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Livros infantis ajudam a explicar sobre autismo a crianças

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Livros infantis sobre autismo - Tismoo - crianças

Literatura consegue, de forma lúdica e suave, discutir questões complexas, como preconceito

Escrever a respeito do Transtorno do Espectro do Autismo (TEA) não é tarefa fácil. Não só pela complexidade desta condição de saúde, mas também pelo emaranhado de situações ao redor do autismo. Explicar sobre TEA para criança, então, é tarefa hercúlea, ainda mais se for abordar questões como preconceito e tolerância.

Mas há gente que se dispôs a isso. A escrever de maneira suave e de fácil compreensão, para atingir esse público tão importante: as crianças. Nosso futuro. E semear um mundo com mais tolerância e menos preconceito. Em todos os livros há link para onde é possível comprá-los online.

Um livro diferente

Um livro diferente

Com 28 páginas, “Um livro diferente“, de Anita Brito, é um material paradidático que trabalha a inclusão desde os primeiros anos escolares. Toda em rimas, a historinha ajuda a criança a entender que todos somos diferentes. O material vem com uma parte de apoio aos professores e aos pais. É um livro que traz conscientização a todos sobre a importância da inclusão. A principal mensagem da obra é: “Ser diferente é normal, e ser normal é ser feliz!”.

Meu amigo autista

Pode uma criança de nove anos escrever sobre autismo? Pode! Maria Eduarda Loureiro Grund o fez! Escreveu um livro sobre sua amizade com João Pedro, seu novo colega de classe, um menino com autismo. Em “Meu amigo autista“, a criança poderá despertar um interesse por esses amigos especiais e verá que suas limitações não os impedem de ser e ter amigos legais. Maria Eduarda, a autora, esteve inclusive no programa Encontro com Fátima Bernardes (Globo) para falar sobre seu livro e sua amizade.

Meu amigo autista

O menino só

O livro “O menino só”, de Andrea Viviana Taubman, é um bom exemplo na literatura infantil. Com 36 páginas, publicado pela Escrita Fina, em 2015, a autora fala que há muitos meninos sós no mundo. “‘O menino só’ fala de forma poética sobre o complexo e pouco conhecido mundo das crianças autistas, que não apresentam estigmas físicos visíveis, mas têm necessidades muito específicas para poder se desenvolver. Os meninos e as meninas sós podem apresentar comportamentos similares, mas cada um deles possui um universo emocional e psíquico próprio”, escreveu a autora. As ilustrações são de Anielizabeth.

O livro fez parte do Kit Leiturinha em 2017. A coordenadora da Equipe de Curadoria da Leiturinha, Cynthia Spaggiari, conversou com Andrea sobre a obra — tem um áudio com esse papo no Blog da Leiturinha. “A sensibilidade das palavras de Andrea Taubman tecem a história de um menino em seu próprio mundo de introspecção e transformação”, escreveu Carolina Lara para o blog.

Meu amigo faz iiiii

Meu amigo faz iiiii

Em seu livro infantil, a jornalista Andréa Werner conta a história de dois coleguinhas de escola. Bia, a narradora, percebe que seu colega Nil tem alguns comportamentos diferentes. Orientada pela professora, começa a observá-lo para tentar compreendê-lo. Uma ótima forma de ensinar as crianças a encararem a diversidade como algo natural e positivo! Ilustrado por Kelly Vaneli, o livro “Meu amigo faz iiiii” está à venda no site da autora.

Andréa em nenhum momento usa a palavra ‘autismo’ na história. “O livro é voltado para as crianças e para elas isso não importa. O interessante é entenderem que, mesmo tendo amigos diferentes, dá para brincar, aprender e se divertir”, explica a escritora.

A escova de dentes azul

A escova de dentes azul

Não tem como não citar nesta seleção o livro de Marcos Mion, apresentador do programa Legendários, da TV Record, que tem um filho com autismo. “Esse é um livro que escrevi com o objetivo de ajudar meu filho a viver num mundo mais consciente, mais tolerante, mais respeitador e menos desinformado e menos preconceituoso”, escreveu Mion a respeito de seu livro infantil.

A escova de dentes azul” é uma referência a um episódio que aconteceu num Natal da família, quando Romeo pediu um presente de Natal para o pai e ele escreveu o texto “Lições que aprendi com meu filho autista”, que publicou na sua página no Facebook. A quarta capa do livro conta o mote da história: “O Natal está chegando! E com ele o momento de escrever a cartinha para o Papai Noel. O que será que as crianças vão pedir de presente? Donatella tinha uma lista organizada com vários itens, e Stefano queria os brinquedos mais modernos. Romeo, por sua vez, queria algo muito simples, o que surpreendeu toda a família”.

E se uma criança fizesse um review sobre o livro para outras crianças? Então, foi o que fez a Alyssa Tomiyama, num vídeo de 3 minutos e meio em seu canal no Youtube (imperdível!) “Alyssa e a magia da leitura“. É de explodir o “fofurômetro”! Veja aqui abaixo.

A onda azul

A onda azul

Maira Alves e Adriano Machado são os pais de um menino com autismo, Bernardo. Junto com a amiga e escritora infantil Marismar Borém, tiveram a ideia: “Que tal escrever um livro infantil sobre uma criança autista?”. A seis mãos, decidiram tratar de forma leve uma questão complexa que ainda precisa ser desvendada. Então nasceu “A onda azul – Azul da cor do mar”, livro infantil publicado pela Editora Cora, em parceria com a Associação Educore.

Segundo Adriano contou para o site Canguru, o livro elucida o tema e tem um importante papel social. “Ele pode atrair a atenção para o autismo, a fim de que tanto a sociedade quanto os governos compreendam melhor os desafios do transtorno e viabilizem leis e projetos que possam subsidiar os autistas e suas famílias nos complexos e caros tratamentos de cunho multidisciplinar”, contou entusiasmado.

É um livro que narra, através de relatos de vida e com linguagem simples, como os sintomas do TEA podem ser observados para o diagnóstico precoce do problema.

Para todos os gostos

E não para por aqui! Há várias outras opções de livros infantis a respeito de autismo. Seguem mais algumas delas.

Cadê a criança que estava aqui?Cadê a criança que estava aqui? — A história, escrita por Tania Dourado, gira em torno de Pablo, um belo menino autista, e conta suas peripécias e idiossincrasias. É um livro infantil, mas pode ajudar crianças de todas as idades a compreender que os autistas não vivem em um mundo paralelo. Eles estão aqui e ajudam a tornar o nosso mundo mais colorido e melhor.

A jornada de OlíviaA jornada de Olívia — escrita por Eliane Gomes e lançada pela editora Novo Século — dentro do selo Novo Século Criança —, “A Jornada de Olívia – a menina que não se fechou para o mundo” tem ilustrações de Bruna Assis Brasil. A inspiração da obra é Olivia, sobrinha e afilhada da autora, que foi diagnosticada com dificuldade relacional na primeira infância, muitas vezes confundida com traços autistas. “Muitas famílias se fecham em um diagnóstico errôneo e a criança acaba tendo um único destino: ser objeto de técnicas e remédios. A história de Olívia mostra como é possível uma criança pequena surpreender seus pais e os que nela acreditam”, explica a autora.

Enquanto isso… no mundo do autismo — Na história de Tito, mostram-se características de uma realidade que é mais comum do que se imagina, num livro criado para que crianças com TEA possam ser mais compreendidas. Leitura destinada a todas as crianças, aos seus pais e professores. Com texto de Renata Julianelli, ilustrações de Nana Sievers, o livro foi publicado pela editora Memnon, com supervisão técnica e idealização do neuropediatra José Salomão Schwartzman.

Na minha escola todo mundo é igualNa minha escola todo mundo é igual — Rossana Ramos cita o autismo nas suas rimas, mas o livro fala da diversidade de um modo geral, com belas ilustrações de Priscila Sanson. Uma escola em que todos os alunos convivem em harmonia, procurando superar as diferenças e dificuldades, inclusive físicas, faz com que todos sejam, realmente, iguais.

Especial mente azulEspecial mente azul — Comercializado em versão digital e em papel, este livro paradidático é indicado para professores, pais, crianças e adultos que querem interagir e aprender com pessoas com autismo. Escrito por Viviani Guimarães, a obra tem ilustrações e capa de Keyle Barbosa de Menezes.

Tem sugestão para todos os gostos.

Em artigos anteriores, já destacamos escritores brasileiros que escreveram sobre TEA e a presença do autismo na arte e cultura, além de pais que expressaram seu amor em fotos, livro e vídeo. Vale (re)ler!

 

Os desafios dos estudantes autistas no ensino superior

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Estimativas apontam que existem hoje 488 jovens autistas brasileiros matriculados em universidades públicas e privadas. Entenda seus principais desafios.

Júnior do Nascimento tem 25 anos e acaba de entrar para a faculdade de Ciências da Computação, em São Paulo. Mas essa não foi sua primeira conquista universitária: o rapaz já foi aprovado em duas faculdades cariocas para estudar Arquitetura, mas acabou trocando de curso por se identificar mais com os números do que com a arte. Essa seria apenas mais uma história entre milhares de outras sobre a vida de alguém no início da fase adulta, se não fosse um detalhe importante: Júnior está dentro do Transtorno do Espectro do Autismo (TEA)

O garoto que hoje mora sozinho em São Paulo, leva uma vida muito similar à de outras pessoas da sua idade: faz faculdade, trabalha e está em busca de sua independência. Pela sua condição, Júnior é parte da pequena estatística de estudantes universitários que possuem Transtorno do Espectro do Autismo (TEA).

O Censo de Educação Superior 2016, pesquisa realizada pelo Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep), vinculado ao Ministério da Educação, mostrou que existem 488 pessoas com autismo matriculadas no ensino superior. Mais da metade (56,56%) está nas universidades particulares; os outros 43,44% estão nas instituições públicas.

A rotina

Quem conhece o TEA de perto sabe como a sala de aula pode ser um ambiente perturbador para uma pessoa autista: são várias pessoas num ambiente fechado conversando e interagindo a maior parte do tempo — ou seja, uma tempestade de estímulos sonoros e de socialização. Para Júnior esse foi um dos grandes desafios que ele precisaria vencer. No caso da socialização a estratégia adotada foi bem curiosa: enxergar as pessoas como computadores. Ao observar os colegas e seus gestos ele os visualiza como algoritmos que podem ser decifrados. Isso o ajuda principalmente nas conversas que envolvem mais de uma pessoa.

Trabalhos em grupo, aliás, são um desafio à parte. A partir da recomendação de sua terapeuta, Júnior até fez teatro por um ano e meio, para tentar entender melhor as questões de linguagem corporal, relacionamento interpessoal e comportamento em público. Ainda assim, se reunir com os colegas para fazer os trabalhos da faculdade é difícil. Apesar de não comentar com as pessoas que tem autismo, Júnior já alertou um professor sobre sua dificuldade de trabalhar em grupo, bem como a preferência por fazer as atividades acadêmicas sozinho.

Essas dificuldades também surgiram na época do cursinho, antes de fazer vestibular para Ciências da Computação. Quando decidiu por essa carreira, se matriculou num preparatório, mas raramente ia à aula, já que a sala lotada e barulhenta era um incômodo. Preferia usar o material para estudar em casa e fazer aulas particulares, estratégia que funcionou e o colocou na faculdade no início do ano. Mas aí não tem escapatória: precisa frequentar as aulas e administrar sua sensibilidade aos sons.

A interação ainda está na fase dos cumprimentos formais, enquanto Júnior tenta estabelecer uma rotina no seu dia a dia no campus. Rotinas e rituais são uma parte importante para ele, que tem mais facilidade em entender comportamentos lógicos do que abstratos. Não por acaso Júnior preferiu a informática à Arquitetura, já que ele é bom em programação e em cálculos.

Perspectivas

Em se tratando do TEA sabemos que existem diferentes graus de manifestação que podem dificultar a independência da pessoa com autismo. Mas casos como o do Júnior são uma prova de que aliar terapia, inclusão e amor é a melhor maneira de estimular o crescimento de uma pessoa autista, contribuindo para que ela caminhe em busca de uma profissão e de uma vida independente. Ele inclusive deixa um recado: “pesquisem o que é o transtorno e vejam a pessoa como alguém que pode vencer obstáculos. Precisa ver o outro lado da moeda. Não dá para enxergar o autismo e esquecer que tem um ser humano ali. Veja o quanto ela pode aprender. Só ver defeitos dificulta muito a evolução”.

[Com informações do site de notícias G1]

A importância das escolas acolherem as crianças autistas

Final de ano é sempre momento de pensar no futuro escolar dos filhos. Num país onde a educação é um desafio para todos, quem precisa de atenção especial acaba enfrentando situações um pouco mais complicadas. Uma pesquisa realizada em 13 Centros de Atenção Psicossocial Infanto-Juvenil (CAPSi) do Rio de Janeiro revelou que quase a metade dos autistas com idades entre 4 e 17 anos no estado estão fora da escola. O estudo apontou ainda que no caso dos estudantes matriculados, a maioria está em escolas especiais, o que foge à recomendação do Ministério da Educação (MEC) de que crianças e adolescentes com TEA devem ser recebidos no ensino tradicional como os demais estudantes.

A legislação brasileira garante a toda criança autista o ingresso em escola regular como forma de integração do estudante à vida em sociedade. Isso consta no capítulo V da Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (LDB), na Constituição Federal, na Convenção sobre os Direitos das Pessoas com Deficiência, no Estatuto da Criança e do Adolescente e no Plano Viver sem Limites (Decreto 7.612/11).

Ou seja, a escola é obrigada a matricular qualquer criança ou adolescente com necessidades especiais. É também de sua responsabilidade assegurar a eles condições de acesso, aprendizagem e participação junto a todos os estudantes. Isso pode demandar avaliações, materiais didáticos e objetos adaptados, além de um professor assistente e/ou acompanhante especializado. Se não cumpridos esses deveres, as escolas podem ser denunciadas nas secretarias Municipal ou Estadual de Educação, no Ministério Público Estadual ou até mesmo na justiça, caso a família não consiga garantir seus direitos nas instâncias anteriores. Os mesmos órgãos podem ser acionados se a escola não aceitar a matrícula da criança ou cobrar algum serviço extra para receber um estudante com TEA.

O desafio escolar e o papel da família

Tomar conhecimento dos direitos dos estudantes com necessidades especiais não basta. As famílias precisam compreender e colaborar com a capacitação das escolas para acolher essas pessoas. Afinal, o acesso e permanência dos alunos especiais em escolas convencionais esbarra no desafio da inclusão.

O primeiro passo é a escola atuar em conjunto com as terapias e tratamentos do aluno autista. Mas, para garantir a inclusão de verdade, o trabalho pedagógico não pode se nortear apenas pelo diagnóstico, e sim por um modelo de ensino abrangente e diversificado.

A prática dos professores é o momento de repensar o modelo de ensino. O plano de ensino regular e o atendimento educacional especializado devem ser desenvolvidos em conjunto, prevendo estratégias pedagógicas diferenciadas e flexibilização das atividades para os estudantes autistas. Todo esse planejamento passa também pela equipe responsável por reformular o plano de trabalho e alfabetização conforme o gosto pessoal do aluno com TEA, como forma de adaptação e avanço em suas habilidades.

Em suma, uma escola inclusiva precisa ter:

  • Uma posição positiva e acolhedora em relação ao autismo e outras necessidades especiais;
  • Diálogos constantes com as famílias e com os profissionais que auxiliam as crianças fora da sala de aula;
  • Iniciativa e boa vontade para promover a interação entre o professor regente, o auxiliar/mediador e o profissional de atendimento especial da criança ou adolescente;
  • Adaptações físicas para receber os estudantes com transtornos de desenvolvimento em todos os espaços escolares;
  • Um plano pedagógico individualizado, adequado às necessidades de cada um;
  • Atividades físicas e brincadeiras lúdicas como forma de estímulo.

Essas são apenas algumas das muitas formas possíveis de inclusão escolar das crianças e adolescentes com Transtorno do Espectro do Autismo e outras condições diferenciadas. Temos certeza que há outras ideias e boas práticas que podem colaborar com o acolhimento e com o avanço do aprendizado. Você conhece alguma? Compartilhe com a gente!

A tecnologia como ferramenta de inclusão

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Imagine um robô que conversa com o seu filho, percebendo suas necessidades de interação e respondendo de uma maneira compreensiva, ao mesmo tempo que o ensina como agir diante de situações sociais. Pode parecer cena de ficção científica, mas acredite: é real e pode estar cada vez mais perto de se tornar parte da sua vida.

Pesquisadores da Universidade George Washington vêm estudando a interação entre crianças com autismo e robôs. Na abordagem desenvolvida pelos cientistas, 20 crianças com a condição TEA são incentivadas a conversar com robôs interativos que detectam e analisam suas ações. Em contrapartida, eles respondem de forma a reforçar o aprendizado social das crianças, usando gestos personalizados e pistas vocais para oferecer a elas interações gratificantes.

Aqui na Tismoo a tecnologia também é uma aliada importante no desenvolvimento do nosso trabalho. Graças a ela podemos oferecer às pessoas serviços como o mapeamento genético, e desenvolver pesquisas com as células-tronco e os mini-cérebros.

Para além da ciência, a tecnologia pode melhorar a comunicação e diminuir o isolamento social de crianças com autismo. Enquanto muitas pessoas criticam ferramentas como aplicativos, games, wi-fi e redes sociais, enxergando-as como fator de isolamento social, o pesquisador e professor da Universidade George Washington, Kevin Pelphrey, afirma que é graças a elas que muitas crianças estão experimentando a inclusão. Um exemplo que ele nos oferece é o aplicativo Sit With Us (em tradução livre, “Sente-se com a gente”). Criado por uma adolescente americana, o app ajuda a promover a inclusão de crianças que têm dificuldades em encontrar colegas para lhes fazer companhia na escola durante o almoço. Através do aplicativo outros estudantes podem sinalizar para essas crianças que elas estão convidadas a se sentar junto a eles.

Carros que se movem sem motoristas, geladeiras que te avisam quais alimentos estão para vencer, casas com sistemas de segurança ativados pelo reconhecimento da íris. A tecnologia está aí para nos oferecer mais conforto e praticidade, mas sua importância vai muito além desses aspectos e ela pode mudar (de verdade) a vida das pessoas.

Como a tecnologia ajuda seu filho a interagir com o mundo? Conte pra gente nos comentários!

Asperger: o que é e como detectar

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Marcela sabe tudo sobre astronomia. Desde criança, tinha fascínio em observar as estrelas e ler sobre os planetas. Aos 12 anos, já devorava livros científicos e sabia de cor nomes complicados de constelações. Ela poderia passar horas a fio observando o céu e se dedicando a estudar os corpos celestes. Com o passar dos anos, os pais da garota começaram a se preocupar — Marcela não tinha amigos. Mesmo em família, evitava situações sociais e tinha dificuldades de se comunicar. Não conseguia desenvolver conversas informais em festinhas da escola e era um pouco desajeitada. Seus pais a levaram ao médico quando a garota passou a ter com frequência episódios epiléticos. Marcela possui a Síndrome de Asperger, uma forma de autismo.

A pessoa que tem Asperger geralmente sofre com ansiedade e seu diagnóstico costuma ser tardio. O desenvolvimento da fala, um dos traços que marcam o autismo, acontece normalmente. Apesar disso, alguns podem falar em tons monótonos ou alto demais. Geralmente também não há retardo na leitura e aprendizado. Pelo contrário, crianças com Asperger tendem a ser muito inteligentes, algumas até autodidatas. A memória dessas pessoas é usualmente muito aguçada, o que faz com que elas lembrem de datas e fatos com precisão — mesmo que eles não tenham importância. Também é comum que desenvolvam interesses específicos e se aprofundem no tema.

O grande diferencial da síndrome é no aspecto social. Eles evitam olhar nos olhos e tem problemas para se relacionar. É comum ver pessoas com Asperger travando diálogos extensos onde só elas falam ou cujo interlocutor não demonstra nenhum interesse. Elas têm dificuldade de relacionar expressões faciais a sentimentos e perceber que sua fala causou algum tipo de “desconforto” no outro. Se colocar no lugar de outra pessoa é uma dificuldade, por exemplo. A linguagem costuma ser pomposa e complicada, ainda que não a domine totalmente.

Por se tratar de sintomas facilmente confundidos com outros problemas de saúde, os exames genéticos podem facilitar o diagnóstico. Com o tratamento adequado e acompanhamento médico, quem possui Asperger pode ter uma vida longa e “normal”. Inclusive usando traços da síndrome, como sua inteligência, de forma positiva.

Para compreender o autismo — PARTE 2

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Na última semana, começamos a jornada pela evolução no entendimento do autismo. Os 70 anos que separam 1908 e 1978 foram significativos para que a condição fosse reconhecida e descrita. Outro marco importante foi a admissão do papel da genética como uma das causas principais. Hoje seguimos essa trajetória a partir da década de 80. Veja os principais marcos da comunidade científica em relação ao autismo até hoje:

Novo tipo de transtorno ­- na década de 80 aumentaram vertiginosamente os trabalhos científicos sobre o autismo. Chegou­-se a conclusão que a condição afetava diversas áreas do cérebro, impactando o desenvolvimento de múltiplas funções. Isso fez com que ele fosse classificado pela comunidade médica como uma nova classe de transtornos, os Transtornos Invasivos do Desenvolvimento (TIDs).

Lorna Wing -­ A psiquiatra inglesa é um dos nomes mais importantes na história dos estudos sobre autismo. Estudando o assunto desde os anos 1970, ela desenvolveu a ideia do autismo como espectro, se manifestando em condições e graus variados. Mãe de uma criança autista, ela defendeu uma nova visão social para os autistas e suas famílias e fundou a National Autistic Society (NAS) no Reino Unido.

Terapia comportamental ­- um estudo publicado em 1988 pelo psicólogo americano Ivar Lovaas revoluciona o tratamento do autismo. Um grupo de 19 crianças autistas, entre 4 e 5 anos de idade, passou por 40 horas de terapia comportamental. Depois de dois anos, elas apresentaram um aumento de 20 pontos no quociente de inteligência (QI). Um grupo de controle que não havia passado pelas sessões de terapia não apresentaram nenhuma melhora.

Vacina -­ Em 1998, a revista Lancet publicou um artigo afirmando que algumas vacinas, como a contra rubéola e sarampo, causariam autismo. A hipótese foi comprovadamente errada por mais de 20 estudos e a publicação precisou se retratar. A polêmica terminou com a cassação do registro médico do cientista inglês Andrew Wakefield.

2 de abril ­- em 2007 a ONU institui a data como Dia Mundial da Conscientização do Autismo. A ação tem impacto global e chama a atenção da sociedade para o autismo e discute propostas para inclusão.

TEA -­ O Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais (DSM), que guia a comunidade médica e científica, passa a agrupar todos os subtipos do autismo dentro do Transtorno do Espectro Autista (TEA) e passa a incluir a Síndrome de Asperger.

Recorrência -­ O relatório publicado em 2014 pelo Centro de Controle e Prevenção de Doenças (CDC) traz a tona números reveladores. Segundo o estudo, 1 a cada 59 crianças nos Estados Unidos seriam autistas. Estima-­se que o transtorno atinja 1% da população mundial, ou seja, 70 milhões de pessoas. No Brasil, o número fica em torno de 2 milhões.

Minicérebros – ­ a tecnologia proposta pela Tismoo promete revolucionar a forma com o autismo é tratado. A partir da simulação do cérebro do indivíduo em laboratório, é possível testar medicações e acompanhar os efeitos de forma customizada.

O autismo percorreu uma longa estrada ­ e o caminho ainda é longo. Com o esforço coletivo de instituições, cientistas e sociedade, a Tismoo acredita que novas descobertas podem ampliar nossos conhecimentos. Agora que você conhece melhor o assunto, que tal assinar nossa newsletter para não perder nenhuma atualização?

(Atualizado em abril/2018 com novos números do CDC)