‘Po’ é filme sobre autismo que estreia no Brasil

, ,
Filme Po, drama sobre autismo - Tismoo

Drama norte-americano conta saga de um pai com seu filho autista, após morte da mãe

O Brasil tem estreia de filme com o tema autismo: “Po”, com título original em inglês “A Boy Called Po”, um drama e fantasia de 1h35min. Produção pequena e independente, “Po” foi lançado nos Estados Unidos há mais de um ano — em 1 de setembro de 2017 —, portanto hoje já está disponível online na maioria das plataformas de streaming de lá. Mas estreia nesta quinta (22 de novembro de 2018) no Brasil e na França.

A história conta a saga de uma família que perde a mãe, morta em decorrência de um câncer, ficando apenas o marido, o engenheiro de aviões David (interpretado por Christopher Gorham), com o filho Patrick, que tem o Transtorno do Espectro do Autismo e é mais conhecido pelo apelido “Po”, que intitula o filme — vivido pelo ator Julian Feder —, um garoto de 11 a 12 anos, no 6º ano escolar. Pai e filho percorrem uma jornada difícil numa fase complicada da vida de ambos.

Cartaz do filme Po, drama sobre autismo - TismooVida real

O autismo não é tema do longa por acaso. O diretor do filme, John Asher, tem um filho com autismo, o que certamente motivou o tema deste longa, que é, segundo ele, “uma carta de amor” para o filho. Outra pessoa que tem um filho autista na vida real é o ator que interpretou o pai de Po, Christopher Gorham, que tem 3 filhos — seu mais velho foi diagnosticado com autismo (à época, especificamente com Síndrome de Asperger) —, que argumentou em um dos releases de divulgação: “O filme é reconfortante para muitas famílias que lidam com o diagnóstico. E esclarecedor para aqueles que não convivem, pois conhecerão o nosso cotidiano”, disse ele, que ainda completou: “’Po’ é um dos primeiros filmes a lidar com o autismo de maneira tão direta”, arrematou ele após criticar a falta de produções relacionadas ao tema. “Quanto mais histórias contadas e pessoas com autismo envolvidas nas produções, melhor. Assim, mais indivíduos compreenderão o que significa crescer dessa forma”, finalizou Christopher, que também pode ser visto atuando na série “Insatiable” (Netflix).

Na cena inicial, o pai chora sobre o caixão da esposa. Depois, chega em casa e tem que cuidar de Po. Depois ele perde o emprego, perde a escola do filho, perde o plano de saúde, perde o próprio filho no parque, recebe uma multa, enfrenta problemas com o carro… E Po parece querer se isolar ainda mais. Enfim, as coisas não estavam fáceis para eles. É dramático.

O filme tem críticas boas e ruins, aqui e fora do Brasil, mas recebe nota relativamente baixa de um modo geral — 6,9 no IMDb e 31% no Rotten Tomatoes. E muitas críticas dizem que o filme chega a ser “apelativo”, que usa muito do tom emocional para envolver o espectador, do roteiro às músicas e dramaticidade nos cortes em fades longos. Outros dizem ser muito realista e conscientizador. Quero assistir sem julgar antes.

Produzido e filmado em 2016, em Los Angeles, na Califórnia (EUA), em apenas 18 dias e com pouco mais de US$ 1,5 milhão — o que é considerado um baixo orçamento para filmes longas-metragens —, “Po” é distribuído pela Cineart Filmes e, no Brasil, o filme tem classificação indicativa de 12 anos.

A produção norte-americana ganhou 11 prêmios, como o San Diego International Film Festival e o Satellite Awards — sendo 5 deles para o ator que interpreta Po, Julian Feder, hoje prestes a completar 14 anos (ele nasceu em 2004).

Onde assistir

Segundo o Guia Folha, “Po” está sendo exibido, somente em uma sala, e em único horário, no Shopping Frei Caneca, em São Paulo (SP), além de Porto Alegre (RS) e Salvador (BA) — todos no Espaço Itaú de Cinema.

Assista ao trailer abaixo:

Leia também sobre outros filmes e séries com o tema autismo, como: “Tudo que Quero“, “The Good Doctor” e “Atypical“.

‘Tudo que Quero’ é sobre autista fã de Star Trek

, ,
Filme "Tudo que Quero" com menina autista fã de Star Trek - Tismoo

Com boa atuação da protagonista, filme mostra garota com autismo que foge de casa em busca de seu sonho

Autista e apaixonada pelo universo de “Star Trek“, Wendy é a protagonista de “Tudo que Quero”, filme lançado em abril de 2018 (mês de conscientização do autismo) em poucos cinemas no Brasil — nos EUA, em outubro de 2017 — e agora disponível em vários serviços de streaming para assistir online. No melhor estilo Atypical, a produção mistura drama e momentos mais leves de comédia para falar da realidade de pessoas com autismo com boa medida de naturalidade.

Com um grande grau de independência, a jovem protagonista (interpretada brilhantemente por Dakota Fanning, atriz hoje com 24 anos) vive num lar especial para pessoas com autismo, onde passa os dias desempenhando funções básicas em uma rotina constante para aprendizado social. Seu hobby predileto? Escrever histórias de fantasia. Ela, então, descobre que há um concurso de roteiros sobre sua série preferida, quando começa a escrever uma obra de mais de 400 páginas com seus personagens favoritos (Kirk e Spock) e passa a obstinadamente perseguir este seu sonho, até mesmo sair totalmente de sua estrita rotina, fugindo de casa rumo a Los Angeles a fim de conseguir entregar o roteiro e participar do tal concurso. O filme, de ritmo um pouco lento, tem o título original em inglês Please, Stand By e estreou nos cinemas brasileiros em pouquíssimas salas, por ser indie (uma produção independente) — eu assisti no cinema Caixa Belas Artes da Consolação, em São Paulo, que costuma exibir uma programação alternativa.

Cartaz capa do filme "Tudo que Quero", fã de Star Trek que tem autismo - TismooStar Trek

Se você não sabe nada sobre a “mitologia” de Star Trek (a série de ficção científica lançada em 1966 que, no Brasil, recebeu o nome de “Jornada nas Estrelas” e tem uma legião de aficionados mundo afora), vai perder várias referências — principalmente a sequência final quando um personagem (Patton Oswalt) interage com Wendy da forma mais nerd possível (não vou dar spoiler e estragar a cena, né!?). Mas, a delicada interpretação da jovem com autismo é muito boa (o que salva o filme!) e reflete a realidade de muitos autistas (lembrando que o espectro do autismo é enorme e você nunca verá um autista igual a outro! — muito menos uma retratação 100% fiel em 1h33min de filme). O fato de ter dificuldade em olhar nos olhos, na socialização, comunicação de certa forma limitada e estar muito presa a rotinas, mostra com certo realismo como é o dia a dia de uma boa parcela das pessoas com Transtorno do Espectro do Autismo (TEA), principalmente adultos que conseguem autonomia suficiente para trabalhar.

O elenco de apoio conta com a presença ilustre da indicada ao Oscar Toni Collette (com o filme “O Sexto Sentido”), vivendo a administradora da clínica e terapeuta de Wendy, da britânica Alice Eve (que coincidentemente esteve em “Star Trek: Além da Escuridão”) no papel da irmã mais velha da garota.

Muito interessante também ver uma personagem feminina com autismo, já que o padrão são homens autistas, com infinitos exemplos a citar, de Raymond, de Rain Man, a Sam, de Atypical. Dirigido pelo polonês Ben Lewin (indicado ao Oscar por “As Sessões”, em 2012), a nota de “Tudo que Quero” no IMDB é 6.7 e no Rotten Tomatoes, 65%.

Onde assistir

Via streaming ou aluguel avulso em TV por assinatura, o filme pode ser assistido no: Google PlayLooke, Now, Vivo PlayYoutube Movies ou Apple iTunes — em alguns serviços o longa está com o título alternativo “Um Novo Caminho“.

Leia mais sobre a atriz Dakota Fanning, no site Omelete. Veja também a crítica sobre o filme no site Poltrona Nerd.

Assista ao trailer abaixo:

[atualizado em 05/11/2018 com novos serviços de streaming e título alternativo]

Netflix confirma 3ª temporada de Atypical para 2019

,
Atypical, serei sobre autismo confirma terceira temporada na Netflix - Tismoo

A série que retrata a vida de um adolescente com autismo terá mais dez episódios

De acordo com informações do site SpoilerTV, a Netflix confirmou a terceira temporada da série Atypical, que conta a história de Sam, um garoto com autismo, que vive as descobertas e o amadurecimento de seus 18 anos, trabalhando e estudando, na busca por ser cada vez mais independente.

A série, uma produção original da Netflix, terá mais dez episódios de meia hora cada na terceira temporada, que deverá estrear em 2019 — ainda sem uma data exata definida.

O protagonista, Sam, é interpretado pelo ator Keir Gilchrist, que recebeu muitos elogios em sua atuação como um adolescente autista, principalmente na segunda temporada.

Consultoria sobre autismo

Robia Rashid, autora da história, teve a consultoria de Michelle Dean a respeito do Transtorno do Espectro do Autismo (TEA) — que é professora da Universidade do Estado da Califórnia e trabalhou no centro de tratamento e pesquisa sobre autismo da Universidade da Califórnia em Los Angeles (UCLA), ambos nos EUA. Além do autismo, a série também aborda outros temas da adolescência, como inimizades, a iniciação ao sexo, a entrada na faculdade e adultério.

O elenco da nova temporada ainda não foi confirmado.

Leia mais sobre a série — e o porquê do seu nome — em nosso artigo a respeito da segunda temporada de Atypical.

Livros infantis ajudam a explicar sobre autismo a crianças

, , ,
Livros infantis sobre autismo - Tismoo - crianças

Literatura consegue, de forma lúdica e suave, discutir questões complexas, como preconceito

Escrever a respeito do Transtorno do Espectro do Autismo (TEA) não é tarefa fácil. Não só pela complexidade desta condição de saúde, mas também pelo emaranhado de situações ao redor do autismo. Explicar sobre TEA para criança, então, é tarefa hercúlea, ainda mais se for abordar questões como preconceito e tolerância.

Mas há gente que se dispôs a isso. A escrever de maneira suave e de fácil compreensão, para atingir esse público tão importante: as crianças. Nosso futuro. E semear um mundo com mais tolerância e menos preconceito. Em todos os livros há link para onde é possível comprá-los online.

Um livro diferente

Um livro diferente

Com 28 páginas, “Um livro diferente“, de Anita Brito, é um material paradidático que trabalha a inclusão desde os primeiros anos escolares. Toda em rimas, a historinha ajuda a criança a entender que todos somos diferentes. O material vem com uma parte de apoio aos professores e aos pais. É um livro que traz conscientização a todos sobre a importância da inclusão. A principal mensagem da obra é: “Ser diferente é normal, e ser normal é ser feliz!”.

Meu amigo autista

Pode uma criança de nove anos escrever sobre autismo? Pode! Maria Eduarda Loureiro Grund o fez! Escreveu um livro sobre sua amizade com João Pedro, seu novo colega de classe, um menino com autismo. Em “Meu amigo autista“, a criança poderá despertar um interesse por esses amigos especiais e verá que suas limitações não os impedem de ser e ter amigos legais. Maria Eduarda, a autora, esteve inclusive no programa Encontro com Fátima Bernardes (Globo) para falar sobre seu livro e sua amizade.

Meu amigo autista

O menino só

O livro “O menino só”, de Andrea Viviana Taubman, é um bom exemplo na literatura infantil. Com 36 páginas, publicado pela Escrita Fina, em 2015, a autora fala que há muitos meninos sós no mundo. “‘O menino só’ fala de forma poética sobre o complexo e pouco conhecido mundo das crianças autistas, que não apresentam estigmas físicos visíveis, mas têm necessidades muito específicas para poder se desenvolver. Os meninos e as meninas sós podem apresentar comportamentos similares, mas cada um deles possui um universo emocional e psíquico próprio”, escreveu a autora. As ilustrações são de Anielizabeth.

O livro fez parte do Kit Leiturinha em 2017. A coordenadora da Equipe de Curadoria da Leiturinha, Cynthia Spaggiari, conversou com Andrea sobre a obra — tem um áudio com esse papo no Blog da Leiturinha. “A sensibilidade das palavras de Andrea Taubman tecem a história de um menino em seu próprio mundo de introspecção e transformação”, escreveu Carolina Lara para o blog.

Meu amigo faz iiiii

Meu amigo faz iiiii

Em seu livro infantil, a jornalista Andréa Werner conta a história de dois coleguinhas de escola. Bia, a narradora, percebe que seu colega Nil tem alguns comportamentos diferentes. Orientada pela professora, começa a observá-lo para tentar compreendê-lo. Uma ótima forma de ensinar as crianças a encararem a diversidade como algo natural e positivo! Ilustrado por Kelly Vaneli, o livro “Meu amigo faz iiiii” está à venda no site da autora.

Andréa em nenhum momento usa a palavra ‘autismo’ na história. “O livro é voltado para as crianças e para elas isso não importa. O interessante é entenderem que, mesmo tendo amigos diferentes, dá para brincar, aprender e se divertir”, explica a escritora.

A escova de dentes azul

A escova de dentes azul

Não tem como não citar nesta seleção o livro de Marcos Mion, apresentador do programa Legendários, da TV Record, que tem um filho com autismo. “Esse é um livro que escrevi com o objetivo de ajudar meu filho a viver num mundo mais consciente, mais tolerante, mais respeitador e menos desinformado e menos preconceituoso”, escreveu Mion a respeito de seu livro infantil.

A escova de dentes azul” é uma referência a um episódio que aconteceu num Natal da família, quando Romeo pediu um presente de Natal para o pai e ele escreveu o texto “Lições que aprendi com meu filho autista”, que publicou na sua página no Facebook. A quarta capa do livro conta o mote da história: “O Natal está chegando! E com ele o momento de escrever a cartinha para o Papai Noel. O que será que as crianças vão pedir de presente? Donatella tinha uma lista organizada com vários itens, e Stefano queria os brinquedos mais modernos. Romeo, por sua vez, queria algo muito simples, o que surpreendeu toda a família”.

E se uma criança fizesse um review sobre o livro para outras crianças? Então, foi o que fez a Alyssa Tomiyama, num vídeo de 3 minutos e meio em seu canal no Youtube (imperdível!) “Alyssa e a magia da leitura“. É de explodir o “fofurômetro”! Veja aqui abaixo.

A onda azul

A onda azul

Maira Alves e Adriano Machado são os pais de um menino com autismo, Bernardo. Junto com a amiga e escritora infantil Marismar Borém, tiveram a ideia: “Que tal escrever um livro infantil sobre uma criança autista?”. A seis mãos, decidiram tratar de forma leve uma questão complexa que ainda precisa ser desvendada. Então nasceu “A onda azul – Azul da cor do mar”, livro infantil publicado pela Editora Cora, em parceria com a Associação Educore.

Segundo Adriano contou para o site Canguru, o livro elucida o tema e tem um importante papel social. “Ele pode atrair a atenção para o autismo, a fim de que tanto a sociedade quanto os governos compreendam melhor os desafios do transtorno e viabilizem leis e projetos que possam subsidiar os autistas e suas famílias nos complexos e caros tratamentos de cunho multidisciplinar”, contou entusiasmado.

É um livro que narra, através de relatos de vida e com linguagem simples, como os sintomas do TEA podem ser observados para o diagnóstico precoce do problema.

Para todos os gostos

E não para por aqui! Há várias outras opções de livros infantis a respeito de autismo. Seguem mais algumas delas.

Cadê a criança que estava aqui?Cadê a criança que estava aqui? — A história, escrita por Tania Dourado, gira em torno de Pablo, um belo menino autista, e conta suas peripécias e idiossincrasias. É um livro infantil, mas pode ajudar crianças de todas as idades a compreender que os autistas não vivem em um mundo paralelo. Eles estão aqui e ajudam a tornar o nosso mundo mais colorido e melhor.

A jornada de OlíviaA jornada de Olívia — escrita por Eliane Gomes e lançada pela editora Novo Século — dentro do selo Novo Século Criança —, “A Jornada de Olívia – a menina que não se fechou para o mundo” tem ilustrações de Bruna Assis Brasil. A inspiração da obra é Olivia, sobrinha e afilhada da autora, que foi diagnosticada com dificuldade relacional na primeira infância, muitas vezes confundida com traços autistas. “Muitas famílias se fecham em um diagnóstico errôneo e a criança acaba tendo um único destino: ser objeto de técnicas e remédios. A história de Olívia mostra como é possível uma criança pequena surpreender seus pais e os que nela acreditam”, explica a autora.

Enquanto isso… no mundo do autismo — Na história de Tito, mostram-se características de uma realidade que é mais comum do que se imagina, num livro criado para que crianças com TEA possam ser mais compreendidas. Leitura destinada a todas as crianças, aos seus pais e professores. Com texto de Renata Julianelli, ilustrações de Nana Sievers, o livro foi publicado pela editora Memnon, com supervisão técnica e idealização do neuropediatra José Salomão Schwartzman.

Na minha escola todo mundo é igualNa minha escola todo mundo é igual — Rossana Ramos cita o autismo nas suas rimas, mas o livro fala da diversidade de um modo geral, com belas ilustrações de Priscila Sanson. Uma escola em que todos os alunos convivem em harmonia, procurando superar as diferenças e dificuldades, inclusive físicas, faz com que todos sejam, realmente, iguais.

Especial mente azulEspecial mente azul — Comercializado em versão digital e em papel, este livro paradidático é indicado para professores, pais, crianças e adultos que querem interagir e aprender com pessoas com autismo. Escrito por Viviani Guimarães, a obra tem ilustrações e capa de Keyle Barbosa de Menezes.

Tem sugestão para todos os gostos.

Em artigos anteriores, já destacamos escritores brasileiros que escreveram sobre TEA e a presença do autismo na arte e cultura, além de pais que expressaram seu amor em fotos, livro e vídeo. Vale (re)ler!

 

Atypical estreia segunda temporada dia 7 de setembro

, , , ,
Cena da série Atypical da Netflix - segunda temporada - trata a respeito de um adolescente com autismo - Tismoo

Série, que retrata adolescente com autismo, é transmitida pelo Netflix e terá lançamento mundial

Os pinguins voltaram! Sim, Atypical estreia sua segunda temporada continuando a contar a história de Sam, um garoto com autismo, que trabalha e estuda, vivendo a efervescência e o amadurecimento de seus 18 anos, tentando ser cada vez mais independente. A série, produção original da Netflix, terá dez episódios — dois a mais que a temporada anterior — e estará disponível na plataforma de streaming a partir de 7 de setembro de 2018, a estreia mundial. Ah, o porquê dos pinguins? O protagonista é aficcionado pela Antártica e, mais especificamente, pelos pinguins que vivem naquele continente, principalmente o pinguim-imperador — os machos desta espécie são um dos poucos animais que passam o inverno na “terra de gelo”.

Sam, interpretado pelo ator Keir Gilchrist, além de buscar mais independência e autoconhecimento, também começa a se ver envolvido na sua primeira história de amor, enquanto vários problemas ocorrem em torno do dia a dia da família. O sucesso da temporada inicial garantiu a renovação junto à Netflix.

Na primeira temporada, Sam está em busca de uma namorada e pede conselhos a sua psicóloga Júlia. Cursando o ensino médio, ele não tem muitas amizades, além de Zahid, seu amigo de trabalho — um galanteador muito divertido — e sua irmã, corredora e um tanto protetora.

Em 2017, Atypical — que tem episódios de 29 a 38 minutos cada — foi a décima série mais assistida pelos brasileiros em sessões curtas (de menos de 2 horas por dia), segundo a retrospectiva da Netflix. E foi a oitava em recomendação para se assistir com a família. No site especializado em cinema IMDB, a série está com nota 8,3. No Rotten Tomatoes, a nota é 7,8 (ou 78%) para a primeira temporada. Atypical foi indicada ao prêmio Satellite Awards em 2017, na categoria melhor série de TV, comédia ou musical.

Quem não é atípico?

Atípico, em inglês, é a palavra que dá nome a esta série de comédia — cujo tema central é: o que significa ser uma pessoa normal, típica? — e tenta mostrar o quão similar é uma família com alguém que tem Transtorno do Espectro do Autismo (TEA); e, ao mesmo tempo, o quão diferente — atípica — cada família é, com suas particularidades, sua história de vida, seus anseios, suas falhas e sua humanidade. Não é à toa que o slogan de Atypical é “Every family is atypical”— em tradução literal para o português: “Toda família é atípica”.

A história foi escrita por Robia Rashid, que teve a consultoria de Michelle Dean a respeito do Transtorno do Espectro do Autismo — ela é professora da Universidade do Estado da Califórnia e trabalhou no centro de tratamento e pesquisa sobre autismo da Universidade da Califórnia em Los Angeles (UCLA), ambos nos EUA. A série aborda também outros temas da adolescência, como a iniciação ao sexo, a entrada na faculdade, inimizades e adultério.

Gilchrist disse, em entrevista ao site Vulture (da revista New Yorker), que após Rashid escrever a série, eles conversaram bastante, além dele ter feito muita pesquisa, assistiu a filmes e leu livros sobre autismo. Ainda nas gravações desta segunda temporada, o protagonista falou a respeito dos novos desafios que Sam deverá enfrentar: “Na primeira temporada vimos como Sam se adaptava ao novo universo do amor e da independência. Agora, ele buscará novos desafios para sua vida, deixando cada vez mais a dependência de sua irmã na escola, e de sua família”. Segundo o ator, para melhorar sua experiência com o personagem para a segunda temporada, ele começou a interagir mais com amigos autistas. “Por alguma razão – eu não acho que foi proposital ou algo assim – eu simplesmente tenho muitos amigos com irmãos ou amigos crescendo ou até mesmo vizinhos… [que] têm autismo”, contou ele.

Em entrevista ao canal online Autism Live, a criadora da série Robia Rashid afirmou que que já tem a história inclusive para a terceira temporada: “Acho esse universo muito amplo, e a possibilidade de apresentarmos novas fases da vida de Sam, como a faculdade, serão muito importantes para a série”.

Nesta segunda temporada, os pais de Sam — Elsa e Doug — encaram os desdobramentos de uma crise no casamento. Caisey tenta se adaptar à nova escola e fazer novos amigos. Sam se prepara para a fase pós-formatura.

Ficha técnica

Além do protagonista, Gilchrist, o elenco — confirmado para a segunda temporada — ainda tem Jennifer Jason Leigh (mãe de Sam, Elsa), Michael Rapaport (pai, Doug), Brigette Lundy-Paine (Caisey, a irmã) e Amy Okuda (Julia, a terapeuta de Sam). A série é co-produzida pela Sony Pictures Television e tem história e roteiro de Robia Rashid (que escreveu episódios de “How I Met Your Mother”, “Will & Grace” e “The Goldbergs” antes de criar “Atypical”). Os produtores executivos são: Robia Rashid, Seth GordonMary Rohlich, juntamente com Jennifer Jason Leigh.

Veja o trailer da segunda temporada.

Globo estreia no Brasil a série The Good Doctor, sobre médico autista

, ,
The Good Doctor - O bom doutor - série sobre autismo na Globoplay - Tismoo

O personagem principal é um médico residente de cirurgia que está no espectro do autismo

Criada por David Shore, mesmo produtor de House (da Fox), esta série norte-americana retrata a rotina de um residente de cirurgia, o jovem Shaun Murphy, que é autista, vivido pelo ator Freddie Highmore (protagonista de séries como Bates Motel e Close to the Enemy). The Good Doctor começou a ser exibida nos Estados Unidos, na rede de TV ABC, em setembro de 2017. No Brasil a série estreou dia 22 de agosto de 2018 com exclusividade no serviço de streaming GloboPlay e teve seus dois primeiros episódios exibidos na TV aberta, na noite de 27 de agosto, como se fosse um filme, no Tela Quente, da Rede Globo, quando bateu recorde de audiência da faixa de filmes em São Paulo, marcando 30 pontos pelo Ibope, sua maior média desde 2011. No Rio, teve 32 pontos, recorde desde 2009. (saiba o que é autismo).

Filmada em Vancouver, no Canadá, a série se tornou um fenômeno de audiência nos Estados Unidos no ano passado (2017), recebeu múltiplas críticas positivas, com elogios ao desempenho do protagonista, conquistando uma indicação ao Globo de Ouro — de melhor ator em série dramática para Highmore — e o prêmio Humanitas Prize para o episódio-piloto, escrito por Shore. Com nota 8,4 no site especializado em cinema IMDB, a trama acompanha o brilhante jovem cirurgião com Transtorno do Espectro do Autismo (TEA) e síndrome de Savant, que deixa a vida no interior para encarar o corrido dia a dia de um hospital na cidade grande.

Shaun teve uma infância complicada por sofrer de autismo e, com isso, grandes dificuldades socioemocionais e de linguagem. Após fugir de casa com o irmão, ele foi tutorado pelo médico Aaron Glassman (Richard Schiff), que consegue para ele, após a faculdade, uma vaga como residente no importante hospital que preside, o San Jose St. Bonaventure. A admissão do jovem causa uma comoção em torno do quanto seu transtorno pode ou não ser seguro para as vidas dos pacientes e para o trato com os familiares. Como esperado, o jovem residente tem um grande talento diagnóstico — com memória fotográfica e uma lógica de pensar diferente dos demais — e é isso que justifica sua presença entre os outros residentes.

A história é baseada na premiada série sul-coreana de 2013, chamada apenas “Good Doctor”.

Exibição via internet

O GloboPlay, canal de streaming da Globo, superou a Netflix nas negociações da série e anunciou a exibição exclusiva no Brasil, com o nome “The Good Doctor — O Bom Doutor”. Os 18 episódios da primeira temporada já estão disponíveis para os assinantes da plataforma. Esta é a primeira série de sucesso internacional adquirida pela Globo para exibição exclusiva no GloboPlay. Em Portugal a série estreou no canal a cabo AXN, em outubro de 2017.

Em março de 2018, a ABC renovou contrato para a segunda temporada da série, que é uma das maiores audiências naquela emissora, atrás apenas de “Grey’s Anatomy”. Nos Estados Unidos, a segunda temporada de The Good Doctor estreia em 24 de setembro de 2018.

Leia a crítica da primeira temporada no site Omelete. E assista aqui ao trailer da primeira temporada de The Good Doctor.

Atypical

Outra série sobre autismo que terá estreia próxima é “Atypical“, que lança sua segunda temporada no Netflix dia 7 de setembro de 2018 (veja o trailer). Os oito episódios da primeira temporada da série, que retrata um adolescente de 18 anos com TEA, estão disponíveis no Netflix.

(Atualizado em 31/08/2018 com informações sobre audiência da Tela Quente)

Como lidar com a criança com TEA durante as férias escolares?

, , , ,

As férias de julho estão se aproximando e pais logo precisarão descobrir formas de ocuparem os dias de seus filhos. Confira nossas dicas no artigo desta semana.

Quando as férias escolares finalmente chegam, muitos pais começam a pensar em como serão as atividades de seus filhos nas próximas semanas. Pais de crianças com Transtorno do Espectro do Autismo (TEA) também passam por isso, mas com um desafio a mais, já que tudo deve ser planejado com um cuidado especial.

Isso porque, para quem está dentro do espectro, o recesso escolar representa uma grande quebra de ritmo no dia a dia. Se a criança está acostumada com a familiaridade e a consistência da rotina, ela pode ter dificuldade de lidar com a sensação de liberdade proporcionada pelas férias.

Por isso, hoje queremos dar algumas dicas para que pais possam ajudar seus filhos e transformar esse período na experiência mais tranquila possível.

Encare a quebra de rotina como algo positivo

Para o pesquisador e fonoaudiólogo David Trembath, há benefícios que surgem com o recesso. Apesar da importância da rotina para muitas crianças com TEA, uma interrupção nos padrões pode ser um aprendizado, ajudando-a a se adaptar a esse tipo de situação e expandindo suas habilidades e interesses. Ou seja, ela ganha um pouco mais de independência quando têm de lidar com mudanças desse tipo.

Para estimular esse comportamento é importante envolver a criança no planejamento das atividades das férias e deixar claro em um calendário o início e o fim desse período, explicando por que as coisas serão daquela forma durante um tempo.

Em todo esse processo que é construído aos poucos, a comunicação é fundamental: pais devem tentar eliminar as prováveis surpresas que poderão surgir na nova rotina, anotando cada atividade do dia no papel e estabelecendo horários. Assim, a criança pode antecipar as mudanças que virão e ter uma representação visual que a ajudará nesse processo, diminuindo sua ansiedade.

Outro detalhe importante é que, antes de visitar museus, parques ou livrarias, por exemplo, pais podem apresentar com detalhes para seu filho como será o trajeto até o local, o que eles vão comer, quanto tempo ficarão lá e por qual motivo aquele passeio foi escolhido.

Essas informações podem ser contadas em formas de “histórias sociais”, um recurso útil para preparar crianças para um determinado acontecimento. Essas histórias funcionam como uma espécie de guia escrito e ilustrado, que descreve situações sociais e comportamentos esperados.

Se pensarmos que viagens mais longas para outros estados ou países podem ser bem estimulantes e estressantes para crianças dentro do espectro, vale ainda mais a pena montar uma história social com imagens dos lugares que serão visitados e dos parentes que estarão lá.

Atenção para o excesso

Alguns pais tendem a querer ocupar todos os dias das férias com atividades, já que o tempo ocioso pode deixar o filho ansioso. Mas a verdade é que o equilíbrio é fundamental e cada criança com TEA terá os seus limites. Momentos de diversão que estimulam muito os sentidos podem ser perfeitos se, para compensar, você planejar para o mesmo dia momentos de descanso e relaxamento.

É importante lembrar que as férias também podem ser prazerosas dentro de casa. Há jogos de tabuleiro e baralho, livros de colorir, filmes, séries, músicas, quebra-cabeças e várias outras coisas que podem ser preferidas pelas crianças que quiserem um pouco de tranquilidade no fim do dia ou simplesmente preferirem ficar dentro de casa na maior parte do tempo.

O principal é que a rotina escolhida durante as férias agrade todos os membros da família e seja tranquila de lidar, ajudando a aproximar pais e filhos ainda mais.

Agenda de eventos sobre o autismo

, , , , , ,

Com o Dia Mundial de Conscientização do Autismo se aproximando, selecionamos alguns dos principais eventos que estão envolvendo a nossa equipe.

O Dia Mundial de Conscientização do Autismo é celebrado em 02/04 e nós não poderíamos deixar essa data passar em branco. Por isso, selecionamos alguns eventos que aconteceram e vão acontecer sobre o tema em diferentes lugares do país. Nossa equipe marca presença em alguns deles, sempre contribuindo nos diálogos sobre o Transtorno do Espectro do Autismo (TEA). Acompanhe.

Eventos de março

O mês foi super movimentado. Nos dias 22 e 23 aconteceu em Ribeirão Preto (SP) o VII Seminário sobre Rotas Tecnológicas da Biotecnologia. Na tarde da quinta-feira, dia 22, nossa Diretora Executiva, Drª Graciela Pignatari, fez uma palestra apresentando a Tismoo e seu trabalho na área de biotecnologia.

Nos dias 23 e 24 a cidade de São Paulo recebeu o I Congresso Brasileiro de Neurogenética, um evento que contou com a visita de quase 600 médicos, entre neurologistas, neuropediatras, geneticistas e outros profissionais da área de saúde. A Tismoo marcou presença com um stand, onde a equipe apresentou as soluções de genômica que oferecemos através da plataforma exclusiva de bioinformática GENIOO, especialmente construída para análises genéticas ligadas ao TEA, e nosso exclusivo processo de curadoria genética. Recebemos a visita de muitos médicos, a quem agradecemos pelo interesse em nosso trabalho. Confira algumas fotos:

Na segunda-feira, dia 26, começamos a semana com uma palestra no Colégio Piaget, em São Paulo, onde a Drª Graciela Pignatari falou sobre TEA, inclusão e sobre a Tismoo para professores e funcionários da escola. Esse convite em particular nos alegrou muito, pois reforça a importância de discutirmos o tema fora dos consultórios, clínicas e espaços acadêmicos, envolvendo também a comunidade escolar e a sociedade como um todo no debate sobre o TEA.

No dia 28 tivemos outra palestra da Drª Graciela Pignatari, dessa vez no lançamento oficial do Movimento UniTEA e pré-lançamento do 1º Seminário sobre Autismo da Serra Gaúcha. No evento, realizado na cidade de Caxias do Sul (RS), nossa Diretora Executiva falou sobre autismo, genética e modelagem de doenças. Aproveitando o assunto, deixamos uma dica para você: o seminário acontecerá no dia 12/09 e vai ter uma palestra do Dr. Alysson Muotri. As inscrições já estão abertas e podem ser feitas aqui.

Próximos eventos

No dia 02, Dia Mundial da Conscientização do Autismo, a Associação de Amigos do Autista — AMA vai promover em sua sede, no bairro Cambuci em São Paulo, um evento para apresentar o projeto da nova unidade Vila Ré. Localizado na zona leste da cidade, esse novo local vai atender gratuitamente pessoas autistas e suas famílias. Durante o evento da AMA haverão muitas atrações, como palestras e apresentações artísticas. Para saber mais entre em contato com a associação pelo telefone (11) 3376–4400 ou através do site.

Nos dias 04 e 05, quarta e quinta-feira, o Rio de Janeiro abre as portas do Museu do Amanhã para o I Seminário Rio TEAMA. Nosso Chief Medical Officer, Dr. Carlos Gadia, vai fazer duas palestras no dia 04: uma às 9h15, sobre diagnóstico do TEA (com 15 minutos de perguntas no final), e outra às 11h15, quando ele vai falar dos mitos e verdades sobre tratamento e medicação. Já na quinta-feira, dia 05, a palestra dele será às 15h30, sobre a genética do TEA. Nos dois dias, das 17h às 18h, Dr. Gadia também participará da seção “Pergunte ao especialista”, respondendo junto com outros profissionais as dúvidas dos participantes do seminário. As inscrições são gratuitas e podem ser feitas no site do museu.

Gostou das nossas dicas? Sabe de algum outro evento sobre autismo que vai acontecer no Brasil nas próximas semanas? Compartilhe com a gente nos comentários!

Autismo ganha cada vez mais espaço na arte e na cultura

, ,

Retratado na novela teen Malhação e recentemente na série Atypical, na Netflix, o autismo também já marcou presença no cinema, na literatura e até nos quadrinhos.

O Transtorno do Espectro do Autismo (TEA) está longe de ter toda a repercussão que merece e precisa, mas não foi esquecido pelo mundo do entretenimento. Retratada há muitos anos em obras que vão do cinema à literatura, ele ganhou destaque em 2017 no papel do protagonista da série Atypical, da Netflix, e da novelinha teen Malhação, da Rede Globo. Relembramos agora outros momentos em que o transtorno ganhou espaço e voz na arte e na cultura.

Cinema

Desde a década de 1970 até hoje muitos títulos cinematográficos com o temaforam produzidos, tanto documentários quanto obras de ficção. Separamos alguns, que podem ser encontrados facilmente nas plataformas de streaming:

Meu Filho, Meu Mundo (1979)

Uma das referências no cinema sobre autismo, “Meu filho, meu mundo” narra a terceira gravidez de um jovem casal. Depois de conceber duas meninas, Barry e Suzie Kaufman descobrem que vão ter um filho. Ao perceber que o garoto é autista, eles iniciam uma jornada para encontrar tratamentos disponíveis, até que criam seus próprios métodos.

Rain Man (1988)

O insensível Charlie Babbitt espera receber uma grande herança após a morte de seu pai, que ele não vê há anos. Mas é Raymond, seu irmão mais velho, internado em uma instituição médica e cuja existência Charlie ignorava até então, quem recebe toda a fortuna. Raymond é um “autista sábio”, com habilidades mentais seriamente limitadas em algumas áreas, mas com capacidade de gênio em outras. Quando Charlie rapta Raymond, uma longa e maluca viagem atravessando o país rumo a Los Angeles ensina aos dois algumas lições sobre a vida.

Um Amigo Inesperado (2006)

A obra conta a história do autista Kyle Gram. Seus pais fazem de tudo para tentar se comunicar com ele, até que o garoto ganha um cachorro e passa a chamá-lo de Thomas (o mesmo nome do trenzinho de um desenho animado que ele gosta). Através do cão, os pais conseguem criar uma relação com o menino, que o ajudará a escapar do seu silêncio.

O Contador (2016)

O ator Ben Affleck interpreta Christian Wolff, homem com autismo que se revela um gênio da matemática. Assim como o personagem de Dustin Hoffman no filme “Rain man” (1988), Christian é capaz de cálculos impressionantes em poucos segundos. Ao investigar a contabilidade de uma empresa, encontra fraudes que podem colocar sua vida em risco.

Farol das Orcas (2016)

Produzido pela Netflix e baseado em fatos reais, esse filme argentino-espanhol conta a história de Lola, mãe do garoto autista Tristán. O filho só demonstra reações quando vê baleias orcas na televisão. Para ajudar Tristán, Lola vai à Patagônia Argentina em busca do guardafaunas Beto, na esperança de que o contato do filho com as orcas desperte suas emoções.

Life Animated (2016)

Baseado no livro de Ron Suskind, o filme mostra a relação do garotinho autista Owen com as obras dos estúdios Disney e como isso contribuiu para o seu desenvolvimento. Alternando clipes da Disney, animações personalizadas, entrevistas e vídeos reais gravados pela família, com depoimentos dos pais, do irmão e do próprio Owen, “Life, Animated” passa por todos os momentos do diagnóstico, desde a angústia e impotência da família diante da condição desconhecida, até as pequenas descobertas do dia a dia, além de trechos da vida adulta de Owen. Já dedicamos um texto inteiro para falar sobre esse filme. Clique aqui para ler.

Quadrinhos

A diferença invisível (2017)

Escrita por Mademoiselle Caroline e Julie Dachez, a história em quadrinhos narra a vida de Marguerite. Ela tem 27 anos, é bonita, inteligente, trabalha e tem um namorado. Mas se sente deslocada e luta para manter as aparências: ruídos a atrapalham, conversas dos colegas a assolam. Ao descobrir que é autista, sua vida se transforma.

Literatura

Dibs: em busca de si mesmo (1964)

Com edições em português esgotadas, o livro escrito pela psicóloga norte-americana Virginia Mae Axline se tornou um artigo raro: é encontrado apenas em sebos. A obra conta a história real de um garoto que consegue se reconstruir através de uma terapia baseada em conceitos lúdicos, que lhe proporcionou condições para explorar seus pensamentos.

Peças teatrais

Da Desordem Que Não Anda Só (2017)

Apresentada em novembro, na cidade de São José do Rio Preto, a peça mostra a vida de uma família de classe média que tem um pai ausente, uma mãe que trabalha demais e dois filhos: Stevie, portador da síndrome de Asperger; e Julie, sua irmã adolescente. A partir do ponto de vista de Stevie, o protagonista, a peça faz um retrato da vida das pessoas “diferentes”, reforçando a importância de se respeitar a individualidade e não apagá-la em busca de aceitação. Você pode saber mais sobre a peça aqui.

O Som e a Sílaba (2017)

Também apresentada no mês de novembro, dessa vez em São Paulo, essa peça escrita por Miguel Falabella conta a história da amizade e cumplicidade entre uma professora de canto e sua aluna, Sarah, uma autista funcional que encontra na música uma maneira de se relacionar com o mundo. Leia aqui mais informações sobre a peça.

The Curious Incident of the Dog in the Night-Times (2014)

Sucesso na Broadway, esse monólogo baseado em um livro percorreu o mundo e voltou aos teatros americanos em 2017, dessa vez com uma grande surpresa: o papel do protagonista Christopher Boone, um jovem autista de 15 anos, é interpretado por um ator também autista, Mickey Rowe. Nesta entrevista traduzida pelo Estadão, Rowe defende que pessoas com autismo são muito capazes de fazer qualquer coisa, inclusive atuar, desde que tenham oportunidades.

Concerto

Concerto Azul (2017)

No início do ano, 29 pessoas autistas promoveram no teatro Miguel Falabella (RJ) a 2ª edição do Concerto Azul. No evento gratuito, crianças e jovens entre 3 e 24 anos dançaram, cantaram e tocaram instrumentos para celebrar a diversidade, sensibilizar o público sobre o TEA e dar visibilidade aos talentos musicais dos participantes. O concerto foi idealizado pela musicoterapeuta Michele Senra e contou com o trabalho voluntário de outros profissionais e estudantes dessa área.

Além dos títulos dessa lista, já falamos aqui no blog também sobre livros brasileiros que abordam o autismo e outras obras onde o TEA é o protagonista. Gostou das nossas dicas? Tem alguma para compartilhar? Conte pra gente nos comentários!

A história do jovem autista que é campeão mundial de fliperama

, , ,

Muitos leitores do nosso blog perguntam sobre o autismo na vida adulta. É bem possível que esse tema já tenha passado pela cabeça de quase todos os pais de crianças autistas. Mas não vamos falar de pessoas que descobriram a condição depois dos 20 ou 30 anos. Hoje vamos contar uma história de um rapaz que cresceu com o Transtorno do Espectro do Autismo (TEA), demonstrando seu grande potencial e usando as características do espectro a seu favor.

Robert Gagno é um jovem canadense de 27 anos que recebeu seu diagnóstico aos três. Foi a mãe, Kathy, quem primeiro percebeu que ele era uma criança diferente. Segundo ela, Robert tinha fascínio por objetos específicos, gostava de ficar girando o corpo e gritava durante encontros com outras crianças e adultos. A descoberta do autismo, contudo, não foi um alívio. “Não era algo conhecido naquela época. Os livros que encontrava na biblioteca diziam que era um problema ligado a deficiências na educação dada pelos pais, o que não fazia sentido para mim”, contou Kathy em entrevista à rede de notícias BBC.

O desenvolvimento de Robert não foi muito diferente de outras crianças autistas: ele demorou mais tempo que o normal para aprender a falar e suas palavras não seguiam uma ordem lógica, gerando frustração e um sentimento de incompreensão. Seus pais contam também que, apesar de ser uma criança doce, ele demandava muita atenção. O que eles nem imaginavam é que uma máquina seria a resposta para a inquietude de Robert. “Quando ele tinha cinco anos, uma vez eu o levei para comer um hambúrguer. Havia um fliperama e ele ficou mais interessado nele do que na comida. Minha mulher e eu percebemos que poderíamos sentar e relaxar um pouco enquanto Robert jogava”, conta Maurizio, pai do garoto. Mal sabiam eles que o brinquedo levaria Robert por um caminho de superação e conquistas.

Amor à primeira vista (e primeira audição)

Luzes coloridas e sons variados. Foram essas características que fizeram Robert se encantar pela máquina. Os pais investiram na paixão do garoto e, mais tarde, viram que deu certo: aos 10 anos de idade ele ganhou seu primeiro fliperama; aos 27 ganhou uma competição mundial.

Robert passava horas no brinquedo, em busca de resultados cada vez melhores. Quanto mais longe conseguia ir, mais ele confiava em seu potencial, o que foi um incentivo para jogar em locais públicos, como salões de jogos e boliches, e se socializar. A família apoiava, pois via na situação uma forma de aprendizado. Jogando e participando de competições Robert conseguia perceber quando era sua vez de falar, desenvolver espírito esportivo e fazer amigos. A experiência foi uma via de mão dupla: o alto poder de foco e a forte memória visual (características de sua condição autista) contribuíram para seu sucesso, enquanto o jogo e os campeonatos estimularam o desenvolvimento das suas habilidades sociais.

Ele não apenas se encontrou nos fliperamas, como teve a oportunidade de demonstrar todo o seu potencial. Aos 19 anos Robert começou a participar de competições em diversos países, até que aos 27 consagrou sua vitória no Campeonato Mundial de Fliperama da Associação Profissional e Amadora de Pinball, realizado em 2016 nos EUA. Hoje ele é um dos dez melhores jogadores de fliperama do mundo e o principal do Canadá. Sua história foi transformada no documentário Wizard Mode — uma prova viva de que pessoas autistas podem ir muito além das expectativas e frustrações de qualquer diagnóstico.