gerar novos conhecimentos sobre a biologia humana através do compartilhamento de informações coletadas em todo o mundo pelos pesquisadores ligados ao projeto, contribuindo para tornar os mapeamentos genéticos mais populares e acessíveis.

Apesar de encontrarem informações clinicamente relevantes nos sequenciamentos, os pesquisadores canadenses afirmam que a interpretação dos dados ainda é um desafio, visto que muitas descobertas genéticas não possuem no momento um significado clínico definido. Porém, à medida que mais pessoas são analisadas, o número de achados significantes também aumenta, contribuindo para a construção de um grande banco de dados com enorme potencial de aproveitamento na prevenção e tratamento de diversas enfermidades.

Sobre o estudo

No último dia 03, uma pesquisa que é parte do PGP-C foi publicada na revista Canadian Medical Association Journal (CMAJ). Nessa publicação que os autores chamam de inaugural, 56 pacientes tiveram seus genomas analisados. Vinte e cinco por cento deles tinham informações genômicas que indicavam potenciais riscos para doenças futuras e variantes genéticas importantes para as próximas gerações. Além disso, o estudo foi direcionado também para informações sobre problemas na eficácia de medicamentos e risco de efeitos adversos, revelando que em 23% dos participantes foram identificadas alterações genéticas associadas a risco severo de efeitos colaterais (muitos deles envolvendo risco de vida).

O estudo canadense destaca a importância do trabalho de aconselhamento genético para orientar os pacientes e familiares na interpretação dos dados genômicos aliados aos dados clínicos e à abordagem a ser utilizada. Nesse caso, as informações passadas podem servir para o paciente prevenir e tratar doenças futuras de maneira muito mais específica, compreendendo quais enfermidades podem atingi-lo, os devidos cuidados a serem tomados em possíveis tratamentos farmacológicos e quais medicamentos têm efeitos colaterais perigosos para sua saúde, além do direcionamento no planejamento familiar.

“Embora tenhamos identificado informações genômicas clinicamente relevantes para todos os participantes, cada um de seus genomas tem ainda mais informações que no momento não podemos interpretar. Ao analisarmos mais amostras, aprendemos continuamente mais sobre o genoma humano, o que nos permitirá eventualmente aproveitar ao máximo a riqueza de informações que contém. É por isso que o objetivo do Projeto é sequenciar milhares de genomas a cada ano “ afirma Dr. Stephen Scherer, cientista sênior e diretor do TCAG (The Centre for Applied Genomics) at SickKids, diretor do McLaughlin Centre da Universidade de Toronto e um dos principais pesquisadores de genética do autismo no mundo.

Tismoo sai na frente com o T-GEN

Na Tismoo sempre entendemos a importância do sequenciamento do genoma completo e temos esse sequenciamento como seu principal método de trabalho na busca por evoluções no tratamento do Transtorno do Espectro do Autismo (TEA).

Reforçando o que foi dito pelo Dr. Scherer, acreditamos que a avaliação contínua dos dados de sequenciamento genético é de extrema valia, por isso oferecemos o Tismoo24/7®, sistema de atualização de interpretação de dados genéticos que faz buscas das informações científicas mais relevantes para o TEA e síndromes relacionadas. Entendemos este como um importante recurso que garante uma atualização contínua para pacientes, médicos e familiares, pois o conhecimento genético acerca do TEA é bem recente e os avanços não param. Uma informação genética aparentemente sem significado relevante hoje, por exemplo, pode ser relevante amanhã.

Desde 2015 oferecemos também no Brasil a análise do genoma completo. O T-Gen (em inglês Whole Genome Sequencing — WGS) é um estudo dos dados obtidos a partir do sequenciamento completo dos 3 bilhões de pares de bases do genoma do indivíduo para identificação de alterações genéticas associadas ao autismo e/ou síndromes relacionadas.

Além das análises citadas acima, implantamos no final de 2017 o serviço de aconselhamento genético que é tão importante para uma avaliação consistente. Você pode saber mais sobre esses e outros serviços de mapeamento genético em nosso site (http://www.tismoo.us/pb) ou entrando em contato com a nossa equipe pelo e-mail info@tismoo.com.br.