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Como lidar com a criança com TEA durante as férias escolares?

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As férias de julho estão se aproximando e pais logo precisarão descobrir formas de ocuparem os dias de seus filhos. Confira nossas dicas no artigo desta semana.

Quando as férias escolares finalmente chegam, muitos pais começam a pensar em como serão as atividades de seus filhos nas próximas semanas. Pais de crianças com Transtorno do Espectro do Autismo (TEA) também passam por isso, mas com um desafio a mais, já que tudo deve ser planejado com um cuidado especial.

Isso porque, para quem está dentro do espectro, o recesso escolar representa uma grande quebra de ritmo no dia a dia. Se a criança está acostumada com a familiaridade e a consistência da rotina, ela pode ter dificuldade de lidar com a sensação de liberdade proporcionada pelas férias.

Por isso, hoje queremos dar algumas dicas para que pais possam ajudar seus filhos e transformar esse período na experiência mais tranquila possível.

Encare a quebra de rotina como algo positivo

Para o pesquisador e fonoaudiólogo David Trembath, há benefícios que surgem com o recesso. Apesar da importância da rotina para muitas crianças com TEA, uma interrupção nos padrões pode ser um aprendizado, ajudando-a a se adaptar a esse tipo de situação e expandindo suas habilidades e interesses. Ou seja, ela ganha um pouco mais de independência quando têm de lidar com mudanças desse tipo.

Para estimular esse comportamento é importante envolver a criança no planejamento das atividades das férias e deixar claro em um calendário o início e o fim desse período, explicando por que as coisas serão daquela forma durante um tempo.

Em todo esse processo que é construído aos poucos, a comunicação é fundamental: pais devem tentar eliminar as prováveis surpresas que poderão surgir na nova rotina, anotando cada atividade do dia no papel e estabelecendo horários. Assim, a criança pode antecipar as mudanças que virão e ter uma representação visual que a ajudará nesse processo, diminuindo sua ansiedade.

Outro detalhe importante é que, antes de visitar museus, parques ou livrarias, por exemplo, pais podem apresentar com detalhes para seu filho como será o trajeto até o local, o que eles vão comer, quanto tempo ficarão lá e por qual motivo aquele passeio foi escolhido.

Essas informações podem ser contadas em formas de “histórias sociais”, um recurso útil para preparar crianças para um determinado acontecimento. Essas histórias funcionam como uma espécie de guia escrito e ilustrado, que descreve situações sociais e comportamentos esperados.

Se pensarmos que viagens mais longas para outros estados ou países podem ser bem estimulantes e estressantes para crianças dentro do espectro, vale ainda mais a pena montar uma história social com imagens dos lugares que serão visitados e dos parentes que estarão lá.

Atenção para o excesso

Alguns pais tendem a querer ocupar todos os dias das férias com atividades, já que o tempo ocioso pode deixar o filho ansioso. Mas a verdade é que o equilíbrio é fundamental e cada criança com TEA terá os seus limites. Momentos de diversão que estimulam muito os sentidos podem ser perfeitos se, para compensar, você planejar para o mesmo dia momentos de descanso e relaxamento.

É importante lembrar que as férias também podem ser prazerosas dentro de casa. Há jogos de tabuleiro e baralho, livros de colorir, filmes, séries, músicas, quebra-cabeças e várias outras coisas que podem ser preferidas pelas crianças que quiserem um pouco de tranquilidade no fim do dia ou simplesmente preferirem ficar dentro de casa na maior parte do tempo.

O principal é que a rotina escolhida durante as férias agrade todos os membros da família e seja tranquila de lidar, ajudando a aproximar pais e filhos ainda mais.

A importância das escolas acolherem as crianças autistas

Final de ano é sempre momento de pensar no futuro escolar dos filhos. Num país onde a educação é um desafio para todos, quem precisa de atenção especial acaba enfrentando situações um pouco mais complicadas. Uma pesquisa realizada em 13 Centros de Atenção Psicossocial Infanto-Juvenil (CAPSi) do Rio de Janeiro revelou que quase a metade dos autistas com idades entre 4 e 17 anos no estado estão fora da escola. O estudo apontou ainda que no caso dos estudantes matriculados, a maioria está em escolas especiais, o que foge à recomendação do Ministério da Educação (MEC) de que crianças e adolescentes com TEA devem ser recebidos no ensino tradicional como os demais estudantes.

A legislação brasileira garante a toda criança autista o ingresso em escola regular como forma de integração do estudante à vida em sociedade. Isso consta no capítulo V da Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (LDB), na Constituição Federal, na Convenção sobre os Direitos das Pessoas com Deficiência, no Estatuto da Criança e do Adolescente e no Plano Viver sem Limites (Decreto 7.612/11).

Ou seja, a escola é obrigada a matricular qualquer criança ou adolescente com necessidades especiais. É também de sua responsabilidade assegurar a eles condições de acesso, aprendizagem e participação junto a todos os estudantes. Isso pode demandar avaliações, materiais didáticos e objetos adaptados, além de um professor assistente e/ou acompanhante especializado. Se não cumpridos esses deveres, as escolas podem ser denunciadas nas secretarias Municipal ou Estadual de Educação, no Ministério Público Estadual ou até mesmo na justiça, caso a família não consiga garantir seus direitos nas instâncias anteriores. Os mesmos órgãos podem ser acionados se a escola não aceitar a matrícula da criança ou cobrar algum serviço extra para receber um estudante com TEA.

O desafio escolar e o papel da família

Tomar conhecimento dos direitos dos estudantes com necessidades especiais não basta. As famílias precisam compreender e colaborar com a capacitação das escolas para acolher essas pessoas. Afinal, o acesso e permanência dos alunos especiais em escolas convencionais esbarra no desafio da inclusão.

O primeiro passo é a escola atuar em conjunto com as terapias e tratamentos do aluno autista. Mas, para garantir a inclusão de verdade, o trabalho pedagógico não pode se nortear apenas pelo diagnóstico, e sim por um modelo de ensino abrangente e diversificado.

A prática dos professores é o momento de repensar o modelo de ensino. O plano de ensino regular e o atendimento educacional especializado devem ser desenvolvidos em conjunto, prevendo estratégias pedagógicas diferenciadas e flexibilização das atividades para os estudantes autistas. Todo esse planejamento passa também pela equipe responsável por reformular o plano de trabalho e alfabetização conforme o gosto pessoal do aluno com TEA, como forma de adaptação e avanço em suas habilidades.

Em suma, uma escola inclusiva precisa ter:

  • Uma posição positiva e acolhedora em relação ao autismo e outras necessidades especiais;
  • Diálogos constantes com as famílias e com os profissionais que auxiliam as crianças fora da sala de aula;
  • Iniciativa e boa vontade para promover a interação entre o professor regente, o auxiliar/mediador e o profissional de atendimento especial da criança ou adolescente;
  • Adaptações físicas para receber os estudantes com transtornos de desenvolvimento em todos os espaços escolares;
  • Um plano pedagógico individualizado, adequado às necessidades de cada um;
  • Atividades físicas e brincadeiras lúdicas como forma de estímulo.

Essas são apenas algumas das muitas formas possíveis de inclusão escolar das crianças e adolescentes com Transtorno do Espectro do Autismo e outras condições diferenciadas. Temos certeza que há outras ideias e boas práticas que podem colaborar com o acolhimento e com o avanço do aprendizado. Você conhece alguma? Compartilhe com a gente!

O desafio da inclusão do autista na vida escolar

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Início de ano é época de pensar na educação dos filhos. Fazer matrícula, comprar material escolar, providenciar uniforme são só algumas das responsabilidades que os pais enfrentam em janeiro. Quando se tem um filho autista, essas responsabilidades se juntam a uma outra muito importante: escolher uma escola adequada às necessidades dele.

É claro que muitos pais se preocupam em encontrar o melhor colégio para os filhos, mas, no caso das crianças com autismo, as exigências vão além da estrutura física ou da grade curricular. A disponibilidade em incluir, acolher e ensinar uma criança com demandas diferente das outras é um aspecto muito importante.

Por mais que a Lei 12.764/2012 garanta a inclusão dos autistas, estabelecendo inclusive o atendimento especializado para crianças e adolescentes matriculados no ensino público, na prática a situação é um pouco mais complicada. Ainda que em alguns casos não haja boa vontade por parte das instituições de ensino, na maioria das vezes falta mesmo é capacitação para lidar com o Transtorno do Espectro do Autismo (TEA).

Para te ajudar na busca pela melhor escola, separamos algumas dicas que você pode usar como critérios para escolher uma instituição de ensino. Confira abaixo.

1.Busque referências

A melhor maneira de encontrar uma boa escola é conversar com pais e profissionais. Esta atitude é fundamental para obter referências de bons colégios. Pais de crianças autistas poderão lhe falar sobre suas experiências com as instituições de ensino, processo de inclusão, dia a dia da criança na escola etc. Já os profissionais que atendem o seu filho poderão lhe dizer ao certo quais características são fundamentais para o desenvolvimento dele, e até mesmo dar dicas de instituições recomendadas por parentes de outros autistas.

2. Visite as escolas que despertaram seu interesse e busque informações sobre suas políticas de inclusão

Com as referências em mãos pesquise quais escolas atendem às necessidades do seu filho e as suas. A partir daí faça uma lista com aquelas que realmente te interessam e entre em contato para agendar uma visita. Vá ao local, sinta o ambiente e converse com professores, funcionários e a direção da escola. Você, melhor do que ninguém, sabe o que atenderá às demandas do seu filho. Não tenha receio de olhar tudo com atenção e fazer todas as perguntas que julgar necessárias, além de procurar informações que te ajudem a entender como acontece o processo de inclusão em cada instituição. Neste aspecto é fundamental que você sinta segurança quanto ao respeito da escola à condição do seu filho, bem como a vontade de diretores e professores em acolher e educar os alunos com necessidades especiais. É importante verificar a disposição da escola em se adaptar à rotina do aluno autista e integrar todos os grupos envolvidos na educação desse aluno, inclusive colegas de sala e os outros pais.

3. Diálogo é fundamental

Ninguém sabe tudo. Do momento do diagnóstico do seu filho até agora, você com certeza aprendeu muito sobre o autismo, não é mesmo? Por isso, não espere que todas as escolas saibam lidar com a condição TEA. Afinal, até para você essa é uma missão desafiadora. A inclusão é fruto de um esforço conjunto de pais, professores e estudantes. O mais importante é que a escola demonstre receptividade, flexibilidade e interesse genuíno em aprender sobre o autismo, incluir o seu filho e ajudá-lo a se desenvolver.

Por fim deixamos aqui duas dicas: a história inspiradora de inclusão do Matheus na escola pública; e uma lista atualizada de instituições que acolhem bem as crianças com deficiências, compilada pelo blog Lagarta Vira Pupa, a partir da indicação de pais de todo o Brasil.

Tem alguma dica para ajudar outros pais na busca por uma escola? Compartilhe com a gente nos comentários! 😉